A menos de três meses do arranque da 87.ª Volta a Portugal existem várias incertezas quanto à corrida, mas o Diário de Notícias, ao longo dos últimos dias, procurou informações junto aos municípios e à organização, que corroboram que a prova irá para a estrada apesar de uma dificuldade notória para fechar partidas e chegadas. Num primeiro prisma, a prova ainda não está dada como certa no calendário internacional pela União Ciclística Internacional, mas está feita a inscrição e o respetivo pagamento. Depois de a Federação Portuguesa de Ciclismo ter posto termo ao acordo com a Podium Events, de Joaquim Gomes, a empresa abriu insolvência, o que precipitou a necessidade de ser a Federação a suportar os custos em dívida para a UCI permitir a realização da corrida. “A dívida foi negociada, foi feito um acordo na semana passada. A Podium deixou por pagar 152 mil euros à UCI [inscrições da Volta no calendário internacional], além dos 500 mil que deve à Federação [relativos a provas nacionais]”, advoga Cândido Barbosa, presidente eleito em 2024 depois do fim de mandatos de Delmino Pereira, explicando que “a providência cautelar colocada pela Podium foi danosa, ao atrasar vários meses de preparação”, embora reconheça que “a decisão foi favorável à FPC” por admitir que a rescisão foi justificada por faltas de pagamento. “Em 2025, a prova esteve em risco de não acontecer, agora não é o caso”, afirma.Naturalmente, isso afeta o desenho do percurso, mas segundo Cândido Barbosa o plano é “ir a sítios que têm estado de costas voltadas para a Volta e, o mais possível, tentar chegar a Portugal inteiro”. Por isso, foi apresentada ainda durante a Volta ao Algarve a meta em Albufeira, um sprint na primeira semana de corrida, mas sem dia confirmado. O plano é ter 11 dias de corrida, com início a 5 de agosto e final a 16, com um dia de descanso pelo meio. O DN sabe que, depois, a comitiva segue para um final no Alentejo. A subida às Antenas da Serra de São Mamede, em Portalegre, foi testada na Volta ao Alentejo e era hipótese abordada. Seguindo para Norte, como é previsível, a etapa-rainha, a ida à Torre, poderá encontrar-se a meio da corrida. O DN contactou o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, que confirmou negociações, mas que “ainda não estava definida a chegada”. “A Etapa da Torre está fechada com outro município”, detalhou Cândido Barbosa, confirmando que “há quatro chegadas sempre fáceis de fechar: a Torre, a Senhora da Graça e a primeira e a última etapas.” Depois da ida à Torre, que se calcula ser mesmo final de etapa, haverá o esforço de equilibrar a corrida e de ter um “percurso para especialistas de contrarrelógio”. Logo após à Torre, portanto, haverá um esforço individual que, tendencialmente, será plano e, previsivelmente, acima dos 20 km. O DN pôde confirmar junto a João Azevedo, presidente em Viseu, que a habitual passagem não vai acontecer, até pelo privilégio dado ao investimento no Rali de Portugal para 2027, que diz “dar enorme retorno e obrigar a escolhas em eventos desportivos.” Fátima Fernandes, presidente socialista em Montalegre, confirmou que não existiram conversas para que se faça a subida ao Larouco. Luís Nobre, autarca de Viana do Castelo, admitiu “disponibilidade para continuar a receber a Volta nos termos que Viana tem recebido”, explicou ao DN, sabendo-se que o Santuário de Santa Luzia é, também, uma chegada muito apreciada pelo público. O DN pode confirmar que na antepenúltima etapa, dia 14 de agosto, há passagem por Guimarães e chegada a Fafe, com a passagem duas vezes na meta na cidade. Pelo meio, existirá o exigente Salto da Pedra Sentada, ponto de atração em ralis e já utilizado na Volta. A penúltima etapa, no dia 15, terá final na Senhora da Graça. O plano durante a etapa poderá passar por endurecer o caminho até ao final no icónico santuário, mas Mondim de Basto, sabe o DN, tem já a despesa orçamentada e apresentou-a em reunião de câmara logo no final do ano de 2025. Pelo que o DN pôde saber, tanto Lisboa como Porto são cidades que o organizador gostaria de ter no percurso. O DN tentou contactar os vereadores das duas metrópoles, mas não teve confirmação de negociações. A Federação entregou à EME Sports de Ezequiel Mosquera, ex-ciclista, o desenho do trajeto por um ano, a título “experimental.” A empresa “não paga nem recebe da Federação” e fica com as “receitas privadas”, diz Cândido Barbosa, que está responsável por negociar com os municípios. .Cândido Barbosa vence eleições e é o novo presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo.Podium Events acusa federação de "falta de decoro e lealdade" no fim da concessão da Volta