O médio português Afonso Taira conquistou o título da II Liga da Arábia Saudita ao serviço do Abha Club, numa temporada marcada pela consistência competitiva da equipa e por uma série de 28 jogos consecutivos sem derrotas, confirmando matematicamente a subida e a conquista do campeonato ainda com três jornadas por disputar. A vitória por 3-1 frente ao Al Batin selou uma época que o jogador descreve como particularmente especial, não apenas pelo título, mas pelo percurso coletivo construído ao longo da temporada. “O futebol é um jogo coletivo e não tenho dúvidas de que o sucesso desta temporada se deve a um grupo de trabalho fantástico. Estar desde setembro sem perder e mostrar uma qualidade de jogo que nos permite não apenas subir de divisão, mas também conquistar este título, não pode ser um acaso”, afirmou, numa conversa com o Diário de Notícias. Para o médio português, o domínio evidenciado pelo Abha Club ao longo da época assume um significado raro no seu percurso profissional. Apesar de já ter alcançado anteriormente subidas de divisão, considera que a forma como a equipa se impôs desde o início da competição distingue esta conquista. “A subida de divisão é a minha terceira, a segunda na Arábia. Ser campeão é mais único, mas destacar mesmo o domínio que tivemos do início ao fim foi uma coisa fora do comum. Eu ainda não tinha tido nenhuma época assim enquanto profissional.” O impacto da campanha foi ainda mais relevante tendo em conta o contexto competitivo do futebol saudita, onde existem clubes com maior capacidade financeira e tradição de sucesso nesta divisão. “Era completamente inesperado que qualquer equipa que não fosse uma dessas conseguisse ser campeã e dominar o ano todo. Isso teve um impacto muito grande, especialmente a nível local”, sublinhou. Afonso Taira reconhece igualmente a importância desta conquista no plano individual, assumindo tratar-se do momento mais marcante da sua carreira até agora. “Estou naturalmente muito feliz pelo triunfo mais importante da minha carreira. As memórias desta época ficarão comigo para sempre, tanto pela vertente competitiva, como por ter sentido que desfrutei muito em campo.” Apesar do título alcançado, o jogador mantém o foco na continuidade da carreira competitiva, sublinhando a relevância do papel que continua a desempenhar dentro das equipas que representa. “Tenho tido o papel que eu gosto dentro dos grupos, o papel de líder, o papel de levar a equipa comigo. Para já, a minha ideia é continuar a desfrutar enquanto esse papel acontece naturalmente.” .No que diz respeito ao futuro após o final da carreira como jogador, Afonso Taira assume que essa é uma preocupação presente há vários anos e que tem vindo a preparar essa transição de forma consciente e gradual, procurando construir alternativas sustentáveis sem se afastar do universo que marcou todo o seu percurso. O médio português revela ter interesse particular nas áreas de investimento, projetos empresariais e desenvolvimento estratégico, explicando que essa preparação antecipada é essencial para qualquer atleta profissional. “Já comecei há alguns anos a tentar perceber o que é que gosto de fazer, onde é que posso aportar valor. Tenho explorado áreas de investimentos, projetos e empresas”, afirmou, acrescentando que considera um erro adiar esse planeamento para o momento em que termina a carreira competitiva. Apesar dessa abertura a novos caminhos, o jogador deixa claro que a sua prioridade passa por manter uma ligação ao futebol, preferencialmente em funções onde possa continuar a contribuir com a experiência acumulada ao longo de vários anos como profissional. “Só não ficarei ligado ao futebol se não encontrar algo que goste de fazer nesta esfera. Tenho a minha vida toda ligada ao futebol e acho que tenho também muito a aportar ao futebol, não só como jogador”, sublinhou, admitindo que áreas como a gestão desportiva ou projetos ligados à estrutura dos clubes poderão fazer parte desse percurso futuro.Quanto ao futuro imediato, o Médio Oriente continua a assumir-se como o cenário mais provável para a continuidade da carreira. “Neste momento, a prioridade para mim é o Médio Oriente. É um mercado onde estou muito valorizado e acredito que seja aqui onde vou ter mais oportunidades”, afirmou, deixando ainda assim em aberto outras possibilidades. “Sempre estive bastante aberto a considerar passos um bocadinho fora da caixa, seja em Portugal, na Europa ou fora dela.” Depois de uma época marcada por regularidade competitiva e por uma conquista com forte impacto no contexto local, Afonso Taira assume-se satisfeito com o percurso realizado, mantendo como principal motivação continuar a competir enquanto se sentir determinante dentro das equipas que representa.No plano pessoal, Afonso Taira abordou ainda o impacto do apelido que carrega no percurso profissional, reconhecendo a importância da influência do pai na sua formação enquanto jogador e enquanto pessoa, mas sem assumir que tenha condicionado diretamente as oportunidades ao longo da carreira. “Não sei se o apelido me ajudou mais ou me prejudicou em termos de oportunidades”, afirmou, sublinhando, contudo, o papel determinante do apoio familiar no seu desenvolvimento. “O que posso dizer é que ter o pai que tive me ajudou muito e ajuda-me muito ainda hoje. Sou muito grato por ter esse companheiro e conselheiro.” .Arábia Saudita acelera plano para dominar mundo do futebol e gaming com compra da EA.José Peseiro: “O meu objetivo não é só subir de divisão, é manter-me lá”