"Preocupo-me que a família de Bolsonaro ganhe esta eleição, seria uma tragédia para o país", disse esta tarde em Lisboa Wagner Moura, a propósito das próximas eleições presidenciais do Brasil, marcadas para outubro, em que Flávio Bolsonaro, filho do anterior líder do país, Jair Bolsonaro, é candidato. O ator brasileiro falava numa conferência de imprensa no Centro Cultural de Belém (CCB) sobre a peça de teatro Um Julgamento - Depois do Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen, um projeto seu e da encenadora e cineasta Christiane Jatahy, que estará em cena no CCB entre 3 e 5 de julho. Wagner Moura, premiado no Festival de Cannes como Melhor Ator pela interpretação no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, diz "que é uma pessoa de esquerda" e a que a polarização política é um problema. O ator, fazendo a ponte com a temática da peça que partiu do texto Um Inimigo do Povo do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen - que apesar de ter sido escrito em 1882 aborda questões atuais como a conciliação entre interesse público e interesses económicos -, diz que é preciso "organizar uma forma de desenvolvimento que proteja o ambiente e em que as pessoas consigam sobreviver". "É este tipo de interlocuções que eu gostaria de ter com a direita, mas a direita no Brasil foi usurpada ela extrema-direita com a qual não há diálogo", sublinha Wagner Moura. A peça de teatro também faz pensar sobre estes tempos que o ator descreve como de "pós-verdade". As sondagens no Brasil apontam para um empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula da Silva e isso "é a prova de que os factos não interessam", considera Wagner Moura. O ator refere-se ao facto de Flávio Bolsonaro ser suspeito de envolvimento em vários casos de corrupção e, ainda assim, estar bem colocado nas intenções de voto. "Os factos não existem mais. A verdade acabou e isso me assusta", disse o ator aos jornalistas, revelando que essa foi uma das razões porque decidiu criar a peça Um Julgamento - Depois do Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, Wagner Moura chegou a trabalhar como jornalista e considera que nesta era da desinformação "é o momento de fortalecer o jornalismo". .Kleber Mendonça Filho: “O Brasil possui uma força poética feita de sentimentos e espiritualidade”.Wagner Moura: “Quanto mais democrático for o governo, mais ele vai entender que cultura é importante”