Neste O século dos imbecis, Agilulfo, um marquês em tempo de república, emburrece quando desce e abrilhanta quando sobe. Também no nosso século as multidões se fascinam pela ignorância, bem mais do que pela sabedoria?Esta é a perplexidade perante a contemporaneidade. Que despudor existe hoje em relação à ignorância, ao desconhecimento. Eu creio que vivemos uma tragédia que é, ao mesmo tempo que detemos a informação na mão através de um gadget como o smartphone, destituImos-nos de assimilar a informação, transformando-a em conhecimento. E por isso, essa facilidade de acesso à informação parece convidar ao emburrecimento geral. É como se ficássemos com uma sensação de impunidade por podermos ser ignorantes só porque sabemos que em algum lugar, ao alcance da mão, está o conhecimento. E por isso, há uma caminhada para nos destituirmos do saber que, em última análise, acaba por ser uma caminhada para nos destituirmos de capacidades. Ou seja, temos muita informação vinda de todo o lado, com toda a tecnologia, com o acesso às redes sociais, com a inteligência artificial, mas cada vez mais essa informação acaba por ser tão filtrada pelos algoritmos que não nos oferece uma escolha verdadeira. É uma informação que só nos diz aquilo que nós queremos ouvir?É uma informação que nos orienta simplesmente ou, se quisermos, que nos domina. E por isso, vamos perdendo a autonomia. É curioso, com a atomização e com o empoderamento de todas as vozes, passamos todos a ser emissores. Todas as pessoas têm plataformas onde emitem os seus pontos de vista, fazem as suas reportagens, as suas entrevistas e dão as suas opiniões. E por isso, tanto prescrevem livros como discos, como avaliam políticos e solicitam inclinações para as eleições. Mas, ao mesmo tempo que existe esse empoderamento das vozes singulares, estamos cada vez mais convidados a uma padronização porque estamos subjugados a uma orientação que é manipuladora. A mim assusta-me muito que a padronização possa conduzir a uma espécie de desumanização, que possa conduzir a uma destituição das nossas qualidades humanas ao ponto de implicar com as nossas capacidades. Para mim, o que está em causa é regressarmos ao macaco. Ao invés de fugirmos do macaco, estamos a regressar euforicamente ao macaco de que nos livrámos.No fundo, reza o dito popular que “a pensar morreu um burro”, mas o burro arrisca-se a morrer por deixar de ter a capacidade de pensar?Exatamente.Há uma perversidade humana em levar o outro ao seu pior, em rir-se do outro quando está no seu pior, em vez de se orgulhar quando está no seu melhor?A parábola é o jogo que acaba por aludir a uma preferência por aquilo que é fácil e por aquilo que acaba por estabelecer uma espécie de lógica do ridículo, do infantil. Como se, enquanto coletivo, nos estivéssemos a infantilizar cada vez mais, destituindo-nos de uma dimensão complexa e profundamente adulta. É uma ideia sarcástica, cómica, e eu, pelo menos, rio-me. Mas é o riso do trágico, é o riso perante o trágico, é o riso perante essa derrocada e essa perda de sentido.E vê este seu livro quase como um grito de alerta, apesar desse lado cómico, a chamar para a existência este problema?Temos de robustecer até o humor. Eu não quero deixar de rir, sinto que preciso muito de me rir, mas até o humor é urgente que não perca o sentido sério das coisas, o quanto ele influi na manutenção das nossas valências humanas.Da estranha enfermidade de Agilulfo ao destino da Marquesa, passando pela vida interna do cofre, há uma pontinha de realismo mágico neste livro?Há um absurdo. O meu pé neste livro está assente no imaginário do Ítalo Calvino. O Calvino escreveu um livro breve, maravilhoso, chamado O Cavaleiro Inexistente. E os nomes dos homens do meu livro são os nomes de O Cavaleiro Inexistente. O Cavaleiro Inexistente é uma figura inacreditável, mais do que improvável, é impossível de existir. Ele chama-se mesmo assim por ser uma espécie de fantasmagoria. E em cada região por onde ele passa, adquire um nome, ou é conhecido por um nome. E esses são os nomes dos homens do meu livro. Então, há um jogo feito com o Calvino, que parece fazer crer que os homens, ou não existem, ou estão prestes a deixar de existir. A cultura e o pensamento falocêntrico e falocrático podem estar em extinção. Mas a minha proposta é exatamente à semelhança do que Calvino fez com a sua trilogia chamada Os Nossos Antepassados. E este livro, O século dos imbecis, começa uma série chamada Crimes e Vindouros. Calvino fala dos antepassados. Eu quero, de alguma forma, estabelecer um pensamento para que meditemos sobre o futuro. Mas esta minha série de livros assenta em Italo Calvino, que propõe também alegorias absurdas, substancialmente libertas da realidade, para aludirmos mais a inclinações mentais do que propriamente ao que sucede de facto.Mas se os nomes dos personagens masculinos são uma homenagem a Italo Calvino e ao seu O Cavaleiro Inexistente, as mulheres, por seu lado, não têm nome - são a Criada, a Marquesa, a Coveira, a Pasteleira…As mulheres são fazedoras, valem pelo que fazem. De alguma forma, as mulheres sobrevivem, resistem. Não vou desvendar as coisas do livro, mas as mulheres resistem pela força de serem quem são e não de lhes chamarem seja o que for ou de lhes atribuírem algum tipo de título. No livro, em algum sítio, acho que se diz que as mulheres são mais industriais. São industriais por eminência. Industriam. Eu gosto muito dessa safadeza de perigar os homens na identidade. Porque, de facto , eu atribuo nome aos homens, mas o que acontece é que eles estão em perigo de identidade. E elas não. Elas são muito mais definidas, muito mais encontradas. E na gestão das suas dúvidas, resultam em qualquer coisa muito mais importante. Os homens são todos meio poéticos. Os homens são lunares. Eles têm nome, mas são habitantes de uma certa lua. Elas não têm nome, mas elas existem francamente na Terra..A certa altura escreve: “O que é uma casa senão um parente extraordinário”. A Malandrinha, o palacete do marquês, é também uma das personagens principais deste livro?É uma das personagens principais. Porque eu reflito muito sobre a ideia da casa. É uma constante na minha vida… Nem é enquanto autor, enquanto pessoa. Eu sou um pouco obcecado com a ideia da casa. Talvez porque a minha infância se tenha passado numa casa gigante. Com quartos fechados. Porque era tão grande que havia cómodos desnecessários à família. Em Paços de Ferreira? Em Paços de Ferreira. E então essa ideia de haver uma casa que não é completamente usada produziu em mim a impressão de que a casa conspira sozinha. Existe para lá de nós. Se temos portas que estão trancadas, que estiveram trancadas a minha infância toda, para lá daquela porta a casa existe e eu não sei o que está. Por isso só a imaginação pode preencher aqueles tamanhos. E isso sempre me impressionou. E neste livro eu julgo que há - não sei se será muito óbvio para os leitores - uma impressão de um certo recomeço para mim. De repartir outra vez numa direção relativamente nova. Ou mais ou menos nova. E isso não pode ser feito se não desde o ponto de uma casa fundamental. Porque a casa fundamental tanto nos define como nos aprisiona. É um pouco como as maternidades e as paternidades. Tanto nos geram, tanto nos criam, nos dão a vida, como nos podem aprisionar. Nós precisamos depois de uma autonomização, uma libertação para um esplendor singular. Então eu gosto muito de colocar a casa. As casas tornam-se parentes. E nós brigamos e amamos as casas. E por vezes temos um carinho complexo. Mas temos um carinho pela casa como se fosse alguém que nos reconhece. Que nos acolhe, que nos acompanha. Diz-se no livro a dada altura que Agilulfo não está na Malandrinha, está com a Malandrinha. E essa ideia de chegar a um lugar que nos acompanha mais do que simplesmente ocupamos, para mim é muito clara em relação a determinadas casas que tenho a sorte de frequentar.O documentário De lugar nenhum, com realização de Miguel Gonçalves Mendes, chegará em breve às salas de cinema nacionais, assinalando também os seus 30 anos de carreira. O Valter Hugo Mãe que vamos ver no ecrã é parecido com o verdadeiro Valter Hugo Mãe?Não, aquele Valter do ecrã é tudo mentira. Estou contra. Nem sequer barba tinha, aquilo foi filmado há tantos anos. É curioso que o Miguel filmou muitos anos comigo e a dada altura eu já era filmado à revelia, no sentido em que já não queria saber que ele estava ali. Habituamo-nos à tralha cinematográfica. E como se tornou uma constante, não dava para eu encenar a minha vida sempre. Quantas vezes ele me dizia “Valter não tem luz, tens de ir comer para a outra mesa, deita-te neste lado da cama porque eu quero filmar e do outro lado não tem luz.” E eu já não queria saber, já nem ouvia, ouvia uma voz de fundo como se fosse um fantasma que me acompanha, mas eu não falo com os mortos. Por isso não respondia, não queria saber. Mas mesmo com esse desligamento progressivo, quando vemos o filme tenho a sensação de que há um lado editado, um lado performático que até a mim me surpreende, parece-me mais pensado do que espontâneo. Como se tivesse uma lógica associada àqueles meses, àqueles anos. Há ali uma inteligência que eu julgo que tem a ver com saber fazer filmes, saber o que vale a pena procurar e mostrar e guardar. É um belo filme do Miguel, mas eu não sei se sou tão belo assim.Quando olha para o filme vê uma personagem, não se vê a si?Vejo uma figura que parte de mim, que coincide comigo em muita coisa, mas de quem fui separado à nascença. Somos muito iguais, mas é curioso, ficou a sensação de que em algumas coisas nunca nos tínhamos encontrado.Há coisas que o surpreendem, apesar de ter sido o Valter a ser filmado?Desde logo há coisas que me frustram. Podia ter dito isso, podia ter dito aquilo, podia ter feito assim, podia ter feito assado. Quando alguma coisa nos é devolvida, pensada, mastigada, resolvida, nós temos sempre melhorias possíveis. Lamentamos que a vida real não seja só um rascunho que a gente possa anotar para viver depois a sério.E o que é que o Valter de 2026 diria ao Valter de 1996, se pudesse voltar para trás mas sabendo o que sabe hoje? Talvez lhe dissesse para não desistir, como ele não desistiu. E lhe dissesse que as coisas mais incríveis podem acontecer. A impressão que eu tenho é que o moço de 1996 estava num lugar tão distante, de uma amplitude de caminhos, mas ao mesmo tempo de um vazio exposto. Ou seja, todos os caminhos existiam, mas nenhum parecia preenchido com coisa alguma. E, 30 anos depois, a abundância do que é uma vida inteira de trabalho é evidente. Então, talvez lhe falasse do espanto e de muita gratidão.Num exercício contrário, o Valter de 1996, que tinha acabado de publicar o seu primeiro livro - Silencioso corpo de fuga -, imaginava-se 30 anos depois onde está hoje?Não, eu acho que o Valter de 1996 diria assim, ‘olha lá Palerma, tu abandonaste a poesia, tu estás a escrever histórias, a contar histórias?’ Porque era vital a poesia para mim. Eu acho que nunca abandonei a poética, a condição poética do texto não é possível abandonar. Mas a poesia propriamente dita, o estar com os poetas, o ser pelos poetas… a minha biblioteca era quase toda só de poesia. Os romances eram coisas que eu li à procura de umas frases, mas que achava feitos de uma tralha desnecessária. Porque eu não tinha paciência para saber sobre as donzelas e os donzelos. Não me interessava nada o que acontecia às pessoas que eram de mentira, que são pessoas inventadas. Os seus destinos, as suas angústias, eu só queria frases impressionantes. E agora não.Disse numa entrevista, por ocasião dos seus 20 anos de carreira, “a poesia é horrível, conta tudo, é malcriada”. Podemos esperar um regresso à poesia?Eu uso poema até porque sou muito franco nos meus livros e acabo por expor muita coisa. Voltarei à poesia, mas a poesia atravessa a nossa vida como uma ladra. Ela é do foro do crime. O poema é um crime contra o autor, porque ele faz-se verdadeiramente à revelia, impõe-se como uma força imperativa e não permite que seja de outra forma, porque senão não vai existir o poema. Se não funciona, não existe o poema e por isso também não existiria o poeta. O poeta tem de ser essa espécie de vítima do seu próprio texto, de vítima do verso. O romancista, ele não tem de mentir, mas ele ficciona por natureza e por isso há uma máscara, desde logo através do uso de personagens que são claramente outras pessoas que jamais o autor seria e que permitem que nós brinquemos a ser deuses e a inventar mundos e populações sem culpa.É mais fácil esconder-se atrás do romance, enquanto a poesia expõe tudo a nu?O romance tira-nos a culpa, a poesia culpa-nos de tudo..Além de escritor, é também artista plástico, apresentador de televisão, cantor. Como estão essas facetas? Está tudo muito mal, tudo o que não seja escrito está tudo péssimo [risos]. Ficou tudo um pouco para trás.Mas a pergunta, na verdade, era a seguinte: imagina-se a ter outra profissão, que não fosse ligada às artes? Afinal tirou o curso de Direito…Eu adoro lidar com as pessoas em situações simples, comuns. Eu seria um excelente funcionário de uma coisa qualquer, a atender o público. Estaria muito bem num restaurante, num café, estaria muito bem numa loja. Mas tinha que ser uma coisa com movimento. Por exemplo, quando estou com amigos que têm lojas ou negócios, ou até em feiras punk em que vendem artesanatos, eu sou ótimo para feirar e para receber a clientela e explicar a mais-valia de comprar um vestido novo, ou um chapéu, ou uma T-shirt, ou um anel, ou um disco, ou um livro usado. Adoro esse contacto com as pessoas e conhecer furtivamente, nem que seja por cinco minutos, alguém que procure uma coisa qualquer, ou que só queira ser feliz durante um instantezinho a passear na rua. Achei que me ia responder professor ou algo assim…Também seria professor, mas os professores ficam muito trancados, trancafiados. Eu gosto de relações de um instante só. Em que nem preciso saber o nome.Para o Valter, quase tudo mudou quando venceu o prémio Saramago e no momento em que conheceu o escritor que lhe dá nome. Agora o Valter é um dos autores que assina a carta aberta para manter Saramago como leitura obrigatória nos currículos escolares. Como se explica este “medo” em relação ao único Nobel da Literatura português?Os livros continuam a parecer perigosos e a ser perigosos. É curioso que tudo se diz e se faz na internet, nas imagens, nos vídeos, no som. Qualquer coisa que se diga ou que se faça ou que se publique num livro parece mil vezes mais grave, mais sério, mais ameaçador. É um documento e depois tombam-se nas bibliotecas os livros. Por isso a pessoa fica com a sensação de que a eternidade saberá que ela é uma cretina. O livro tem esse poder. Eu acho que estamos num tempo de um certo fanatismo, em que as posições que se assumem são extremadas porque são propensas ao fanatismo. E os fanáticos não conseguem frequentar nuances, não conseguem relativizar as coisas e vivem de dogmas. Os fanáticos são família dos religiosos, dos extremos. E por isso não conseguem conceber determinadas diferenças de posição. Por exemplo, Saramago era assumidamente comunista e eu não sou, jamais fui e sinto que jamais poderia ser. Mas eu reconheço ao Saramago uma boa fé na sua ideologia. E por isso não me assustam as pessoas de boa fé, assustam-me as pessoas de má fé. Porque as pessoas de boa fé permitem o diálogo. E o Saramago é dialogante, a obra dele está aí para ser o seu lado do diálogo, da conversa. Então ele não tem de meter medo a ninguém. Eventualmente só mete medo a quem tem acesso à informação mas não tem conhecimento.A Feira do Livro de Lisboa está a terminar e têm-se visto multidões em vários dias. Dizer que os portugueses não leem é redutor e injusto?Há muita gente que não, mas eu acho que se lê. E curiosamente há muita gente nova a ler. Muitos jovens a ler. Muitas das vezes a polémica instala-se porque as pessoas não estão a ler aquilo que nós, ou que alguém, acharia que deviam ler. Mas isso é uma falácia porque todos os leitores, todas as pessoas, são feitas de épocas, tempos, estágios, estádios. E por isso tudo é caminho para outra coisa. E depois outras leituras estarão à espreita. Eu acho que o importante é desmistificar o livro, conquistar a presença do livro, fazer com que o livro seja presente. Não vamos ter leitores se as pessoas não tiverem livros em casa. É impossível que um miúdo ou uma miúda se interesse por ler um livro se não se deparar com o livro. E acho até que as tecnologias, há este fascínio, do qual eu também faço parte, porque eu também acordo e às vezes estou aflito para fazer xixi. Mas antes de fazer xixi, passo meia hora a ver vídeos e não sei porque é que aquilo me acontece. Porque é que eu não vou fazer xixi primeiro e depois posso passar meia hora a ver vídeos sem estar aflito? Por isso, eu faço parte disto. Não estou fora. Não sou de Marte, nem sou esquisito. Posso ser esquisito em muitas coisas, mas nisso sou normalíssimo. O que eu acho que acontece é que já é detetável algum enjoo, alguma necessidade que temos de sair disso. E existe a perceção paulatina, a perceção passo a passo, a perceção de que o universo digital não nos acrescenta verdadeiramente. É uma coisa cosmética, é uma coisa superficial que de repente vai passando, a gente vai esquecer. Aliás, é uma indústria do esquecimento e não sedimenta nada, não documenta, como é a questão que dizíamos do livro. E se não sedimenta fisicamente na nossa casa, se não sedimenta imaterialmente na nossa memória, ela só serve para nos roubar o tempo. É uma espécie de túnel de tempo em que entramos com 18 anos e subitamente estamos com 54. E pensamos, “Que raio me aconteceu? Que raio me aconteceu? Estava eu sentado a conversar com os meus amigos e de repente deixei de os ver e só me lembro de gatinhos e cãezinhos.” E por isso, alguma coisa nos está a enganar. Tenho muito essa sensação, mesmo que não seja consciente. Eu acho que alguma coisa sinistra acontece quando as pessoas ficam com o telefone na mão muito tempo.Para terminar, dizia há pouco que este O século dos imbecis é o início de uma nova série, Primeiro o Valter publicou poesia - e já li em várias entrevistas que não gosta particularmente de voltar a esses poemas. Depois houve a fase em que abdicou das maiúsculas, etc. Este novo romance é o início de uma nova fase literária do Valter Hugo Mãe, que começa com esta nova série a que chama Crimes e Vindouros?Esta é uma nova fase em que eu quero refletir sobre com que males nos fazemos e em que medida isso pode influir na destruição de um certo futuro ou da humanidade do futuro. Se pudermos, inclusive, entender que no futuro vai haver humanidade. É um pouco aquilo que viemos dizendo de trás. De facto estamos a trabalhar num perigo. Estamos a existir num perigo que pode destituir a humanidade de si mesma. Das suas mais elementares valências. E eu quero falar nisso nos próximos livros. Se eu os conseguir escrever, se sobreviver. O próximo já está a andar?Pelo menos o próximo já está a andar, sim. Eu quero falar sobre esse tema. Quero falar sobre os crimes de hoje e em que medida é que eles serão herança das pessoas no futuro..Valter Hugo Mãe: "A verdade é muito digna. Mas eu trocaria a verdade por um verso"