'Propeller One-Way Night Coach': memórias de infância.
'Propeller One-Way Night Coach': memórias de infância.

Um cineasta chamado John Travolta

Para realizar o seu primeiro filme, 'Propeller One-Way Night Coach', John Travolta escolheu adaptar um livro infantil que ele próprio escreveu em 1997.
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Já lá vão mais de trinta anos: em 1994, quando Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, arrebatou a Palma de Ouro de Cannes, John Travolta foi um dos símbolos mais fortes desse filme que seduziu o júri (presidido por Clint Eastwood). Agora, com 72 anos completados em fevereiro, voltou à Côte d’Azur para estrear o seu primeiro filme como realizador e também, pormenor nada secundário, para receber uma Palma de Ouro honorária — Peter Jackson, já agraciado na sessão de abertura, e Barbra Streisand, são os outros homenageados desta edição de 2026.

Para colocar no genérico o seu nome associado à expressão “a film by”, Travolta escolheu adaptar um livro infantil que escreveu em 1997. O título, Propeller One-Way Night Coach, refere-se a um avião com motores a hélice que vai servir de baptismo de voo do pequeno Jeff (Clark Shotwell). Dito de outro modo: estamos no começo da década de 1960 e Jeff prepara-se para, com a mãe (Kelly Eviston-Quinnett), fazer uma viagem a Hollywood, sendo ela uma típica personagem da classe média que se imagina como uma estrela de cinema, além do mais usando um vestido idêntico ao de Elizabeth Taylor no filme Hotel Internacional (1963)... São, por certo, memórias marcadas pela experiência do próprio Travolta que, aliás, assegura a voz off da narrativa.

Empreendimento com uma forte dimensão familiar (no genérico, multiplicam-se os nomes de apelido “Travolta”), o filme ilustra de forma singela e contagiante a paixão do seu criador por um cinema de vistosos artifícios e verdadeiras celebridades que o tempo foi decompondo. Nos seus breves 61 minutos, há nele qualquer coisa de experiência de animação, já que os intérpretes humanos evoluem em cenários estilizados, de cores intensas, gerados através de recursos digitais.

Propeller One-Way Night Coach acaba por ser, assim, mais um exemplo paradoxal de um trabalho carregado de memórias cinéfilas, embora tendo como chancela de produção uma plataforma de streaming, a Apple TV — segundo as informações divulgadas em Cannes, aí terá a sua difusão global a partir do dia 29 de maio.

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