Da esquerda: Ricardo Duarte, André Soares, Isa Peixinho, Jorge Anacleto e Pipo Daniel, os Chuchuzinhos.
Da esquerda: Ricardo Duarte, André Soares, Isa Peixinho, Jorge Anacleto e Pipo Daniel, os Chuchuzinhos.Reinaldo Rodrigues

Três décadas depois, estes Chuchuzinhos continuam a dar vida às Mamonas Assassinas

São amigos, músicos profissionais e fãs da banda brasileira que marcou uma geração e morreu num trágico acidente em março de 1996. Carregam a energia irreverente dos Mamonas para abraçar os corações dos saudosos e dão a conhecer aos mais novos este grupo singular.
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Pode parecer fácil imitar as características mais marcantes dos Mamonas Assassinas. Desde os acessórios, exagerados no tamanho e muito coloridos, como os óculos de plástico e chapéus, até aos disfarces, sendo o mais emblemático deles o do personagem mexicano Chapolin Colorado, o protagonista de uma série de comédia televisiva muito popular no Brasil. Mas é nos pormenores que a energia do inesquecível grupo brasileiro surge nesta garagem na Aldeia de Paio Pires, no município do Seixal, onde entramos no estúdio de ensaio de cinco músicos portugueses que, mesmo nunca tendo ficado Pelados em Santos, resolveram ser os Chuchuzinhos.

“Querem que a gente vista o fato?”, pergunta Isa Peixinho, a teclista, enquanto um irreverante André, o vocalista, responde ao perguntarmos o seu apelido, “sou o desempregado” - sendo também Soares. Na guitarra, Jorge Anacleto, idealizador deste projeto, dedilha um solo da canção Débil Metal e confessa que foi por ele que se tornou fã dos Mamonas Assassinas. “Como é um solo com técnicas mistas torna-se particularmente difícil de conseguir fazer bem, este foi o desafio para mim”, revela.

Por outro lado, o tímido Pipo Daniel recorda a sua infância. “Eu brincava no chão do quarto com Legos a ouvir Mamonas Assassinas. Acabava o lado A, eu punha o lado B, sucessivamente”. “O Pipo é o nosso caçula”, diz a Isa, enquanto o baixista - e avô - Ricardo Duarte fala sobre a neta de seis anos, que já canta junto com ele algumas das músicas. “Ela acha piada ao Sabão Crá-Crá”.

Os Chuchuzinhos fazem tributo aos Mamonas Assassinas há dois anos.
Os Chuchuzinhos fazem tributo aos Mamonas Assassinas há dois anos.Reinaldo Rodrigues

Toda a conversa é permeada por muitos risos e sintonia entre os amigos, que estão juntos nesta formação há dois anos. “Eu fiz parte de um projeto de tributo aos Mamonas Assassinas há muitos anos e, decidindo fazer um projeto novo, chamamos esta gente que aqui está”, explica o Jorge.

Todos já se conheciam, ou alguém conhecia alguém que acabou por indicar, sendo todos músicos profissionais, com seus trabalhos oficiais que variam desde aulas de flauta no ensino básico, caso da Isa, grupo de música tradicional europeia para o Jorge, projeto que transforma canções de todos os géneros em estilo mexicano no caso do Pipo e tributo à música cabo-verdiana no caso do Ricardo. E o André? “Eu de música não percebo nada”. “Foi esta personagem que nos fez trazê-lo”, diz o Pipo, a morrer a rir. “Era a peça que faltava aqui”, completa a Isa. De facto, o André é gestor de sinistros numa seguradora e foi a cantar num karaoke em Algés que o seu talento para a performance das canções dos Mamonas foi descoberto.

Da esquerda: Ricardo Duarte, André Soares, Isa Peixinho, Jorge Anacleto e Pipo Daniel, os Chuchuzinhos.
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André Soares é o único do grupo que não é músico de profissão. Cantava Mamonas num karaoke e foi assim que entrou nos Chuchuzinhos.
André Soares é o único do grupo que não é músico de profissão. Cantava Mamonas num karaoke e foi assim que entrou nos Chuchuzinhos.Reinaldo Rodrigues

E entre muita descontração e boa disposição vemos um propósito maior, digamos até mais sério, por trás da união dos Chuchuzinhos. “O que acho mais interessante é que, passados trinta anos - não havia redes sociais - estamos todos aqui a falar deles”, reflete o André. “Para quem ouve falar e não sabe a história, fica com uma imagem daquilo que nós vivemos, portanto acho que é muito importante, eu vejo esse legado”, completa o vocalista.

“Acabamos por encarar este projeto como uma homenagem possível, que fazemos dentro daquilo que está ao nosso alcance. E vamos sempre para palco com esse sentido de responsabilidade. Apesar de ser este rock muito gozão, muito brincalhão, também percebemos que há uma mensagem, por vezes um bocadinho mais séria, de uma tentativa de despertar consciências, não é? Num Brasil dos anos 90”, diz a Isa.

Os Mamonas Assassinas morreram no auge da carreira, num trágico acidente aéreo a 2 de março de 1996. Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio deveriam ter embarcado para a primeira viagem a Portugal no dia seguinte. Não se tendo concretizado esta passagem por cá, os Chuchuzinhos mantêm acesa a proximidade dos fãs portugueses com um dos grupos mais irreverentes de sempre, “além de músicos virtuosos”, diz a Isa, num trabalho que só tem planos de crescer e continuar.

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