As atribulações da distribuição/exibição de alguns recentes títulos americanos são sintomas esclarecedores da conjuntura paradoxal em que passou a existir a produção dos EUA (sobretudo depois da avalanche de aventuras de super-heróis ter pervertido os valores tradicionais dessa mesma produção). Observe-se o caso de The Alto Knights, uma memória da sangrenta rivalidade de dois chefes mafiosos — Frank Costello e Vito Genovese — ao longo da década de 1950.Mesmo tendo em conta que se trata de um filme protagonizado por Robert De Niro — para mais num duplo papel, interpretando Costello e Genovese —, mesmo considerando que a sua realização tem assinatura de Barry Levinson, “oscarizado” em 1989 por The Rain Man, The Alto Knights não passou pelas salas portuguesas e surgiu, timidamente, sem promoção especial, nos canais TVCine. Isto sem esquecer que na sua base está um argumento do brilhante Nicholas Pileggi, colaborador de vários títulos de Martin Scorsese, incluindo o clássico GoodFellas/Tudo Bons Rapazes (1990).Não simplifiquemos: a dificuldade comercial de lidar com um produto enraizado em modos de narrativa e espetáculo que remetem para a tradição de Hollywood não é um exclusivo do desordenado mercado português, uma vez que começa na origem. Na verdade, a rodagem de The Alto Knights aconteceu há mais de três anos, em finais de 2022; a sua estreia americana esteve prevista para 2024 (primeiro em fevereiro, depois em novembro), mas apenas se consumou em março de 2025 — mais de um ano depois, aí está, como um “não-acontecimento” (que, convenhamos, não pode ser atribuído à crítica de cinema).É pena, quanto mais não seja porque Pileggi e Levinson terão pensado na possibilidade de recuperar o clássico “filme-da-máfia", introduzindo algumas curiosas derivações. A começar pelo facto de The Alto Knights (nome de um clube de Little Italy dirigido por mafiosos) se apresentar contaminado pela lógica de um documentário, a partir de um depoimento de Costello — a sua voz off, na primeira pessoa, é mesmo um emblemático elemento narrativo, acabando por pontuar todo o filme. Os elementos figurativos da época são tratados com especial detalhe, a ponto de se poder dizer que os espaços da ação, tanto as ruas como os interiores, possuem uma especial energia dramática. Aliás, convém não esquecer que a magnífica direção fotográfica é da responsabilidade de um mestre, o italiano Dante Spinotti..'Pelo Adam". Como filmar uma criança?.'Megadoc'. O caos segundo Francis Ford Coppola