O Século de Gehry, assim se intitula a exposição dedicada a Frank Gehry, o conhecido arquiteto naturalizado norte-americano falecido em 2025. Na Ala Álvaro Siza do Museu de Arte Contemporânea de Serralves traça-se o percurso do arquiteto conhecido pelas formas escultóricas dos seus projetos, como é visível, por exemplo, em edifícios icónicos como o Museu Guggenheim de Bilbau, a Fundação Louis Vuitton, em Paris, e a Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles.Com curadoria de António Choupina e Gehry Partners (e com colaboração do Getty Research Institute, responsável pela preservação de uma parte do arquivo do arquiteto), esta retrospetiva mostra 19 edifícios e projetos, considerados pelos curadores como os "mais marcantes e inovadores do arquiteto nascido no Canadá, explorando a sua abordagem radical à forma, aos materiais e à estrutura", lê-se no comunicado do Museu de Arte Contemporânea de Serralves. .A mostra reúne modelos de grandes escala, esculturas, desenhos, esboços, maquetas, fotografias, mobiliário e documentos relativos aos projetos de Frank Gehry e está organizada em oito capítulos temáticos. No capítulo cinco, "Cruzar Linhas: de Los Angeles a Portugal", é possível ver projetos relacionados com Portugal, nomeadamente aquele que a Câmara Municipal de Lisboa lhe encomendou em 2003 para o Parque Mayer, na capital - e que não viria a ser construído com a desistência da autarquia em 2006 - e as tapeçarias que desenhou para a empresa portuguesa Ferreira de Sá, de Espinho, em 2012. Também se mostra o diálogo que Gehry estabeleceu com Álvaro Siza, "um irmão poético", considera o curador António Choupina, com quem Siza colaborou no plano diretor da ArtCenter College of Design, em Pasadena, nos Estados Unidos. .Além dos três projetos ligados a Portugal, são apresentados na exposição mais 16: a Residência Gehry, em Santa Mónica, EUA (1977-1978); as séries de mobiliário de cartão Easy Edges (1969–1973) e Experimental Edges (1979–1982); a Loyola Law School, em Los Angeles, EUA (1978-2003); os escritórios Chiat/Day Building, em Venice, EUA (1985–1991); o Vitra Design Museum, em Weil am Rhein, na Alemanha (1987–1989); a Residência Lewis, em Lyndhurst, no Ohio, EUA (1989–1995); o Museu Guggenheim de Bilbau, em Espanha (1991–1997); o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles (1987–2003); o complexo de escritórios Neuer Zollhof, em Düsseldorf, na Alemanha (1994–1999); o DZ Bank, em Berlim (1995-2001); o hotel Marqués de Riscal, em Elciego, Espanha (1999–2006 ); o edifício Chau Chak da escola de Gestão da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália (2009-2014); a Fundação Louis Vuitton, em Paris, França (2004-2014); a Fundação LUMA, em Arles, França (2007-2021); o arranha-céus residencial 8 Spruce, em Nova Iorque (2003–2011); e o complexo residencial Forma, em King Street, Toronto, Canadá, com conclusão prevista para 2014. Para António Choupina, "há um antes e um depois de Frank Gehry na arquitetura contemporânea. A sua obra representou uma mudança tectónica na forma como a profissão de arquiteto é e continuará a ser entendida e praticada, projetando-a simultaneamente para o futuro e reconectando-a com o passado, anterior ao seu nascimento, em 1929, quando arte e arquitetura eram uma só". .Citado no mesmo comunicado, Álvaro Siza sublinha que "Frank Gehry começou a construir algo novo, algo que caminha lado a lado com o antigo, em constante evolução, combinando características do que é único, natural e necessário. Essa alegria transformou lentamente a história da arquitetura. Esperava voltar a vê-lo em Serralves, mas, apesar da sua ausência, sei que todas as salas do museu e todas as ruas da cidade estarão cheias por causa dele."O Século de Gehry abriu as portas ao público no passado sábado, dia 13 de junho, e ficará patente até 30 de dezembro de 2026..Retrospetivas de Gehry e cineasta Miguel Gomes e outros destaques da programação de Serralves para 2026.Morreu arquiteto Frank Gehry, autor do Museu Guggenheim Bilbau