António de Oliveira Salazar posa para Francisco Franco, que está a finalizar um busto do chefe do governo. A fotografia do arquivo do Diário de Notícias data de 1936. António Ferro, que observa o trabalho do escultor, desde 1933 chefia o Secretariado de Propaganda Nacional. Antes, tinha sido repórter do DN, e autor de uma extensa entrevista a Salazar, publicada em finais de 1932.
António de Oliveira Salazar posa para Francisco Franco, que está a finalizar um busto do chefe do governo. A fotografia do arquivo do Diário de Notícias data de 1936. António Ferro, que observa o trabalho do escultor, desde 1933 chefia o Secretariado de Propaganda Nacional. Antes, tinha sido repórter do DN, e autor de uma extensa entrevista a Salazar, publicada em finais de 1932. ARQUIVO DN

À redescoberta de António Ferro: génio ou propagandista? é o ‘podcast’ narrativo do DN

Foi ensaísta e romancista. Como jornalista, entrevistou Hitler e Mussolini. E fez reportagem em Hollywood, a comprovar a veia cinéfila. Salazar entregou-lhe em 1933 a promoção da imagem do Estado. Chegou a ser figura maldita, hoje é tema de teses de mestrado e doutoramento. O primeiro de seis episódios já está disponível.
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"O Ferro, apesar de modernista, pega no movimento cultural neo-garretista e inventa esse salazarismo agropastoril, esse salazarismo do português suave”, afirma Adelino Maltês. “O Ferro criou, à volta do Salazar, todo um campo de atividades que compunham o regime. Ele criou as marchas populares, o galo de Barcelos, o cinema português. Toda a história do ‘Ó Evaristo, tens cá disto!”, explica Orlando Raimundo. “Era um maravilhoso prosador que consegue que todas as mães portuguesas e Portugal inteiro se apaixonassem por aquela figura bisonha que era o Salazar “, conta Rita Ferro. “O António Ferro, até pelo seu modernismo, está muito mais fascinado pelo fascismo pelo lado cultural, futurista, revolucionário”, analisa Jaime Nogueira Pinto. “Salazar era um pragmático e percebeu cedo que o António Ferro era uma pessoa importante e nos meios intelectuais tinha uma aura extraordinária”, sublinha Guilherme d’Oliveira Martins.

Cinco visões de António Ferro, nome que quase automaticamente se associa a Salazar, afinal foi durante quase duas décadas o grande propagandista do Estado Novo. Mas sejam os politólogos e historiadores, como Maltez, Nogueira Pinto e Oliveira Martins, o jornalista e biógrafo Orlando Raimundo (recentemente falecido, e ao qual prestamos homenagem pois este podcast deve-lhe muito) ou, de forma muito especial, a neta romancista Rita Ferro, todos reconhecem nele um homem de grande cultura, de uma energia inesgotável, que deixou marca no Portugal do século XX, e continua a fascinar aqueles que vivem no Portugal (e não só) do século XXI.

António Ferro, Génio ou Propagandista? Ou Ambos? É o título de um podcast narrativo do Diário de Notícias, cujo primeiro episódio está já disponível, com locução e sonoplastia de Nuno Braga. Serão seis episódios, um por semana, contando a vida de um homem que nasceu em 1895 e morreu em 1956. Das origens alentejanas e algarvias, filho de um pai dono de uma loja de ferragens em Lisboa e de uma mãe dona de casa, até à morte quando era diplomata, fala-se do editor (à força!) da revista Orpheu, do romancista e cinéfilo, do repórter que entrevistou Mussolini e Hitler, e o próprio Salazar, mas também estrelas de Hollywood, e se distinguiu ao serviço do Estado Novo à frente do Secretariado de Propaganda Nacional, o SNP, depois Secretariado Nacional de Informação, o SNI.

Este ano assinala-se o 70.º aniversário da sua morte, numa época em que representava Portugal em Roma. Teve dois filhos da poeta Fernanda de Castro. A neta Mafalda Ferro dirige a Fundação António Quadros, nome do filho mais velho de Ferro, um filósofo, e este ano já promoveu a publicação de um livro sobre o avô, com o título António Ferro: Espírito em Movimento. E impressiona as inúmeras teses de mestrado e de doutoramento cujo ponto de partida é Ferro ou umas das suas muitas facetas. Não esquecer que foi amigo de Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa, também de Almada Negreiros e Manoel de Oliveira, além de, sublinhe-se, se não foi o criador do Galo de Barcelos, foi certamente quem o reinventou ao ponto de se tornar um símbolo de Portugal.

António de Oliveira Salazar posa para Francisco Franco, que está a finalizar um busto do chefe do governo. A fotografia do arquivo do Diário de Notícias data de 1936. António Ferro, que observa o trabalho do escultor, desde 1933 chefia o Secretariado de Propaganda Nacional. Antes, tinha sido repórter do DN, e autor de uma extensa entrevista a Salazar, publicada em finais de 1932.
O diário que teve Eça como repórter no Suez, Ferro a entrevistar Hitler e Saramago como diretor-adjunto
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