O triunfo da juventude com um par de lides a dois em noite de brilho no Montijo

Praça de toiros do Montijo encheu para as celebrações dos 35 anos de alternativa de Luís Rouxinol, num espetáculo taurino que contou com duas gerações de cavaleiros lado a lado: Rouxinol e rouxinol Jr. e Rui e Duarte Fernandes. José Cáceres faz a crónica da corrida.

Uma excelente moldura humana marcou presença na Praça de Toiros do Montijo, para assistir à corrida que assinalava os 35 anos de alternativa do cavaleiro Luís Rouxinol, a 29 de julho, com um aliciante adicional na escolha de 6 toiros borralhos (jaboneros) de pelagem, da ganadaria Canas Vigouroux.

O primeiro toiro de Rouxinol saiu frio, sem se entregar, e assim se manteve toda a lide, adiantando-se na fase final. Atuação sólida do cavaleiro de Montijo, que teve o mérito de gerir distâncias e terrenos, suplantando potenciais dificuldades. Faltou toiro para a lide ascender a um patamar superior.

O mesmo se passou com Rui Fernandes, embora a sua atuação tenha começado de forma espetacular, com uma sorte gaiola, onde o cavaleiro suportou uma longa acometida após o ferro. Esteve brilhante a aguentar uma recarga, que acabaria por consumir todas as energias do toiro. A lide foi então progressivamente a menos, com destaque para o primeiro curto, embora o cavaleiro tudo tenha feito para suscitar a entrega do toiro.

Andava morna a noite, até que o jovem Luís Rouxinol Jr. rubricou uma atuação vibrante, com ferros emotivos, em terrenos de compromisso, frente a um manso encastado, que pedia as credenciais. Soberba prestação do cavalo Jamaica, estrela-mor da quadra, que transmite uma energia contagiante, pela forma como executa as sortes, em terrenos ajustadíssimos.

A noite confirmou-se ser dos mais jovens, quando o cavaleiro praticante Duarte Fernandes, desde logo se prontificou a uma sorte gaiola. Mas o melhor chegou nos curtos, montando o Artista, desenhou expressivas sortes frontais, com batidas ao piton contrário, todas plenas de harmonia e temple. Atuação convincente, com quatro curtos de excelente nota e sabendo sair no tempo certo.

Restavam as lides a duo, onde a dupla Rouxinol levou vantagem. Frente a um toiro disponível e colaborante, houve um entrosamento perfeito, ligação e o dinamismo que estas lides requerem. Acabaram em plano de apoteose com a praça em pé a aplaudir. Os Fernandes lidaram um toiro mais sóbrio e a atuação não teve igual impacto.

Quanto aos toiros cumpriram na generalidade. Frio e apagado o primeiro, o segundo veio a menos, encastado o terceiro, cumpriu modestamente o último e de boa nota, o quarto e quinto.

Em relação aos forcados, pelos Amadores de Montijo, Ricardo Almeida dobrou com galhardia Élio Lopes, consumou à terceira e contou com uma boa ajuda de Luís Alves. João Paulo Damásio saiu maltratado bem como outros colegas seus, que não conseguiram, nem de caras nem de cernelha, pegar um complicado Canas, que ainda assim não pareceu impegável. Fechou o Cabo José Pedro Suissas, com determinação e vontade, à primeira tentativa.

Os de Cascais não necessitaram de mais que uma tentativa para cada pega. Afonso Tomás da Cruz, fechou-se determinado, frente a um toiro que empurrou sem maldade. Ricardo Silva viu o toiro fugir ao grupo, mas como lhe encheu a cara, este acobardou-se sem molestar em demasia. Carlos Dias, encerrou com maturidade e classe a sólida prestação dos Amadores de Cascais.

Síntese da Corrida

Praça de Toiros Amadeu dos Santos (Montijo)
Corrida 35 anos Alternativa Luís Rouxinol
Empresa Tertúlia Óbvia
Lotação - cerca 3/4
Toiros: Canas Vigouroux, todos borralhos (jaboneros), bem apresentados, cumpriram na generalidade. Destaque para o 4º e 5º.
Cavaleiros: Luís Rouxinol Jr e Duarte Fernandes destacaram-se a solo e a dupla Rouxinol a duo.
Forcados: Amadores de Montijo: Ricardo Almeida (3ª tentativa), não concretizada, José Pedro Suissas (1ª tentativa). Amadores de Cascais: Afonso Tomás da Cruz, Ricardo Silva e Carlos Dias, todos à 1.ª tentativa.

Comemorações dos 35 anos de Alternativa de Luís Rouxinol

Luís Rouxinol é um dos cavaleiros tauromáquicos mais conhecidos e admirados pelos portugueses. Este ano passam 35 anos desde que tomou a alternativa em Santarém, na Monumental Celestino Graça, a 10 de junho de 1987, frente a toiros de João Moura, na corrida do programa Despertar, da Rádio Renascença. Teve como padrinho João Moura e como testemunhas Joaquim Bastinhas e Rui Salvador, atuando nas pegas os forcados de Montemor e Vila Franca.

As comemorações que assinalam esta efeméride englobam um conjunto de iniciativas em várias localidades e decorrem ao longo desta temporada.

Da comissão de honra fazem parte 35 figuras públicas, como Elísio Summavielle, presidente do Centro Cultural de Belém, o cantor Toy, o treinador José Peseiro, entre outras personalidades.

No Montijo, terra de onde é natural, teve lugar a apresentação de um documentário sobre a carreira do cavaleiro, no Cineteatro Joaquim D"Almeida, perante uma plateia de cerca de 200 convidados, e uma exposição, que está patente na Frente Ribeirinha de Montijo. Ambas iniciativas da autoria de José Cáceres e com o apoio da autarquia local e da empresa Tertúlia Óbvia.

A corrida foi outro marco fundamental e nela foi lançada uma brochura, que regista os factos mais importantes da carreira de Luís Rouxinol.

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