O homem mais alto do mundo está de volta a Portugal

The Tallest Man on Earth atua sexta-feira na Aula Magna e depois em Aveiro e Guimarães

Kristian Matsson gostava de saber voar. Sonha com isso desde miúdo. Mas como tem medo de se estatelar no chão, em vez de saltar pela janela e descobrir que não sabe voar, faz aquilo que sabe: canções em que fala dos passarinhos que vê todas as manhãs da sua janela. E esta é também uma forma de voar. Esta semana, o músico sueco, que é conhecido pelo nome artístico The Tallest Man On Earth (o homem mais alto do mundo), voa até Portugal: atua esta sexta-feira na Aula Magna, em Lisboa, no sábado estará no Teatro Aveirense, em Aveiro e no domingo no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães.

The Tallest Man on Earth começou a sua carreira a solo em 2006, depois de ter sido vocalista no grupo Montezumas, transformando-se rapidamente num dos nomes incontornáveis do indie folk. Desde então já lançou quatro discos. Shallow Grave (2008) tornou-o conhecido e deu-lhe oportunidade de andar em digressão com Bon Iver. Com Dark Bird is Home (2015), que foi bastante influenciado pelo divórcio da também música Amanda Bergman, mostrou o seu lado mais melancólico.

Dividido entre a vida na cidade em Brooklyn (Nova Iorque, Estados Unidos) e no campo em Dalarna (a várias horas de viagem de Estocolmo, Suécia), The Tallest Man esteve em Paredes de Coura, em 2010 e em 2016, ano em que atuou também na Aula Magna, em Lisboa.

Nessa altura, dizia ao DN que a alegria que sente em cima do palco, durante os concertos, "é um mistério": "Se acontece um sentimento de emprego normal numa vida que nos leva constantemente para fora de casa, é porque algo não está bem. Por vezes, por exemplo, tenho de deixar algumas canções descansar porque deixam de ter lugar no alinhamento. Mas é o estar em frente a pessoas que não conhecemos. Não é só tocar o instrumento e cantar as letras. Perco-me na paixão do que está a acontecer e é isso. Posso não ser bom em muitas outras coisas na minha vida mas com a música bate tudo certo e isso resolve qualquer problema."

Matsson não sabe muito bem de onde vem aquela energia que o faz libertar-se em palco, enquanto toca guitarra, de uma forma que não consegue fazer em mais lado nenhum. Nos concertos, quer apenas criar um sentimento de "intimidade e humanidade", explicou noutra ocasião. "No fundo, somos todos pessoas emocionais, e sinto que no palco tenho o poder de orientar essas emoções. É compensador ver as pessoas a sorrir e a sentirem-se bem, faz-se sentir bem também."

O seu último EP, When the Birds Sees the Solid Ground, foi lançado ao longo do ano passado. Cada uma das cinco músicas foi divulgada individualmente com um vídeo com uma interpretação acústica e um comentário do músico, tudo acompanhado com belas imagens da sua casa e da natureza que o rodeia. Matsson fez tudo praticamente sozinho: escreveu as canções, tocou-as, gravou-as, fez os vídeos. O seu objetivo era diminuir o tempo que separa o momento em que cria uma canção daquele em que ela geralmente é ouvida pelos fãs.

Tudo aconteceu um pouco por acaso, explicou numa entrevista ao The Independent: "Aconteceram várias coisas na minha vida. Houve uma separação. Tinha que ir muitas vezes à Suécia para ajudar a minha família. Foi muito stressante. Comecei a fazer algum vídeo para o EP e vi que a minha imagem era muito vulnerável, eu estava um caos. Olhei para aquilo e percebi que era exatamente aquilo que eu precisava de fazer. Temos de começar pelo princípio, por aquilo que está mesmo dentro de nós. E, depois, o mundo também está um caos. Precisamos de tratar melhor uns dos outros melhor e cuidar mais do planeta. Somos todos bastante vulneráveis neste momento, portanto é um pouco inútil tentar vendermos uma versão falsa de nós mesmo."

Há uma palavra em sueco - "vemod" - que significa "uma espécie de alegria e tristeza ao mesmo tempo": "Não é exatamente agridoce. Por exemplo, quando estou na natureza, às vezes é tudo tão belo mas eu fico triste por pensar que isto vai tudo vai desaparecer um dia. A minha música tem muito desse sentimento."

Entretanto, Kristian Matsson chega a Lisboa com um disco novo no bolso, tal como anunciou no passado dia 4 de fevereiro. Está pronto. Só temos que esperar para ouvi-lo.

Concerto The Tallest Man on Earth
Aula Magna, Lisboa
Sexta-feira, 21.00
Bilhetes: 23,45 euros

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