NAPA no Rock in Rio: "Os números de 'Deslocado' continuam a surpreender-nos diariamente"
Os NAPA atuaram às 18 horas no Palco Super Bock este sábado, 20 de junho, com uma assistência bem composta. "É muito surreal estar aqui", disse Guilherme Gomes, guitarrista e vocalista da banda madeirense que venceu o Festival da Canção em 2025 com Deslocado. A canção tornou-se viral e já começou a abrir portas na Europa e no Brasil. No final do concerto, Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, entregou à banda a dupla platina alcançada em terras brasileiras. O DN falou com Guilherme Gomes e Francisco Sousa no final da atuação.
Sortudo, que cantaram aqui, é o primeiro single do próximo álbum. Tem a ver com aquilo que se tem passado desde Deslocado?
Guilherme Gomes (GG): Sim, vem um bocadinho nessa génese também, porque, lá está, nós agora temos a sorte de poder fazer disto vida, música original que nós compomos, e conseguimos cantar para milhares de pessoas que ouvem a nossa música. É um prazer enorme, uma gratidão muito grande. E é isso, essa sorte, acho que devíamos reconhecê-la e agradecê-la. No fundo, eu acho que esta música vem um bocadinho nessa base.
No palco, o Guilherme disse que Deslocado foi a canção que vos trouxe ao Rock in Rio...
Francisco Sousa (FS): Sim, sim. Acho que é uma música que, de facto, mudou muito a nossa vida, mudou também, entre nós, a forma como trabalhamos e tocamos a música, damos tudo agora, e estamos aí a tocar para o país inteiro e a fazer a nossa música. Há muita gente que, se calhar, não nos conhecia antes e já fazíamos isto há muito tempo. A Deslocado trouxe-nos uma nova audiência que não nos conhecia. Foi um ano, sem dúvida, muito diferente para nós.
Estão completamente dedicados agora à música?
G.G.: Sim, sim. Estamos dedicados à música e a fazer o nosso terceiro álbum para sair ainda este ano. Portanto, estamos focados, dedicados a trabalhar.
O que podem adiantar sobre esse terceiro álbum? Já tem título?
G.G: O título ainda não conseguimos ter já, mas podemos adiantar que foi o nosso álbum mais ambicioso até agora, em que nós pusemos mais trabalho. Também contratámos um produtor do Brasil, que é o Lucas Nunes, que era um produtor de sonho que nós tínhamos e, graças a este ano passado e tudo o que aconteceu, tivemos acesso a esse tipo de coisas e agarrámos a oportunidade quase única de trabalhar com ele. Estamos mesmo muito contentes como ficou, já está quase pronto. E vai trazer um bocadinho a tropicalidade da Madeira, abordar como nós vemos a ilha musicalmente, a música que a ilha nos traz, aquela paz, aquela calma, aquela boémia que eu acho que quem foi lá sabe, e é trazer um bocadinho dessa vibe.
A vossa sonoridade vai manter-se ou é de esperar alguma novidade?
F.S.: Acho que é um bocado um crescimento também. De álbum para álbum há um processo de evolução. Quando começámos a gravar o nosso primeiro álbum, comparado com o que sabemos hoje em dia, acho que não tem nada a ver. Cada álbum traz coisas novas e, como diz a Sortudo, temos a sorte de trabalhar com amigos pelo mundo que também trouxeram um bocadinho de si próprios ao nosso álbum. Lucas Nunes, como o Guilherme já falou, também trabalhámos com o André Santos a produzir o álbum, e eles quase que imprimem um bocadinho da sonoridade deles no nosso álbum.
G.G: Eu acho que a fasquia também está mais elevada e isso obriga-nos de uma forma boa a trabalhar mais e a ser mais perfeccionistas, a ser mais exigentes connosco próprios e, no fundo, não há desculpas para não fazer coisas boas quando temos o tempo e os meios necessários para fazê-lo.
Receberam da Roberta Medina no palco a dupla platina no Brasil, são os artistas portugueses que mais rapidamente o alcançaram. Surpreendeu-vos?
F.S.: Os números de Deslocado continuam a surpreender-nos diariamente e já chegou a um ponto em que é um bocado absurdo.
G.G: É muito inexplicável para nós, se nos dissessem quando nos lançámos que isto ia acontecer, que íamos ser dupla platina no Brasil...
É melhor do que ganhar a Eurovisão?
G.G.: O impacto pós Eurovisão foi mesmo uma coisa que nos surpreendeu bastante, porque muitas vezes há aquela época em que há o Festival da Canção e a Eurovisão e depois normalmente as coisas acalmam um bocadinho. Mas depois disso parece que as coisas continuaram a acelerar e nós tentámos agarrar essa oportunidade.
E vão fazer uma digressão europeia, o sucesso de Deslocado também vos permitiu internacionalizar?
F.S: Claro, veio abrir estas portas lá fora e vamos ter a oportunidade de fazer uma aventura que é também uma loucura, em novembro, vamos andar aí pela Europa toda de carrinha a tocar a nossa música.
Dos concertos que têm marcados, há alguma sala de que gostem particularmente?
G.G: Há muitas salas incríveis. Devemos tocar no Melkweg em Amesterdão. Muitas delas nunca fomos. Devemos tocar no Apollo, em Barcelona, são salas icónicas. O facto de irmos pela Europa fora acho que vai ser uma experiência para nós.
E o Brasil? Também está nos planos?
F.S.: O Brasil está nos planos, ainda não temos data, mas está sem dúvida nos planos.
Ainda para este ano ou no próximo?
F.S.: À partida para o próximo ano.

