Museus de Sintra unem esforços para desconfinar o turismo

Numa Sintra ainda vazia de turistas, o Dia Internacional dos Museus foi marcado pela esperança da retoma próxima. Simbolicamente, o Newsmuseum e o Centro Interpretativo Mitos e Lendas assinalaram a data, reabrindo ao público com novos conteúdos e o estabelecimento de uma parceria.

Imagine que se pode sentar num estúdio de rádio e ler, ao microfone, o comunicado do Movimento das Forças Armadas, tal como Joaquim Furtado o fez na madrugada de 25 de abril de 1974. Ou que é chamado a ler uma notícia, com teleponto à frente, como um pivot televisivo. Estas são algumas das muitas experiências interactivas propostas pelo Newsmuseum de Sintra (Rua Visconde de Monserrate, 26) a quem o visite, no momento feliz em que passa do estado de entreaberto, com visitas virtuais durante o confinamento, à "normalidade" das portas (finalmente) abertas ao público nacional e estrangeiro, de todas as idades. Sem, no entanto, descurar os cuidados necessários em tempo que ainda é de pandemia.

Concebido como uma viagem pela história recente de Portugal e do mundo através da narrativa dos media nas suas várias formas (rádio, televisão e imprensa), o Newsmuseum passou a funcionar, desde esta terça-feira, Dia Internacional dos Museus, em parceria com outro espaço museológico seu vizinho, o Centro Interativo Mitos e Lendas de Sintra. Uma parceria que se traduzirá, desde logo, em bilhetes combinados a preços mais acessíveis (9 euros para adultos, com numerosos descontos para outras faixas etárias e munícipes de Sintra), mas também pela coordenação do trabalho dos respetivos serviços educativos.

Tudo isto foi anunciado num Dia Internacional dos Museus marcado pela esperança no regresso dos turistas a Portugal, e a Sintra em particular, como frisaram em cerimónia pública o presidente desta Câmara Municipal, Basílio Horta, mas também Vítor Costa, presidente do Turismo de Lisboa, e José Luís Arnaut, vice-presidente da Associação de Turismo de Lisboa. "Para trás ficam dias realmente maus, com muitos infetados, muitos mortos e famílias em enormes dificuldades", afirmou Basílio Horta, "mas nesta retoma de atividade continuamos ao lado de todos, em particular dos profissionais de turismo." Para o efeito, anunciou, a Câmara Municipal investiu 100 mil euros na promoção turística de Sintra, em órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros. "Só em Espanha colocámos anúncios em 23 jornais e vários mupis em locais estratégicos de Madrid."

Mais moderado no entusiasmo do que José Luís Arnaut (que falou nos cerca de 2 mil turistas que terão chegado esta segunda-feira à capital), Vítor Costa "não deseja embandeirar em arco porque ainda é muito cedo, mas fala na urgência de apoiar sobretudo o grande número de pequenas e médias empresas que, na região de Lisboa, se dedicam a este setor de atividade. São muitas famílias que, de repente, se viram em grandes dificuldades." Recorde-se que, em 2020, a pandemia provocou uma quebra de 78,1% nas dormidas de não residentes em estabelecimentos de alojamentos turísticos da vila.

Esta parceria entre o Newsmuseum, fundado em 2015 pelo antigo jornalista, mais tarde consultor de Comunicação, Luís Paixão Martins, e o Centro Interpretativo Mitos e Lendas, simbolicamente escolhida para abrir o que se espera ser uma nova fase de turismo desconfinado, aposta também nos novos conteúdos dos dois espaços. O Newsmuseum acolhe agora (para além da coleção permanente) conteúdos dedicados às histórias locais e dá o devido destaque a dois temas da atualidade: a Covid-19 e a emergência climática, sempre do ponto de vista do seu tratamento informativo. Com a preocupação de promover a literacia mediática e promover um melhor conhecimento do público sobre o funcionamento da Informação e Jornalismo, este museu proporciona ao visitante 300 artigos de consulta e16 horas de conteúdos multimédia em 25 módulos temáticos.

Tamanho "banho" de realidade pode ser suavizado uns metros mais adiante com os travesseiros da Periquita, já se sabe. Mas, logo a seguir, está o espaço Mitos e Lendas, que, como o nome sugere, oferece uma viagem multimédia pelo imaginário mítico de Sintra, desde a lenda da triste princesa moura de Seteais à motivação algo pícara do teto da sala das pegas no Palácio da Vila. Pelo meio, há amores desgraçados dignos de Shakespeare, cristãos e mouros à espadeirada, monges eremitas, fadas em lugares ocultos da serra. E, como não podia deixar de ser, os homens e mulheres de Cultura que, certo dia, se tomaram de amores por estas paragens. Do "glorioso Éden" de Lord Byron ao "a ver se não me esqueço das queijadas" de Eça de Queirós.

dnot@dn.pt

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