Exclusivo Mulan, a guerreira que ficou confinada ao Disney+ 

Chega nesta sexta-feira ao serviço de streaming Disney+ o novo remake em imagem real de um dos amados clássicos do estúdio. É provável que Mulan desiluda os mais aficionados do original, mas representa tudo menos uma releitura preguiçosa dessa animação de 1998. O seu sentido de escala pedia o grande ecrã.

São muitas as queixas de que a Disney, com a sua agenda de versões live-action, continua a estragar a infância de quem cresceu com os grandes clássicos da animação. Exageros à parte, se isso pode ser (e é) verdade para alguns casos, mediante o grau de memória afetiva de cada espectador, uma coisa é certa em relação ao novo Mulan: aqui, o ato de "refazer" conseguiu livrar-se do fardo da colagem, contrariar o método da imitação cena a cena, para dar origem a um outro filme, este, a piscar o olho à tradição do wuxia (género importado de Hong Kong que combina fantasia e artes marciais). Ou, pelo menos, tentou-o respeitosamente, dentro do que é o modelo do filme de família segundo os estúdios do Rato Mickey. Nada se perde, tudo se transforma; e ainda assim não se estava à espera do modesto atrevimento.

Assinado pela realizadora Niki Caro, Mulan segue, em termos narrativos, a mesma jornada que conhecemos da animação de 1998. É a história da jovem que se faz passar por homem para se juntar ao exército chinês no lugar do pai, um guerreiro honrado que estava pronto a servir o imperador, apesar da idade e das marcas físicas da guerra. Mas se nesse primeiro filme a sua atitude se justificava somente por um impulso de coragem, há na nova Mulan (Yifei Liu) uma inclinação natural para a decisão de fugir a cavalo a meio da noite com a armadura e a espada do pai. A saber, ela tem um talento superior nas artes marciais e, claro, não encaixa de todo nas expectativas que a China Imperial reserva às mulheres, entre o casamento e rituais de chá.

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