Morrer às mãos dos Tudor: a história de seis execuções
São seis episódios que começam sempre da mesma maneira: com a cabeça no cepo. Dinastia Tudor: De Perder a Cabeça (How the Tudors Lost Their Heads, o título em inglês) pega em seis figuras históricas da era Tudor que acabaram decapitadas, contando como chegaram àquele fim trágico. Maria Stuart, Perkin Warbeck, Ana Bolena, Robert Devereux, conde de Essex, John Dudley, duque de Northumberland, e Margaret Pole são as personalidades em foco nesta série criada e apresentada pelos historiadores e divulgadores Dan Snow e Suzannah Lipscomb. Estreia no canal National Geographic na próxima segunda-feira, 7 de setembro.
O primeiro episódio é sobre Maria Stuart, rainha da Escócia, executada em fevereiro de 1587, após 19 anos presa por ordem da prima Isabel I, rainha de Inglaterra. Nova evidência histórica vem mudar a forma como ela é vista.
Dan Snow e Suzannah Lipscomb viajam por Inglaterra, França e Bélgica, mostrando sítios e objetos históricos em busca da evidência mais recente sobre as figuras que investigam. “Foi incrível visitar alguns destes lugares, como Amboise [França]. Uma das coisas fundamentais que esta série revelou é que os Tudor estão profundamente ligados a toda a Europa continental, e pensar neles apenas como estando em Inglaterra é completamente errado e muito redutor”, diz ao DN Suzannah Lipscomb.
Professora Emérita da Universidade de Roehampton, em Londres, Lipscomb chega a emocionar-se na série perante alguns artefatos, como, por exemplo, a última carta escrita pela antiga Rainha da Escócia. “Foi muito comovente, porque ela escreveu aquilo nas seis horas que antecederam a sua morte. E era muito raro ter acesso ao documento. Não tinha sido exibido nos dez anos anteriores à minha visita. Por isso, foi um privilégio extraordinário poder estar tão perto de algo que ela própria tinha escrito, sabendo que morreria poucas horas depois”.
Descobertas muito recentes
A série vai à procura de dados novos que lançam luz sobre os Tudor . “Há muitas descobertas, muito recentes. Por exemplo, o estudo das cartas cifradas de Mary Queen of Scots, ou de um poema escrito pouco depois da morte de Ana Bolena, que é um testemunho muito importante da sua inocência. Por isso, sempre que possível, recorremos a materiais pouco conhecidos, muitos deles praticamente desconhecidos fora do meio académico, e alguns são descobertas muito, muito recentes”, diz Suzannah Lipscomb. Ana Bolena, a segunda mulher de Henrique VIII, foi decapitada com espada a 19 de maio de 1536, acusada de adultério, incesto e traição.
A série debruça-se sobre três homens e três mulheres executados entre 1490 e 1601, mas esta paridade não foi intencional. “É verdade, há um equilíbrio de género, mas o critério era que tinham de ser executados. Tinham de ter um fim sangrento. Não são as pessoas mais famosas que foram executadas neste período. Há outras figuras muito mais famosas, sobretudo para o público britânico, que foram executadas, mas escolhemos uma mistura entre alguém realmente famoso, como Ana Bolena, e algumas figuras menos conhecidas, para mostrar como era a vida na corte. Há pessoas, como Margaret Pole e o duque de Northumberland que são provavelmente menos conhecidas. Mas são extremamente importantes e fascinantes e ajudam também a lançar luz sobre este período absolutamente louco”.
Consegue-se falar sobre História de forma apelativa sem perder o rigor? “Não só é possível conciliar estas coisas, como é necessário para nós, enquanto profissionais de televisão que fazem programas sobre História. O nosso trabalho é trazer ao público o que há de mais recente na investigação académica e torná-lo completamente apelativo para o público, porque queremos que as pessoas gostem de História”, diz Suzannah Lipscomb.
“Estamos a competir com tantas outras coisas que queremos tornar isto entusiasmante. Claro que sim, queremos recorrer a técnicas narrativas contemporâneas. As pessoas adoram histórias de crimes reais, gostam de conteúdos com uma cronologia bem definida e tudo bem. Vamos utilizar essas técnicas, vamos manter as pessoas interessadas e fazê-las continuar a ver”, defende Dan Snow.
A série foi gravada ao longo de seis meses no inverno e para a professora universitária o maior desafio desta produção foi mesmo o frio que teve de suportar. Já para Dan Snow, “foi estar a trabalhar com a maior especialista mundial nos Tudor e, por isso, tinha de dar a impressão de que sabia do que estava a falar e não me deixar ofuscar pela Susanna Lipscomb. Foi muito difícil para mim e não consegui estar à altura desse desafio, mas foi certamente muito divertido aceitá-lo ”, remata Dan Snow com humor.

