A voz da Maria João, o piano e a eletrónica de André Mehmari e o contrabaixo de Carlos Bica. Os três artistas apresentam seis espetáculos em Portugal entre 1 e 6 de julho, com temas inéditos, standards, “e coisas mais jazzy que não faço há muito anos”, diz Maria João ao DN. Esta mini digressão nacional surgiu de um convite que lhe foi feito pelo Theatro Circo de Braga para criar um projeto de jazz, explica a artista, que se lembrou de juntar o pianista brasileiro e o contrabaixista, com quem já colaborou noutros projetos. Com Carlos Bica fez mais recentemente o álbum Close to You (2023) e com André Mehmari o disco Algodão (em 2024). O pianista também participara, em 2017, no disco a A Poesia de Aldir Blanc .“Resolvi juntar estes dois músicos, que são muito diferentes, e que pode dar uma confusão incrível. Pode dar uma confusão musical bestial, porque cada um traz a sua arte, a sua aventura”, diz Maria João. “O Bica trouxe as suas composições, o André compôs de propósito para aqui três temas, eu própria trago um original e temas que têm as minhas letras, portanto, nós juntámos a magia de cada um a ver se acontece uma super magia juntos”. .Também haverá muita improvisação, mas Maria João prefere não adiantar muito sobre o espetáculo, porque os três ensaios previstos ainda estavam para acontecer quando ela falou com o DN na semana passada. “Vomitámos todas as ideias, e agora vamos selecionar, vamos escolher, ver o que funciona realmente com o trio, para depois juntarmos e formarmos um repertório bonitinho.”Mais do que isso, Maria João diz que não gosta de explicar tudo sobre os espetáculos, como é a tendência atual. “Hoje em dia tudo é explicado, as pessoas vão para os concertos já a saber o que vão ouvir.”Quanto ao nome da digressão, a cantora revela: “Eu tentei pôr título, mas depois um não concordava, e depois o outro não concordava, eu acho que tenho que ter aqui um veto qualquer! É uma espécie de nosso filho, João Mehmaribica...Não parece o nome de um filho?” (risos). Esta digressão dará origem a um álbum que deverá ser lançado no outono. “Todos os concertos vão ser gravados, e dessas gravações vamos escolher as melhores, as que gostarmos mais, as que resultem melhor, e vão ter uma edição posterior em CD e vinil”, diz a artista. A mini digressão do trio estreia amanhã no Teatro das Figuras, em Faro e no dia 2 de julho estará no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, a 3 de julho apresenta-se no Convento São Francisco, em Coimbra, no dia 4 de julho vai até ao Theatro Circo, em Braga, e a 5 de julho ocupa o Teatro Aveirense, em Aveiro. O espetáculo final será em Lisboa, no dia 6 de julho, no Teatro Tivoli . Depois deste projeto, Maria João vai trabalhar em parceria com João Farinha num novo trabalho. “Um álbum, uma música muito eletrónica e muito apoiada na voz. A voz como centro, eu tenho muita vontade de fazer isso há já algum tempo”. Em fevereiro, a artista deverá partir para uma tournée na Alemanha com este disco.No ano passado Maria João lançou o álbum Abundância, com que assinalou os 40 anos de carreira. A receção, diz, foi “incrível”. “Eu queria muito fazer um disco que fosse comemorativo destes anos todos. E de mim também, por causa desta mistura que eu tenho, a minha mãe é de Moçambique e o meu pai é português. Quando eu era miúda passei mal por causa dessa mistura, e levei anos até orgulhar-me dela. E finalmente orgulho-me muito dessa mistura e queria mesmo mostrá-la. Queria fazer música com os meus amigos de Moçambique.”O álbum mistura jazz, eletrónica e influências africanas, um repertório que, diz, “não tem nada a ver” com aquele que será apresentado nesta digressão com André Mehmari e Carlos Bica. “Sou uma cantora que continua a ser muito bem recebida pelas pessoas. Eu acho que o público me permite tudo, é muito bonzinho comigo.” .Blasted Mechanism no Rock in Rio: "Está tudo pronto para voltarmos a ter outra onda internacional".Samuel Úria resgata canções antigas para um concerto inesperado no Rock in Rio