Desfile Internacional de Macau 2025. O evento, que completou a sua 11.ª edição, reuniu grupos artísticos locais e internacionais, revelando o encanto da integração multicultural de Macau.
Desfile Internacional de Macau 2025. O evento, que completou a sua 11.ª edição, reuniu grupos artísticos locais e internacionais, revelando o encanto da integração multicultural de Macau.D.R. / Macao Daily News

Macau, uma nova plataforma para o diálogo global entre civilizações

Aquando da realização bem-sucedida do 1.º Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional em Macau, propomos uma visão mais ambiciosa para o futuro: Macau não deve limitar-se a ser um “laboratório civilizacional” passivo, mas afirmar-se como um “conversor civilizacional”, com papel ativo na construção desse futuro. É um aprofundamento da perceção da missão civilizacional de Macau e abre novos horizontes para o diálogo global entre civilizações.
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Um “conversor” é, em Engenharia, um dispositivo que altera a forma da energia para que possa ser reconhecida por diferentes sistemas. Aplicado ao domínio civilizacional, isto significa que Macau deve tornar-se um “tradutor de significados”, uma “incubadora de modelos” e um “catalisador de inovação”. A sua missão central é transformar a experiência simbiótica acumulada ao longo de mais de 400 anos em métodos de diálogo e soluções que o mundo possa utilizar como referência, respondendo ativamente aos dilemas globais do diálogo civilizacional.

Atualmente, a Humanidade enfrenta uma série de desafios que transcendem a capacidade de resposta de qualquer civilização de forma isolada: a ética da Inteligência Artificial carece de consenso intercultural, a ação climática é limitada por diferenças de valores civilizacionais, a cooperação global em Saúde Pública é prejudicada por défices de confiança.

A resolução destes problemas passa pela criação de plataformas intermediárias capazes de traduzir a “gramática” das civilizações e facilitar a inteligibilidade. A realização do Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional em Macau é um passo crucial na construção desse tipo de plataforma. O fórum não só proporciona um espaço para a troca de ideias, como também simboliza a consciência de Macau da sua transição de “testemunha histórica” do encontro civilizacional para “arquiteta do futuro”.

A evolução de Macau para um “Conversor Civilizacional” requer a construção sistemática de três pilares funcionais:

O primeiro pilar é a criação da “Macau das Ideias”, dedicada à investigação transcivilizacional. Este pilar deve basear-se nas capacidades académicas locais, unindo think tanks e universidades de todo o mundo a fim de estabelecer uma rede académica internacional focada no estudo da simbiose civilizacional. O foco não deve ser uma mera comparação cultural genérica, mas sim aprofundar questões práticas, como a “governação de zonas de contacto civilizacional” e a “mediação de conflitos interculturais”, refinando a experiência de Macau em quadros teóricos e ferramentas políticas de valor universal.

O segundo pilar é a construção da “Plataforma Macau” como espaço de diálogo civilizacional, integrando e elevando os atuais festivais culturais, exposições de arte e conferências académicas internacionais para a criação de uma plataforma de diálogo permanente com impacto sustentado. Esta plataforma deve procurar ultrapassar o intercâmbio superficial, promovendo a colaboração profunda entre pensadores, praticantes e representantes jovens das diversas civilizações sobre questões globais concretas, explorando soluções que integrem sabedorias plurais.

Palco de Pequim na 17.ª Semana Cultural da China e dos Países  de Língua Portuguesa (2025).
Palco de Pequim na 17.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa (2025).Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau)

O terceiro pilar é o cultivo da “Macau Educacional”, orientada para o futuro. É necessário integrar sistematicamente nos sistemas educativos o ensino da compreensão transcivilizacional, formando uma nova geração de cidadãos globais dotados de “sabedoria simbiótica”. Através do desenvolvimento de programas formativos com identidade própria, da construção de polos de estudo e investigação, e da implementação de programas de intercâmbio juvenil, Macau pode tornar-se um importante centro global para o desenvolvimento de competências interculturais.

Esta transformação significa que Macau passará de “caso de estudo” para um modo ativo de produção, e de “beneficiária da História” para parte ativa na construção do futuro. Naturalmente, este caminho enfrenta numerosos desafios. Como transformar recursos históricos substanciais em desenho institucional inovador? Como manter a neutralidade e credibilidade da plataforma de diálogo no complexo contexto internacional? Como estabelecer sistemas de avaliação para medir a eficácia do diálogo civilizacional? Enfrentar estes desafios é condição essencial para uma implementação efetiva dessa transformação.

Acreditamos que o futuro das civilizações não deve ficar preso na dicotomia entre “homogeneização global” e “tribalização civilizacional”. A missão de Macau como “conversor” é precisamente explorar e alargar o “terceiro caminho” da coexistência civilizacional - um caminho que respeita as diferenças, promove o diálogo e estimula a inovação.

Mesa-redonda subordinada ao tema “O Valor Contemporâneo da Prática de ‘Um País, Dois Sistemas’ e a Aprendizagem Mútua entre Civilizações”, realizada no âmbito do Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional 2025.
Mesa-redonda subordinada ao tema “O Valor Contemporâneo da Prática de ‘Um País, Dois Sistemas’ e a Aprendizagem Mútua entre Civilizações”, realizada no âmbito do Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional 2025. D.R. / Macao Daily News

A realização do Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional em Macau é oportuníssima. É simultaneamente um reconhecimento do papel histórico de Macau e uma expectativa em relação à sua missão futura. Enquanto o mundo procura novos modos de relacionamento numa estrutura multipolar, Macau, esta cidade com mais de 400 anos de história de convivência, procura, com a sua sabedoria e audácia únicas, transitar de um “modelo” de simbiose civilizacional para um “motor” do diálogo entre civilizações.

Este empreendimento requer visão, paciência e a participação conjunta de todos os setores. Não é apenas uma necessidade para o próprio desenvolvimento de Macau, mas também uma contribuição da China para a governação global e uma iniciativa importante na busca de novos paradigmas de convivência civilizacional. Esta cidade, às margens do Mar do Sul da China, está a dar os primeiros passos numa transição de “laboratório” para “conversor” que poderá vir a representar uma contribuição significativa para o futuro da civilização humana.

Uma iniciativa do Macao Daily News.
Uma iniciativa do Macao Daily News.

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