Exclusivo Luís Corte Real: "Portugal tem falta de heróis populares"

Editor há quase duas décadas, Luís Corte Real demorou a publicar um romance para que não faça parte da mediocridade que em muito se edita no nosso país, criando o protagonista Benjamim Tormenta. Um detetive do oculto que percorre os mistérios de Lisboa como tantos o fazem na Londres oitocentista. Mais as novidades literárias de Patrick Modiano e Paulo Moura.

O título é inesperado, O Deus das Moscas Tem fome, tal como a narrativa passada no século XIX e que recolhe impressões de várias partes do mundo. Portugal está bem presente nesta aventura de um novo herói, Benjamim, Tormenta, idealizado pelo autor Luís Corte Real que, confessa, inspira-se em nomes principais do género literário do fantástico e do horror. Estranho é afirmar que a obra de Eça de Queiroz está tanto em destaque como em pano de fundo, nada que não se perceba rapidamente.

É impossível não se perguntar o porquê deste seu aparecimento literário acontecer após muitos anos de atividade editorial. O que atrasou essa entrada na literatura? "Alguém disse que todo o português tem um livro dentro de si, e que o melhor era deixá-lo lá ficar. Sou editor [editora Saída de Emergência] há quase dezoito anos e sei, em primeira mão, que se publica demais e muita mediocridade. Como tal, só me senti confortável em avançar quando senti que tinha algo original e com qualidade para oferecer. Precisei de quarenta anos de leituras para isso, mas só os leitores do Benjamim Tormenta dirão se valeu a pena ou se devo deixar o segundo volume dentro de mim", responde.

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