Morreu o cantor francês Charles Aznavour

Anúncio foi feito pela porta-voz do cantor de La Bohème à AFP.

O cantor francês Charles Aznavour morreu hoje aos 94 anos, segundo informou a sua porta-voz à agência AFP.

Famoso por canções como La Bohème, Emmenez-moi ou Je Me Voyais Déjà, Charles Aznavour foi considerado pela CNN e pelo jornal The Times como o "o mais importante cantor de variedades do século XX".

Na sua longuíssima carreira, interpretou mais de 1400 canções em sete línguas, fez espetáculos em 94 países. Portugal não foi exceção, com Aznavour a atuar na Altice Arena em dezembro de 2016, na sua última passagem por Lisboa.

Aznavour morreu na sua casa de Alpilles, no sul de França. Tinha acabado de regressar de uma digressão no Japão, após ter sido forçado a anular os concertos no verão devido a uma queda que lhe provocou uma fratura num braço.

Apesar da idade, Aznavour tinha um concerto agendado para 26 de outubro, em Bruxelas. "Não estou velho, sou idoso. Não é o mesmo", gostava de dizer.

Uma infância de romance

Filho de Misha Aznavourian, cujo pai fora cozinheiro do czar Nicolau II da Rússia, e de Knar, nascida numa família de comerciantes arménios que fugiram da Arménia durante o massacre pelos turcos em 1915, Shahnourth Varinag Aznavourian (de seu nome de batismo) nasceu em Paris a 22 de maio de 1924. Os pais, vindos de Salónica, na Grécia, esperavam, na capital francesa, o visto para os EUA. Mas foi em França que acabaram por se instalar.

Estreou-se num palco a dançar músicas tradicionais do Cáucaso em dezembro de 1933, aos 9 anos, mas foi ao lado do jovem compositor de jazz Pierre Roche que irá criar, a partir dos 17 anos, o duo Roche e Aznavour. Mas a sua grande oportunidade surgiu com Édith Piaf, que conhece aos 22 anos e que irá acompanhar nos concertos, em França e pelos EUA, durante oito anos.

O grande sucesso (e o início da lenda) só surgirá aos 36 anos, num primeiro grande concerto a solo na sala Alhambra, em Paris. Depois de uma receção pouco calorosa nas primeiras canções, Aznavour deslumbra com Je m'Voyais Déjà, que relata a história de um artista com dificuldades em lançar a sua carreira. Foi aplaudido longamente de pé.

Além da carreira musical, Aznavour fez também carreira no cinema, entrando em cerca de 80 filmes. Em 2017, recebeu uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood.

Aznavour foi casado três vezes e teve seis filhos.

Reações do governo

"Profundamente francês, visceralmente ligado às suas raízes arménias, reconhecido em todo o mundo, Charles Aznavour terá acompanhado as alegrias e as tristezas de três gerações. As suas obras-primas, o seu timbre, o seu brilho único sobreviverão por muito tempo", escreveu o presidente francês, Emmanuel Macron, no Twitter. "Partilharmos com o povo arménio o luto do povo francês", acrescentou noutra mensagem.

"A França perde Aznavour, um dos seus grandes poetas, sempre na vanguarda, uma verdadeira lenda atravessou fronteiras e épocas. Os franceses perdem Charles, um rosto familiar que os levou durante mais de 70 anos ao país das suas canções inesquecíveis", escreveu a ministra francesa da Cultura, Françoise Nyssen no Twitter.

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