Ler um livro na cabine da PT

Santa Maria Maior ganhou hoje uma microbiblioteca numa cabine telefónica, fruto de iniciativa da Fundação PT em parceria com a junta

Valorizar a leitura "como direito humano e condição do livre exercício da cidadania cultural" é o mote sob o qual a Altice Portugal, através da Fundação PT, inaugurou hoje a primeira microbiblioteca na zona histórica de Lisboa, nascida a partir de uma antiga cabine telefónica. Com presença do presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, do presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, e da subcomissária do Plano Nacional de Leitura, Elsa Conde, foi sublinhado o papel do livro enquanto "ferramenta fundamental de apoio à literacia e ao sentido crítico que uma sociedade tecnológica e tão rica em informação exige".

Tal como as outras duas dezenas de microbibliotecas já distribuídas um pouco por todo o país, incluindo Açores e Madeira, também esta é dinamizada pela Fundação PT, que reaproveita antigas cabines telefónicas e, em parceria com entidades autárquicas ou outras, "assegura a sua adaptação, colocação e dinamização com o objetivo de estreitar laços comunitários, exercitar a cidadania e fomentar a leitura num espaço totalmente inesperado, com o mote: Levar, doar, ler, devolver", explica a Fundação.

"Por mais gigas que possam ser consumidos na rede da Altice Portugal, não é comparável nem será mensurável o valor aportado pelo livro e a leitura na formação e na construção do pensamento, desde a raiz, desde as primeiras leituras, desde a escolaridade infantil. É nesse pressuposto que a Altice Portugal, através da Fundação PT, endereça este projeto, enquadrado numa lógica de responsabilidade social e enraizamento da cidadania", comentou no evento Alexandre Fonseca.

Autênticas bibliotecas comunitárias, as antigas cabines telefónicas da Altice Portugal permitem materializar uma iniciativa de promoção da leitura pela integração no seu interior, não de um telefone público, mas de um conjunto de livros, numa consagração do ato de ler.

"Integrar na freguesia que reúne os bairros mais emblemáticos de Lisboa a microbiblioteca da Altice Portugal evidencia a preparação e a vocação de Santa Maria Maior para acolher projetos de cariz cultural e, com a particularidade deste, com enfoque no valor não mensurável, mas essencial, da leitura", reagiu o Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, que não quis faltar à inauguração.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)