Israel quer "igualar patamar elevado" da Eurovisão em Portugal

Embaixador de Israel em Portugal não acredita que nenhum país vá boicotar o evento marcado para maio em Telavive.

A dois meses do arranque da Eurovisão, o embaixador de Israel em Portugal falou com o DN sobre a preparação do evento em Telavive. Raphael Gamzou elogia a organização portuguesa do ano passado e espera que o seu país faça, pelo menos, igual.

"Gostaríamos de igualar o patamar muito elevado que Portugal colocou no ano passado e desejamos que as pessoas estejam confortáveis e felizes como estavam no ano passado em Lisboa", sublinhou.

O diplomata confessa que não viu o concurso nacional - que deu a vitória a Conan Osíris - mas que um amigo fã do certame lhe garantiu que foi um "espetáculo muito bom". Por isso, não tem dúvidas que a televisão pública israelita - KAN - pode aprender com a portuguesa RTP. "A Eurovisão em Lisboa foi um enorme sucesso, de todos os pontos de vista: produção, organização e a bonita atmosfera na cidade. Tenho a certeza que temos muito a aprender e sei que o estamos a fazer entre as polícias e entre a RTP e a KAN".

Quanto aos pedidos que foram feitos a Conan Osíris para que boicotasse o evento, Raphael Gamzou acredita que se trata de um reflexo. "São os suspeitos do costume, que agem sempre de acordo com instintos pavlovianos, de forma automática, não são grupos ou pessoas ligados à realidade, mas à sua agenda política."

Os apelos feitos pelo Comité de Solidariedade com a Palestina, o SOS Racismo e as Panteras Rosa ao vencedor português para não se deslocar a Telavive não tiveram, para já, grande impacto. Da mesma forma, o embaixador de Israel acredita que não se irão verificar boicotes de nenhuma natureza.

"Não acredito que nenhum país ou público vai boicotar a Eurovisão. Penso que vai ser mais um bom concurso de canções e acho que o apelo ao boicote é um fenómeno automático e marginal."

Para já, o único boicote tem surgido de alguns artistas israelitas que se recusam a participar na final da competição europeia da canção por esta se realizar no sábado, dia sagrado para os judeus. Omar Adan e a banda Shalva são dois dos nomes que já se recusaram a participar. No entanto, Raphael Gamzou defende que este detalhe não será um problema: "A final vai ser extraordinária para todos os participantes e para todas as pessoas que vêm de todo o mundo para assistir ao concurso", prefere sublinhar.

Num tom mais descontraído admite que não irá ficar dividido entre a participação portuguesa e a israelita. "Fico sempre contente quando o meu país ganha. No futebol, como até hoje, infelizmente, a seleção israelita não tem chegado a fases finais de campeonatos, então aí não tenho dúvidas ou hesitações e apoio totalmente Portugal."

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