Coleção Miró em Serralves custa 3,5 milhões de euros à Câmara do Porto

Governo e autarquia anunciam protocolos para permanência no Porto das 85 obras do pintor catalão durante os próximos 25 anos. Câmara ajuda Serralves com máximo de um milhão de euros e pagará 100 mil euros/ano à fundação.

Os acordos estavam prontos há um mês e foram hoje anunciados na Câmara do Porto. A Coleção Miró irá permanecer no Porto durante os próximos 25 anos, anunciaram o primeiro-ministro António Costa, e a ministra da Cultura, Graça Fonseca, sendo a Fundação de Serralves o local escolhido pelo Estado e pela Câmara do Porto para receber a coleção que pertencia ao BPN e foi resgatada pelo atual governo. A autarquia presidida por Rui Moreira irá pagar 100 mil euros por ano a Serralves para a manutenção, proteção e depósito das obras, comprometendo-se ainda a financiar até um milhão de euros as obras de ampliação e adaptação que irão ser feitas na Casa de Serralves, num projeto que está a ser delineado por Siza Vieira.

Para António Costa, a escolha do Porto, há muito anunciada, é simples: tem como "razão fundamental potenciar e diversificar o acesso à cultura." O primeiro-ministro considera que o momento da cidade é de grande crescimento e como há "mais país para além de Lisboa e num momento de projeção nacional e da atividade turística é natural que reforcemos a capacidade criativa e a cena artística do Porto". E Serralves encaixa bem, garantiu António Costa, por "não ser necessário criar uma nova instituição", já que a fundação privada tem renome internacional e é garantia que a coleção ficará bem entregue.

Cultura "não é só por ser chique"

Investir na cultura, apontou o primeiro-ministro, é "investir nas bases do conhecimento". "Não é só porque é chique ou fica bem. A cultura é essencial ao modelo de desenvolvimento do país", disse recordando que há outras coleções de bancos falidos que o Estado irá dar destino com a sua colocação em museus e ao dispor dos portugueses. São as coleções de arte do BES, a de fotografia do mesmo BES e a da Fundação Eclipse, do BPP.

Graça Fonseca, a nova ministra da Cultura, já tinha afirmado esta ideia. Recém-chegada ao ministério, realçou a parceria estabelecida como "fundamental para que a política pública de cultura se possa desenvolver", ainda mais quando envolve Estado, administração local e privados, chegando assim até aos cidadãos. "A cultura tem que ser feita por todos, tem que ser feita em rede", disse Graça Fonseca.

Rui Moreira afirmou que o Porto "fica muito grato" e lembrou, tal como os dois governantes, que o anterior governo "não foi sensível" a uma proposta apresentada então pelo Porto, mantendo a ideia de vender a coleção, processo que foi revertido em 2015 por António Costa. O autarca do Porto considera que o acordo "é muito interessante para a cidade do Porto, para quem a visita e para Portugal."

Classificou os detalhes dos protocolos como muito simples. Um dos acordos diz respeito à cedência dos quadros ao Porto e o outro às condições em que a Câmara os deposita em Serralves. "A Câmara assume a obrigação de garantir a manutenção e a segurança da coleção", disse. Serão 100 mil euros por anos durante os 25 anos do protocolo. Noutra vertente do mesmo protocolo, a autarquia compromete-se a assegurar a Serralves os "recursos que considera possíveis" para a obra de adaptação que irá ser feita na casa para albergar a coleção. O projeto é do arquiteto Siza Vieira e a autarquia admite pagar até um milhão de euros pelas obras.

Ana Pinho, presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves, referiu-se a esse projeto de remodelação em que o objetivo será "conciliar a identidade do edifício com esta nova valência." É "com grande entusiasmo que Serralves subscreve este acordo", assegurou.

A Coleção Miró esteve em exibição em Serralves, entre 2016 e 2017, com grande sucesso e já passou por Lisboa e Itália. A itinerância é também um dos objetivos a prosseguir agora com os protocolos.

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