Como acontece com todas as longas esperas, a expectativa é sempre elevada. Foi assim com o concerto dos Foo Fighters, na noite desta quinta-feira, 10 de julho, no NOS Alive. Nove anos depois, o público voltou a encontrar a banda liderada por Dave Grohl, que fez questão de mostrar que também tinha saudades de Portugal.O concerto começou pontualmente, com o vocalista a correr literalmente para o palco, fiel à sua imagem de marca: munhequeiras pretas, ténis Vans e uma Gibson ao ombro. Com os bilhetes esgotados há meses, milhares de fãs aguardavam ansiosamente o início da apresentação.Ao longo de duas horas e meia, a banda privilegiou os temas mais antigos, demonstrando, pela energia com que os interpretou, que é na nostalgia que mais se diverte em palco. Prova disso é que o alinhamento não incluiu qualquer canção de My Favorite Toy, o mais recente álbum, lançado em abril.Pela reacção do público, as músicas novas não fizeram qualquer falta. A primeira parte do espectáculo reuniu clássicos como All My Life, The Pretender, Times Like These, Rope, Stacked Actors, My Hero, Learn to Fly e These Days, num percurso que atravessou pelo menos 14 anos de carreira e cinco álbuns da banda.Depois, Dave trocou de guitarra e pegou na clássica Gibson DG-335 azul, o seu instrumento de assinatura, protagonizando um dos momentos mais intimistas da noite — tanto quanto um concerto de rock o permite. Interpretou Wheels, uma das suas canções preferidas e também uma das favoritas dos fãs.A seguir, a intensidade voltou a subir com No Son of Mine e um excerto de Ace of Spades, dos Motörhead. Nessa altura, o novo baterista, Ilan Rubin, brilhou num solo de bateria que lhe valeu elogios de Dave Grohl. Rubin respondeu com um sorriso tímido, quase envergonhado, como quem recebe um elogio inesperado do chefe e foi precisamente isso que aconteceu.Aliás, Rubin foi um dos grandes destaques da noite e demonstrou uma sintonia evidente com Dave Grohl. Aos 38 anos, é o segundo baterista a ocupar o lugar deixado por Taylor Hawkins, que morreu em março de 2022. A escolha parece agora consolidada, embora continue a ser evidente que o espaço de Taylor, tanto na banda como junto dos fãs, é impossível de preencher.O concerto continuou a apostar nos primeiros anos da carreira dos Foo Fighters, com temas como Breakout, de 1999, e Big Me, lançada em 1995. As canções mais recentes do alinhamento ficaram reservadas para a reta final, com The Sky Is a Neighborhood e Run, ambas do álbum Concrete and Gold, de 2017.Antes do fim, Dave apresentou cada elemento da banda, chamando-lhes "os meus melhores amigos". Não foi a habitual ronda de apresentações seguida de solos individuais. Em vez disso, prestou homenagem ao percurso de cada músico, recordando bandas por onde passaram antes dos Foo Fighters, enquanto fotografias dessa época eram projectadas no ecrã gigante.Nesse momento, Dave sentou-se à bateria e Rubin assumiu a guitarra, demonstrando que domina ambos os instrumentos com naturalidade. O vocalista ameaçou o clássico solo de Smells Like Teen Spirit, mas acabou por não brindar o público com o icónico tema dos Nirvana.Para o final ficaram alguns dos maiores clássicos da banda, como Monkey Wrench, Best of You e Everlong. Antes, porém, houve espaço para Aurora, interpretada de forma visivelmente emotiva em homenagem a Taylor Hawkins. A canção era uma das preferidas do antigo baterista e tornou-se um dos momentos mais marcantes da noite.No final, os Foo Fighters pareciam não querer abandonar o palco. Tocaram até ao limite do horário permitido e prometeram regressar a Portugal no próximo ano. Depois de uma espera de nove anos, os fãs esperam não voltar a demorar tanto tempo para ouvir, ao vivo, os gritos inconfundíveis de Dave Grohl.Veja imagens do fotojornalista Leonardo Negrão:.Nick Cave & The Bad Seeds, A Perfect Circle. O primeiro dia no NOS Alive em imagens .Músicas de Carlos Paião reinterpretadas por Tigerman. Espetáculo sobe duas vezes ao palco no NOS Alive