Festival Iminente ocupa nesta edição o espaço de uma antiga escola que está abandonada.
Festival Iminente ocupa nesta edição o espaço de uma antiga escola que está abandonada.Foto: José Sena Goulão/Lusa

Festival Iminente faz dez anos e dá nova vida a escola abandonada em Marvila

Evento criado por Alexandre Farto (Vhils) realiza-se de 17 a 20 de setembro numa escola abandonada, a Afonso Domingues, em Marvila, com mais de cem artistas, entre eles Original Kappa e DJ Premier.
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O projeto criado por Alexandre Farto, o artista Vhils, em 2016, ocupa este ano um edifício abandonado há mais de uma década, a Escola Industrial Afonso Domingues, em Marvila. Após um interregno em 2025, o Festival Iminente regressa com uma programação que inclui dois-pesados do hip-hop nacional e internacional - Original Kappa e DJ Premier.

A escola fechou em 2010 devido ao projeto da Terceira Travessia sobre o Tejo, entre Chelas e Barreiro, a pensar no TGV e ainda por concretizar. Quando o Iminente tomou conta do espaço, revelou a diretora do festival, Juliana Almeida, em conferência de imprensa esta quarta-feira, 2 de setembro, segundo a Lusa, viviam nesta escola abandonada 22 sem-abrigo, a maioria dos quais foram realojados pela Câmara Municipal de Lisboa, mas seis quiseram permanecer no local.

“O Iminente nasceu para juntar pessoas, linguagens e contextos diferentes no mesmo espaço. Dez anos depois, essa ideia continua a ser o ponto de partida. Ter o DJ Premier nesta edição é muito especial pela importância que tem na história do hip-hop, mas o festival vai muito para além do palco: o cinema, as artes visuais, as conversas e o trabalho com as comunidades fazem todos parte da mesma edição e da mesma forma de pensar o Iminente", diz Alexandre Farto citado em comunicado da organização.

DJ Premier é considerado um dos produtores mais influentes da história do hip-hop e fez parte parte da dupla Gang Starr com o rapper Guru. Foi a última confirmação do festival, mas não é a primeira vez que DJ Premier atua em Portugal.

Original Kappa, acompanhado pela diretora do Festival Iminente, Juliana Almeida.
Original Kappa, acompanhado pela diretora do Festival Iminente, Juliana Almeida.JOSÉ SENA GOULÃO

Outro dos "momentos especiais" desta edição do Festival Iminente, patrocinada pela Fundação Millennium bcp, considera a organização, é o regresso de Original Kappa, nome artístico de Allen Sanhá, rapper português de origem guineense que numa fase anterior da sua carreira era conhecido como Allen Halloween. O artista terá a seu cargo a "Noite da Lisa", em que revisitará o seu percurso, acompanhado por DJ FumaxaLandimMiss BityDrunk MasterJay CapKinousKapataz e "um convidado surpresa, um dos maiores nomes do rap português atual, que será revelado apenas na própria noite". Original Kappa também assina a curadoria de uma noite com Nex SupremoDJ Firmeza Party Smith.

O festival que cruza música, arte e cultura urbana vai reunir mais de uma centena de artistas que participam em cerca de 60 concertos - que terão lugar em cinco palcos -, intervenções artísticas, exposições, cinema, conversas e workshops.

No campo musical, outro destaque é Sam The Kid que regressa ao Iminente para apresentar ao vivo o álbum Beats Vol.1: Amor com Orquestra e Orelha Negra. Pela primeira vez atuam no festival o projeto colaborativo UN!DD, que junta Acácia Maior, Cachupa PsicadélicaScúru Fitchádu e Fidju Kitxora, "quatro projetos ligados à nova música de matriz cabo-verdiana feita à volta de Lisboa". Lena d’Água, Ana Lua CaianoA Garota NãoExpresso Transatlântico e Ustad Fazel também marcam pela primeira vez a presença no Festival Iminente.

Do cartaz fazem ainda parte Luedji LunaConway the MachineBahamadiaBlack MilkDino D’SantiagoCapicuaGisela JoãoAJULLIACOSTAXullajiSyer Sujidade MáximaLa Familia GitanaMão Morta, Mind Da GapBatida, entre outros.

Escola Industrial Afonso Domingues, em Marvila, está abandonada há 16 anos.
Escola Industrial Afonso Domingues, em Marvila, está abandonada há 16 anos.Foto: José Sena Goulão/Lusa

A programação de artes visuais estará espalhada por salas de aula, corredores e espaços exteriores da antiga escola e mostra "trabalhos e intervenções" dos artistas Vhils, Tamara Alves, ±MAISMENOS±, Wasted Rita, Camila Rosa, AkaCorleone, Pedrita, Oskouei, João Fortuna, PEDRÊZ, Entangled Others, ML7, 3D Crew, OBEY SKTR, ERROR43 + PEDRITA + FURO, PREGOS shp, Halfstudio, RUSSO 1003PV e Ricardo Passaporte.

"A relação com o lugar e com a memória dos dez anos atravessa várias das obras. Vhils apresenta um retrato de José Saramago, que estudou entre estas paredes, em que o mar passa a fazer parte da obra, ocultando e revelando o rosto do escritor com a maré", diz o Festival dirigido por Juliana Almeida. O retrato de José Saramago de Vhils foi feito na praia de Paimogo, na Lourinhã. O que será mostrado será uma instalação audiovisual da mesma.

A programação inclui também duas exposições. Uma delas é Kriminals, com desenhos de Allen Sanhá (Original Kappa) onde se mostram retratos de "figuras tratadas como criminosas pela sociedade do seu tempo e mais tarde reconhecidas como heróis". E a outra The Jaunt by Underdogs que exibe obras de Cody HudsonCleon Peterson e Abel Macias.

Pela primeira vez o Iminente terá cinema. Implantação da Rapública #4: Rimar o Hip-Hop, da autoria de Bruno Martins, com realização de Catarina Peixoto, será uma estreia. Trata-se do quarto episódio de uma série documental da Antena 3 dedicada à história do hip-hop em Portugal, nos últimos 25 anos. "Este quarto e último episódio, dedicado aos MCs, reúne nomes ligados à história do hip-hop e do próprio Iminente, entre os quais Capicua, Sam The Kid, Xullaji, Ace e Presto, General D, Bambino, D-Mars, Fase, Maze e Mundo Segundo", explica o Iminente.

Serão exibidos também os filmes Manga d’Terra, de Basil da Cunha, Complô, de João Miller Guerra e Dead City Punx, produzido por Zack de la Rocha, dos Rage Against the Machine. "O filme acompanha os Dead City e a cena punk DIY de Los Angeles — concertos improvisados debaixo de autoestradas, multidões que se juntam antes da chegada da polícia e uma cultura construída fora dos circuitos convencionais. A banda atua no Iminente no mesmo dia da exibição".

No âmbito do Bairros, programa que desde 2020 organiza workshops artísticos nos bairros sociais de Lisboa, serão apresentados no festival o resultado de um ano de trabalho. "Dez oficinas realizadas durante o verão em associações de bairros municipais de Lisboa, com ArashidaOficina FrittaLígia FernandesJoãozinho da CostaVitor AgostinhoGaldéria e U-Nick".

Sob o mote O que pode um festival?, serão organizadas quatro conversas sobre como a cultura pode mudar a cidade, com moderação de Manuel Ruiz, Nuno Ramos de Almeida, Marta Lança e João Mineiro. "Espaços culturais e vida noturna, gentrificação, língua e sotaques, autoridade, criação independente e transmissão entre gerações atravessam um programa que reúne artistas, jornalistas, investigadores e projetos culturais e comunitários", explica o Iminente.

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