Feira de desenho contemporâneo mostra obras de mais de 70 artistas
É uma “feira boutique” dedicada ao desenho contemporâneo e é assim que Mónica Álvarez Careaga, fundadora e diretora da Drawing Room Lisboa deseja que continue. Não só pelo espaço que ocupa, a Sociedade Nacional de Belas Artes, mas também para garantir negócio às galerias. A 9.ª edição desta feira decorre de 22 a 25 de outubro com a presença de 23 galerias, 16 delas portuguesas (11 de Lisboa e cinco do Porto), seis espanholas e uma do Peru. Interessadas em participar no evento são sempre mais, cerca de 70 por ano, mas o objetivo é garantir qualidade, adianta Mónica Álvarez Careaga.
A feira é internacional, mas não a todo o custo, diz a diretora do evento. Entre uma galeria internacional “medíocre” e uma “boa” portuguesa, a preferência será para esta última, explica. Na edição deste ano há quatro novas galerias presentes, duas espanholas (Víctor Lope, de Barcelona, e Caicoya Galería, de Oviedo) uma peruana (Marissi Campos Galería, de Lima) e uma portuguesa (Helena Rodrigues Galeria, do Porto).
“No final, a feira é muito portuguesa”, diz Mónica Álvarez Careaga, considerando, no entanto, que a nacionalidade não é muito importante no contexto da arte contemporânea atual, com a sua visão global, mas que também é preciso “proteger os mercados locais”. As galerias vão mostrar trabalhos de mais de 70 artistas, nacionais e internacionais.
A Drawing Room nasceu em Madrid em 2016 e chegou à capital portuguesa em 2018, tendo-se realizado todos os anos desde então, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da FLAD - Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e da Fundação Millennium bcp. A feira deixou entretanto de se realizar em Madrid. A última edição naquela cidade foi em 2022.
O projeto nasceu porque há muito interesse dos colecionadores por este tipo de obra artística, garante Mónica Álvarez Careaga. Mais ainda em Portugal, onde há várias instituições e particulares com coleções de desenho, acrescenta, destacando a qualidade dos artistas portugueses que produzem desenho.
Algumas das obras que estarão expostas na Drawing Room Lisboa podem parecer mais pintura do que desenho. A Galeria Miguel Nabinho, por exemplo, traz trabalhos de Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez e José Pedro Croft. Mas comum a todos os trabalhos presentes nesta feira, explica Mónica Álvarez Careaga, é o suporte - papel. Determinante na escolha das galerias é a “qualidade do artista e que o desenho seja importante na sua produção artística”, sublinha.
As abordagens ao desenho apresentadas são muito diversas. Mónica Álvarez Careaga destaca, por exemplo, o trabalho do português Diogo Pimentão (Galeria Presença) considerando-o “completamente original”, assim como do espanhol Fernando Álamo (Galería Bibli, de Santa Cruz de Tenerife), que incorpora o pigmento carmim de cochonilha no seu trabalho, ou ainda os desenhos de Tatyana Cristina (Helena Rodrigues Galeria), que retratam instrumentos cirúrgicos dos séculos XVIII e XIX ligados ao corpo feminino.
Nesta 9.ª edição serão atribuídos dois novos prémios de aquisição: o Prémio Aquisição Fundação Ilídio Pinho e o Prémio de Desenho Ana Hatherly - Aquisição Arquivo Fernando Aguiar. Este último é uma homenagem à artista Ana Hatherly que antes de morrer, em agosto de 2015, doou ao Arquivo Fernando Aguiar o seu espólio artístico.
Haverá também outros prémios, já existentes em edições anteriores, entre eles o Prémio Desenho FLAD no valor de 20 mil euros. Será atribuído a um dos cinco artistas selecionados para a edição deste ano: Catarina Real, Inez Teixeira, Rudi Brito, Eduardo Matos e Tomás Cunha Ferreira. As obras destes artistas estarão em exposição no espaço da Galeria Pintor Fernando de Azevedo.

