A Feira Internacional de Arte de Lisboa volta à cidade entre 28 e 30 de maio para uma 9.ª edição com com 84 galerias de 18 países, sendo que 30 galerias são portuguesas e 18 espanholas. O programa geral, que constitui o núcleo central da ARCOlisboa 2026, contempla 61 galerias selecionadas pelo comité organizador. Tal como em anteriores edições, haverá a secção Opening Lisboa, comissariada por Sofia Lanusse e Diogo Pinto (e assistência curatorial de Sofia Montanha), com 17 galerias. E este ano haverá uma novidade, o projeto Arquipélago de Histórias de Arte, dirigido pelo curador Cosmin Costinas, que selecionou seis projetos numa ótica de aproximação aos saberes tradicionais, de quatro países.A ARCOlisboa, organizada pela IFEMA Madrid e Câmara Municipal de Lisboa, chegou à capital portuguesa em 2016 e desde então tem-se realizado todos os anos, exceto em 2000 e 2021 por causa da pandemia de covid-19. "Quando um projeto começa, ninguém quer que acabe, mas nunca se sabe. E termos sido capazes de passar a pandemia, inclusive durante dois anos não realizar a feira, e voltar e seguir... Acho que a celebração é a existência da feira", diz ao DN Maribel López, a diretora da ARCO, na sessão de apresentação esta quinta-feira, 14 de maio, no Pavilhão Julião Sarmento, em Lisboa.O número de galeristas presentes na feira passou de 45 para mais de 80, e o número tem-se mantido estável. Tem havido, neste anos, "um crescimento progressivo e contínuo, e vemos muitas novas galerias a quererem aproximar-se", diz Maribel López. No entanto, sublinha, tal como as galerias se mantêm "fiéis" à ARCO, também a ARCO se quer manter fiel às galerias. "Pensar que agora chega esta grande galeria e sai esta outra... não. Para mim é muito importante que aqui esteja quem quer estar e que possamos responder com respeito. O número de solicitações é muito estável, porque a nossa tarefa comercial também é muito de confirmação. Então, o que fazemos é pedir aos curadores que investiguem, que abram muitas portas. Por isso, eu digo sempre que as novidades na secção Opening só podem estar dois anos, aí há muita rotação, é a sua natureza, mas queremos também estabilidade. A ideia da novidade pela novidade, devemos repensá-la".Na ARCOlisboa haverá também um "exclusivo" Programa Internacional de Colecionadores, que incluirá visitas a instituições e coleções privadas, bem como acesso privilegiado à feira. É que, independentemente do programa cultural paralelo, trata-se de uma feira de arte e o grande objetivo é potenciar a vendas de obras."Às vezes pensamos que os colecionadores são pessoas mágicas, mas são pessoas que se relacionam com as galerias, com os artistas, com a ARCO. E esse crescimento sustentado, constante, de apoio, é muito importante", diz Maribel López. O comité organizador deste ano da ARCOlisboa em representação das galerias incluiu Sabrina, da Amrani Madrid, João Azinheiro, da Kubikgallery do Porto, e Matteo Consonni, da Madragoa Lisboa.João Azinheira sublinha ao DN que a importância desta feira ultrapassa a mera vertente comercial. "Cada vez mais as feiras de arte contemporânea têm esse efeito. A venda é importante, nós temos um custo, todos sabemos, é público, mas há também uma necessidade enorme de contactarmos com outros curadores, de outras partes do mundo. E isso é um trabalho excelente feito pela ARCOlisboa, o convite de novos curadores, diretores de museu, para que tenhamos a oportunidade dos artistas portugueses de irem para fora, serem reconhecidos". Nesta feira também haverá prémios de aquisição, alguns pela primeira vez, nomeadamente o IV Prémio de Aquisição Fundação Vieira de Almeida, o II Prémio de Aquisição Cleção Studiolo - Candela A. Soldevilla, II Prémio de Aquisição MACAM, o I Prémio de Aquisição FLAD @ARClisboa, e o I Prémio Kells. Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Lisboa marcou presença na sessão de apresentação da ARCO. Revelou que a autarquia já comprou mais de 200 obras de arte nesta feira e sublinhou a importância do evento para consolidar o eixo da arte contemporânea de Belém, que conta com as galerias municipais, o Pavilhão Julião Sarmento, o Centro Cultural de Belém, o MAAT - Museu de Arte de Tecnologia ou MACAM - Museu de Arte Contemporânea Armando Martins.Moedas também valorizou o impacto para a cidade de haver 18 países representados na ARCO. "A base desta cidade é a diversidade, religiosa, geográfica, Lisboa é isso, e o que nos faz ter força", afirmou. E da marca ARCO, sublinhado que quando vai à ARCO em Madrid, onde a feira nasceu, também se ouve falar da ARCOlisboa. A organização quer que mais pessoas se interessem pela feira e a visitem, nomeadamente os jovens. Por isso, a entrada será gratuita para visitantes até aos 25 anos, nos dias 29 e 30 de maio, entre as 16h00 e as 21 horas. .Maribel López: “O negócio das galerias na feira é muito privado, mas ano após ano querem voltar”.Maribel López: “O negócio das galerias na feira é muito privado, mas ano após ano querem voltar”