Encontros e encontrões mundo fora de gente que ajuda a explicar o que é Portugal

De Catarina de Bragança a Luísa Todi, do padre Joaquim Guerra a Carlos Queiroz, um livro em estilo de crónica que conta histórias de portugueses pelo mundo.

Ferreira Fernandes e Viriato Soromenho-Marques apresentaram nesta terça-feira Encontros e Encontrões de Portugal pelo Mundo, do jornalista Leonídio Paulo Ferreira, na FNAC do Colombo, em Lisboa, um livro que conta histórias de portugueses em meia centena de países, da Argentina ao Japão, passando por Brasil, Marrocos, Irão, Índia ou Coreia do Sul. "Este é o livro de um jornalista, de alguém que sabe observar", afirmou Ferreira Fernandes, diretor do Diário de Notícias, referindo-se ao seu colega de direção. Já Viriato Soromenho-Marques, catedrático de Filosofia na Universidade de Lisboa e colunista do DN, enfatizou a capacidade de Portugal, ao longo de quase 900 anos de existência, se projetar em muitos países, com uma história que às vezes é tão grande que parece pesar sobre as atuais gerações.

O autor, jornalista desde 1992 no DN, onde começou como estagiário, falou, por sua vez, de algumas das figuras do livro, como Jan Rodrigues, filho de um português e de uma angolana, nascido no final do século XVI na ilha de Hispaniola, e que depois de ter constituído família com uma índia de Manhattan é hoje reivindicado pelos negros como o primeiro afro-americano de Nova Iorque e pelos dominicanos como o primeiro hispânico também da grande cidade americana.

Na assistência estavam vários embaixadores e embaixadoras, como o japonês, o sul-coreano, o croata, o israelita, a peruana, a filipina, o polaco, a turca, a cubana, além de outros diplomatas. E foi dirigindo-se ao embaixador Jun Niimi, do Japão, que Leonídio Paulo Ferreira deu o exemplo do país do Extremo Oriente como um onde Portugal, que lá chegou em 1543, deixou marcas, algumas palavras até, mas também importando outras, como sacana, que quer dizer peixe. E olhando para o embaixador sul-coreano, Oh Song, e para, sentada próxima, a família luso-coreana criada por Won Chong-song, que chegou há meio século a Portugal, o autor falou do outro lado da relação portuguesa com o mundo, a capacidade de acolher e integrar.

O livro é editado pela Desassossego, cujo editor, Luís Corte-Real, foi quem desafiou Leonídio Paulo Ferreira para este projeto, conhecendo o seu gosto pela história e as muitas reportagens mundo fora feitas nas últimas três décadas.

Veja aqui a história de Jan Rodrigues, o tal português muito disputado ainda hoje por duas comunidades nova-iorquinas.

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