O vermelhão do título original é o mesmo do Pai Natal, ou melhor, o da noção que a cultura pop americana tem dessa instituição - Santa Claus. Durante anos e anos, Hollywood tem feito filmes com a sua figura. De repente, vêm à cabeça de muitos o intragável Santa Cláusula, de John Pasquin, sucesso à base da popularidade de Tim Allen nos Anos 90 (chegou a gerar sequelas…), mas também o fracasso na década anterior de Jeannot Szwarc, Pai Natal: o Filme, com Dudley Moore em boa forma numa produção milionária. Seja como for, o melhor filme da máquina dos estúdios americanos sobre a figura do Pai Natal é supostamente Elf: O Falso Duende, comédia hilariante de Jon Favreau, com o falecido James Caan na pasta do Pai Natal..Agora, para uma nova geração mais um Pai Natal, desta vez com o dedo de Jake Kasdan (dos últimos Jumanji), filho do incontornável Lawrence Kasdan, pensado para ser um dois-em-um: filme com espírito de Natal para a família e comédia de ação com porte de megaprodução, com bastantes pontos de contacto com a saga MIB, da major rival Sony. Veículo também para Dwayne Johnson e Chris Evans, nomes ligados aos blockbusters mais rentáveis nesta altura. É o primeiro filme de Natal neste mercado e estreia primeiro aqui do que nos EUA..Em Berlim, na ressaca da première europeia, as duas estrelas de Hollywood estão disponíveis para receberem perguntas via Zoom da imprensa internacional. Estão bem sorridentes, ao contrário das suas personagens no filme, Johnson, o matulão guarda-costas do Pai Natal (um impecável J.K. Simmons), entretanto raptado por uma bruxa; e Evans, um hacker traumatizado por estar na lista do meninos “malcomportados” do Pai Natal e, agora, obrigado a ajudar na busca pelo paradeiro do Red One….O código de uma grande aposta de Hollywood.“Tivemos uma grande equipa para resolver o código de como um filme de Natal se poderia transformar numa comédia de ação! Diria que não é assim tão difícil como se possa pensar. Pessoalmente, creio que a ideia é bem divertida. O folclore do Natal e das suas histórias é inesgotável e vai muito para além dos EUA. Ao ouvir estas histórias cheias de criaturas e mitologia claro que ficamos com vontade de as vermos transformadas num filme de ação ou de aventuras”, começa por dizer o marido da portuguesa Alba Baptista [Chris Evans]..Enquanto isso, DK, como é conhecido Dwayne Johnson, concorda e acrescenta: “O segredo é termos bom material saído da cabeça de Hiram Garcia e depois ter o toque de Chris Morgan. Evidentemente, importante ainda é ter o Jake Kasdan a ligar todas as pontas. Toda a teoria que estava no papel proporcionou um espetáculo com uma tremenda carga de ação, algo que não é típico deste género de cinema. Criámos o Pai Natal definitivo! Em Hollywood diz-se que os filmes são feitos com muito coração, mas, neste caso, é realmente verdade.”.As vénias habituais....Típico em Hollywood na promoção dos filmes é o constante elogio em forma de pancadinha nas costas e o ex-The Rock não falhou. “Este filme tem das coisas mais impressionantes que já vi: a transformação de Kristopher Hivju em Krampus, o irmão do Pai Natal. A sua interpretação é espetacular bem como a sua caracterização! Apesar de tanta maquilhagem o desafio compensa: vemos tanta vida naquele olhar! Ajuda também ser um ator de topo!”.Essa recusa pela maquilhagem CGI e a opção pelos efeitos físicos é algo que interessa a Evans: “Cresci com filmes com efeitos práticos, como Labirinto ou História Interminável. Aquilo soava a real! Para um miúdo aquilo marcava, víamos coisas que não encontrávamos na vida real!! E agora todos os filmes estão carregados de efeitos digitais… De repente, um filme como este também nos marca, por ter tantos efeitos manufaturados. Não é nada comum. Isso é tão fixe.”.Um filme para gente com zero em comportamento?.Dwayne Johnson ouve o colega com atenção e não para de sorrir. Chris Evans, que para o ano vai estar em dois dos filmes mais esperados - Honey Don’t, do desavindo Ethan Coen, e Materialist, de Celine Song, a resposta a Vidas Passadas -, tem ainda tempo para falar da sua personagem: um vigarista de bom coração que tenta manter acesa a sua relação com o filho adolescente..“Esta minha personagem é um símbolo que todos nós merecemos uma segunda oportunidade. Qualquer filme com uma mensagem de bom coração tem de ter este arco… Red One explora as boas emoções que devemos ter na quadra natalícia e faz-nos relembrar as prioridades na vida. Serve, sobretudo, quem espera por perdão e procura uma segunda oportunidade.”.Alguém com sotaque inglês bem germânico diz que não há tempo para mais e os atores acenam para a câmara e dizem adeusinho. Esqueceram-se de dizer “bom Natal”, mesmo quando as festas ainda estão longe.