A 19.ª edição da Festa do Cinema Italiano continua a ser um evento marcante no mapa cinéfilo português. Começou a semana passada com uma “antecipação”, ou seja, o ciclo de homenagem a Claudia Cardinale (ainda a decorrer na Cinemateca). Amanhã, acontece a abertura oficial, com a ante-estreia de La Grazia, a mais recente realização de Paolo Sorrentino, centrada na figura de um Presidente da Itália (fictício) que valeu a Toni Servillo a Taça Volpi, melhor ator, na última edição do Festival de Veneza — será no Cinema São Jorge (21h30), sala principal da Festa que terá também algumas sessões no UCI El Corte Inglés. Como referem Stefano Savio (diretor artístico) e Anette Dujisin (coordenadora da programação) num texto de apresentação da Festa, procura-se encontrar um equilíbrio entre o contemporâneo e o clássico, com especial incidência na revelação de novos valores. Daí que, a par da presença de obras de alguns dos nomes mais internacionais da produção italiana, como é caso de Sorrentino, Gianfranco Rosi ou Gianni Amelio, surja uma secção competitiva com uma “nova amplitude” — os seus sete títulos são, afinal, primeiras ou segundas obras dos respectivos autores. .Entre os filmes da competição, eis dois títulos que, desde já, vale a pena ter em conta: Testa o Croce?, da dupla Alessio Rigo de Righi/Matteo Zoppis, que se apresenta como uma aposta insólita na revitalização do “western”, evocando o espectáculo circense de Bufallo Bill (interpretado pelo americano John C. Reilly), de visita a Roma no começo do século XX; e A Alegria, drama centrado numa professora solitária com assinatura de Nicolangelo Gelormini e Valeria Golino no papel central; Golino é também a protagonista de Fuori, de Mario Martone, um dos grandes acontecimentos de Cannes/2025, centrado num episódio muito particular da vida da escritora Goliarda Sapienza — a Festa promove também um encontro sobre Sapienza (São Jorge, dia 12, 17h30); entretanto, Fuori estará nas salas a partir do dia 16. A exibição de Fuori está integrada no Panorama da programação extra-competição. Outra ante-estreia da mesma secção, Modì, Three Days on the Wing of Madness, um retrato do pintor Amedeo Modigliani (interpretado por Riccardo Scamarcio), tem assinatura de Johnny Depp e resulta de uma coprodução Itália/Reino Unido/Hungria. Ainda no Panorama, será possível descobrir o mais recente documentário de Gianfranco Rosi, autor do notável Sacro Gra (2013), agora a filmar a região de Nápoles, a preto e branco, em Sotto le Nuvole. .Entre os acontecimentos paralelos, o destaque vai para um conjunto de filmes dedicados às relações Eslovénia/Itália, reunidos sob a designação “Cinema Transfronteiriço” e também para a exibição de Portuali, de Perla Sardella, sobre a luta dos trabalhadores do porto de Génova (2019-23), seguido de um encontro sobre “trabalho, sindicalismo e responsabilidade cívica”. Sem esquecer uma evocação de Giorgio Armani através de uma entrevista na RAI, datada de 1987, e da curta-metragem Made in Milan que Martin Scorsese lhe dedicou em 1990. O encerramento oficial (São Jorge, dia 19, 19h30) será feito com Três Vezes Adeus, um drama intimista realizado por Isabel Coixet. .A arte do confinamento segundo Goliarda Sapienza