"Há aqueles objetos que andavam sempre connosco nas mudanças. E são um porto seguro”, quem o diz é a fotógrafa Clara Azevedo numa conversa com o DN sobre a sua exposição CASA, que pode ser vista na Pequena Galeria, na Avenida 24 de julho, em Lisboa, até 9 de novembro. .A ideia para esta exposição surgiu devido a um trabalho de organização do arquivo da fotógrafa. Clara Azevedo explica que, como nas suas exposições anteriores, este é um trabalho de fotografia documental, mas com um toque pessoal. “São memórias minhas. Acaba por ser um projeto muito pessoal e bastante intimista. São memórias da minha vida”..São 24 fotografias captadas nos últimos seis meses de objetos do seu passado. Como o pai trabalhava para a agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Clara Azevedo passou por vários países como Brasil, Quénia ou Itália na sua infância. “Este projeto consiste em recuperar e fotografar memórias das casas onde vivi. A casa era um tema sempre muito dominante para mim. Aqui não estou só a recuperar o meu arquivo, mas também a recuperar memórias e fotografá-las”, explica a fotógrafa. .CASA tem a curadoria do arquiteto e ilustrador Rogério Cruz d’Oliveira e está dividida em duas partes: uma com 13 prints em molduras nas paredes e 11 expostas em caixas. Todas as fotografias da exposição foram captadas com uma câmara Fujifilm. .As caixas que se encontram na exposição simbolizam a atmosfera acolhedora de casa. A decisão de apresentar as imagens desta forma surgiu devido ao gosto da fotógrafa de armazenar objetos em caixas. “É um pouco como se as pessoas estivessem a entrar em casa e a ver nas caixinhas o que eu fotografei”, explica a fotógrafa. .Das 24 fotografias, 11 estão colocadas em caixas. Créditos: Paulo Spranger.Os 13 prints encontram-se na parede da Pequena Galeria dentro de molduras, mas sem vidro protetor. “Geralmente nas minhas exposições não ponho vidros, porque gosto que as pessoas tenham uma melhor perceção e contacto com a imagem. O vidro é sempre uma barreira. Gosto muito que possam sentir, ter a perceção e sentirem a textura do papel”, sublinhou. .Clara Azevedo destaca a fotografia de um bordado de uma casa que fez quando tinha cinco anos. “Tinha cinco anos e estava no Brasil, quando fiz esse bordado. Costumo dizer que deve ser o único bordado que eu fiz na vida, porque não sei nem fazer a bainha de umas calças”, contou a fotógrafa, acrescentado que este bordado acabou por também dar nome ao projeto - CASA. “Esta é uma fotografia que me diz muito”..A fotógrafa menciona ainda uma imagem dos poemas da sua mãe, uma da coleção de pedras do seu pai e a fotografia do prato de bebé. “Quando fomos para o Brasil, o prato partiu-se na viagem. Tenho agora a fotografia do meu prato rachado, mas que eu guardo. Todas estas fotografias têm uma história e uma realidade”, mencionou. .Clara Azevedo associa a palavra casa aos pais, aos momentos muito felizes e à felicidade, diz..Fotojornalista do jornal Expresso durante oito anos, o trabalho de Clara Azevedo foca-se em fotografia documental. De março de 2016 a abril de 2024, foi fotógrafa oficial de António Costa. “Apesar de ter sido um registo completamente diferente, acaba por estar relacionado com fotografia documental. Estava a fotografar a história que estava a acontecer”. .A entrada na exposição é gratuita. A Pequena Galeria encontra-se aberta às quartas, quintas e sextas-feiras das 17:00 às 19:30. Aos sábados está aberta das 15:30 às 19:30. .mariana.goncalves@dn.pt