Calema. "As variantes da língua portuguesa enriquecem a lusofonia"
Pela primeira vez, os Calema estarão no palco do Rock in Rio, no Palco Mundo, o maior e mais prestigiado. A dupla de irmãos nascida em São Tomé e Príncipe defende a língua portuguesa, incluindo todas as suas vertentes e dialetos. Em entrevista ao Diário de Notícias no lançamento do festival, os artistas afirmam que “as variantes da língua portuguesa enriquecem a lusofonia”.
Para Fradique Mendes Ferreira, é essencial valorizar os crioulos — no plural. “Nós viemos de São Tomé e Príncipe, um país onde existem três crioulos diferentes. Através desses crioulos transmitimos às novas gerações a história dos nossos bisavós, tudo aquilo que eles contavam, as sensações que partilhavam — e carregamos isso no nosso DNA também”, explica.
O artista considera fundamental manter essa ligação. “Achamos importante mantermos essa ligação ao português, mas sem perdermos aquilo que trazemos em termos culturais. A lusofonia é o que é graças a essa característica única que vem da cultura”, avalia Fradique.
António Mendes Ferreira concorda. “Se olharmos bem para a lusofonia, a língua portuguesa é o que nos une. E é superimportante haver festivais que enaltecem a língua portuguesa. Isto deixa-nos ainda mais orgulhosos por poder representar e levar pelo mundo fora aquilo que nos identifica”, complementa António.
A dupla está prestes a concretizar uma digressão ao Brasil, país onde esteve pela primeira vez no início deste ano. “Foi um momento muito especial. Sentimos, quando o avião estava quase a aterrar, que uma parte de nós pertencia também lá. Essa junção toda — aliás, a nossa descendência também, de certeza absoluta, tem o Brasil a correr nas nossas veias. É por isso que a lusofonia é tão bonita, essa mistura magnífica”, celebra Fradique.
O irmão festeja igualmente os concertos marcados noutras partes do mundo. “A nossa agenda tem crescido bastante. Temos uma digressão por salas em França, Inglaterra, Luxemburgo, Suíça, Estados Unidos e Canadá”, conta. E também em África, com espetáculos confirmados em Moçambique, Angola e Cabo Verde. “É um bocado por todo o mundo”, comemoram.
Sobre a atuação no Rock in Rio, destacam que será a realização de um sonho. “É um sonho de infância tornado realidade. Aliás, se há 15 anos nos dissessem que estaríamos no Palco Mundo do Rock in Rio, não acreditaríamos — mas o nosso sonho sempre foi grande”, conta Fradique. “A partir do momento em que o público acreditou em nós e nós trabalhámos de forma consistente, tudo se alinhou para chegarmos ao palco do Rock in Rio”, acrescenta o cantor.
Para António, essa consistência é o que faz a diferença, além de nunca deixar de sonhar. “O Rock in Rio é uma conquista não só nossa, mas de todos os que têm um sonho e querem viver dele. Acreditámos desde o início — tínhamos apenas o sonho e a música. E isso fez-nos chegar até aqui, com muita persistência, trabalho, organização e disciplina. Isso é muito importante”, sublinha o artista.
A atuação da dupla está marcada para a primeira noite do festival, a 20 de junho. Nessa mesma noite, sobem também ao Palco Mundo a norte-americana Katy Perry e o brasileiro Pedro Sampaio. No Palco Super Bock, haverá mais música em língua portuguesa, com os Napa.
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