Big Bang volta ao CCB com muita música para descobrir em família
O festival de música para públicos jovens Big Bang volta a realizar-se este ano no Centro Cultual de Belém (CCB) após uma interrupção em 2025. Será a 15.º edição e acontece nos próximos dias 2 e 3 de outubro com uma programação musical diversificada, performances, instalações e oficinas. O Big Bang integra-se na rede europeia criada belga Zonzo Compagnie e está presente em 20 cidades. Organizado em Portugal pela Fábrica das Artes do CCB, coordenada por Madalena Wallenstein, o projeto deixou de receber apoio europeu há uns anos e agora é totalmente financiado pelo CCB.
Em 2025, numa altura em que assumia funções uma nova administração na instituição cultural, e face à ausência de financiamento europeu, o festival não se realizou. “Precisávamos de tempo para decidir internamente a sua continuidade”, diz Madalena Wallenstein ao DN. A programadora da Fábrica das Artes acredita que a continuidade do Big Bang “está garantida”.
“Para mim, pessoalmente, a continuidade do Big Bang é muito importante, porque foi um festival que eu própria propus e trabalhei muito nele, na rede, nos parceiros, e dentro do próprio CCB ao longo dos 18 anos que lá estou. Só houve interrupções por causa da pandemia e por causa dessas questões europeias”, afirma a programadora da Fábrica das Artes.
Além disso, sublinha Madalena Wallenstein, o Big Bang “é uma marca que distingue o CCB na programação nacional para jovens. É um projeto com força programática, e, por outro lado, há uma geração de artistas, e também de crianças, que hoje são adultos, que já atravessaram o Big Bang, muitos deles até se voluntariam para trabalhar no CCB”.
Esta “família Big Bang” sedimentou-se ao longo das várias edições através de projetos com jovens músicos e com escolas de música. Por exemplo, nesta edição haverá um concerto da Mini Orquestra dirigido por Gabriel Santos, de 15 anos (no foyer do Grande Auditório, com entrada gratuita). O “mini maestro” tinha participado num projeto no CCB como violinista em 2023. “O Gabriel já tinha manifestado o desejo de ser maestro, e começou a ter alguma formação particular em direção. Em conversa comigo propôs dirigir uma orquestra no Big Bang a partir dessa relação próxima com o Big Bag”, explica Madalena Wallenstein.
Nesta 15.ª edição do Big Bang, Madalena Wallenstein destaca o espetáculo Canto ao Entardecer do coletivo Retimbrar e a sua música de raiz portuguesa, a que se junta o Coro Infantil da Voz do Operário, na sala principal do CCB. “Eu destaco o Grande Auditório, porque muitos dos projetos do festival são projetos que incluem crianças músicas, ou que estão em coros, ou que têm os seus próprios projetos. Então há uma delegação de participação de públicos jovens também”.
Os espaços exteriores do CCB também acolhem espetáculos. Por exemplo, os Pauliteiros de Miranda do agrupamento de Escolas de Miranda do Douro atuarão na Praça. Nesse mesmo local será possível assistir a Musko, um espetáculo itinerante com a participação de alunos da Escola Profissional da Metropolitana, em que se ouvirá música produzida por “caracolofones”, feitos de instrumentos de percussão e tubos em que os músicos interagem com a paisagem natural.
Ao nível das oficinas, haverá uma em que os participantes partem à descoberta da língua mirandesa através da música e da dança. Vão aprender um dos “lhaços”, os passos de dança tradicionais associados à tradição dos Pauliteiros de Miranda. Há também um workshop Crassh, em que se faz música em grupo utilizando o corpo, percussão, voz ou outros instrumentos.
Dois terços da programação do festival é portuguesa, “para dar a possibilidade aos nossos artistas de desenvolverem o seu trabalho de criação com públicos jovens”, sublinha Madalena Wallenstein. Mas também há propostas internacionais. É o caso dos tributos a Miles Davis (Mile(s)tones) e a Kate Bush (Cloudbusting), ambos da Zonzo Compagnie. A brasileira Lívia Mattos apresenta A Sanfonástica Mulher - Lona. Trata-se de um miniconcerto itinerante em que a artista, vestida com uma lona de circo, percorre o espaço tocando sanfona.
“Há uma parceria com a Zonzo Compagnie que neste momento se afirma em duas dimensões. Uma é o próprio conceito do festival, que foi implementado por eles. E algumas das peças que estão aqui são produzidas pela Zonzo, que é uma companhia de espetáculos de música para crianças.”
Há mais para experienciar neste programação do Big Bang. O concerto interativo Norquestra da Companhia Caótica resultou de um processo de criação-investigação que juntou músicos e neurocientistas. Também há instalações sonoras, como Da Pele, de Isabel Martinez, em torno de uma investigação centrada no adufe.
“Há coisas para fruir, para ouvir, e depois há outras para experimentar, para participar. É o caso das instalações e das oficinas”, sublinha a programadora do Big Bang.
O dia 2, sexta-feira, está reservado para as escolas, mas o público em geral pode entrar desde que haja bilhete.
Veja aqui a programação completa.

