Benjamin Weil assumiu a direção do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian em 2021 com um edifício fechado para renovação. A programação continuou fora de portas, com o projeto CAM em Movimento, até à reabertura, em setembro de 2024. Foi um tempo para experimentação diz o curador francês que mostrou a coleção do CAM, representativa da arte portuguesa dos séculos XIX e XX, de forma dinâmica, através de novas narrativas e até pelo olhar curatorial de artistas. Benjamin Weil terminou o mandato no final de janeiro, mas continuará ligado ao CAM enquanto curador da exposição da artista italiana Rosa Barba, Desenhar Vocabulários, que vai ocupar o espaço da nave e do mezanino entre 16 de maio e 28 de setembro deste ano. Rosa Barba será a terceira artista a expor em diálogo com obras da coleção do CAM, escolhidas por ela, depois de Leonor Antunes e Carlos Bunga. O diretor permitiu aos artistas escolherem o curador das suas exposições e Rosa Barba escolheu Benjamin Weil que acompanha o seu trabalho há muitos anos. Quando o edifício reabriu, Weil instalou no átrio a H Box, uma sala de projeção móvel concebida pelo artista e arquiteto franco-português Didier Fiúza Faustino, que neste momento exibe uma seleção de vídeos da coleção do CAM. Nasceu da "ideia de ter um espaço de arte acessível a todas as pessoas, sem bilhete, para ver algo que não precisa de muito tempo". Podia ser uma breve visita depois de um passeio pelos jardins. "Está cheio todo o tempo", diz Weil, que adianta que com ele também ela se vai embora. Esteve menos de um ano e meio no CAM depois da reabertura do edifício, em setembro de 2024. Sai em divergência com a administração ou em paz?Não, não há nenhum tipo de desacordo. Acho que não. Diria as coisas desta maneira: cheguei aqui em 2021 com um projeto já muito elaborado. Porque, evidentemente, durante o processo de recrutamento, falámos muito sobre o que eu queria fazer e o que a administração queria levar a cabo aqui. E acho que a razão porque ofereceram o posto a mim e não a outras pessoas foi porque o projeto que apresentei fazia sentido para eles. Então, acho que o que fizemos durante estes cinco anos foi levar a cabo o que havíamos previsto fazer. Claro que talvez haja coisas que mudaram, mas, em geral, o objetivo era relançar esta instituição ao longo dos cinco anos do meu mandato, e foi isso o que fiz.O atraso nas obras que adiou a reabertura prejudicou de alguma forma o plano que tinha para o CAM?Não, o facto de ter mais tempo fechado permitiu fazer experimentações. Por exemplo, o projeto que fizemos com a Biblioteca de Alcântara [projeto Entre Olhares, com curadoria participativa] não faria sentido se o edifício já estivesse aberto. Então, todo o projeto do CAM em Movimento foi uma ideia para começar a dar conhecimento da volta do CAM como instituição dentro desta comunidade, mas também dentro de uma comunidade mais alargada. Estou a falar deste projeto com a Biblioteca de Alcântara porque, para mim, foi um momento para experimentar como vai evoluir a relação entre o visitante e uma instituição como o CAM, no século XXI, em que as novas gerações têm outro nível de expectativa quando vão visitar algo. Não é uma visita passiva, mas uma visita que tem de ser mais ativa. E foi um momento em que podíamos, tranquilamente, experimentar. E isso, de certa maneira, foi um presente enorme porque, com o edifício já aberto, teria sido impossível levar isso a cabo. Não dá esse tempo como perdido?Não, pelo contrário. Foi um momento para poder pensar, criar estratégias, refletir. E depois, quando abrimos, já tínhamos mais ou menos tudo em ordem. Claro que, quando reabrimos o edifício houve muita gente que esperava outra coisa e que se mostrou surpreendida. Por exemplo, lembro-me de pessoas que disseram que o restaurante de antes era muito melhor, a loja era muito melhor, ou a maneira de apresentar a coleção é horrível, gostavam muito mais da versão anterior. . Em relação à coleção do CAM, quando se candidatou ao lugar de diretor veio com uma proposta concreta sobre a forma de expor a coleção, criando novas narrativas e em diálogo com outros artistas ? De maneira extremamente precisa, não. De maneira conceptual, absolutamente. Porquê? Porque durante toda a minha vida institucional, quando trabalhei noutros museus onde tínhamos coleção, a ideia de apresentar a coleção de maneira clássica, como um museu, com os anos 1920, os anos 1930, os anos 1940, os ícones etc., etc., era algo já completamente antigo. Talvez fosse para um tipo de público, mas não era para a maioria do público. Não fazia sentido para mim voltar a repetir o que foi feito antes. A ideia era mais como podemos apresentar a coleção de maneira dinâmica, em exposições. Por exemplo, o olhar de um artista sobre uma coleção é uma coisa extraordinária. Não estou a criticar o trabalho dos curadores, mas acho que é uma visão muito interessante e diferente. Da mesma maneira, por exemplo, o trabalho da Leonor Nazaré ao criar essa narrativa a partir da história de Xerazade, dos contos d’ As Mil e Uma Noites, e a ideia de que uma coleção se pode contar de mil maneiras diferentes, é uma forma de contar a história, e que vai mudar. Essa ideia de que a coleção não é um elemento estático, não é um elemento que vai ficar sempre o mesmo, mas que podemos criar novos diálogos entre as obras, podemos criar novas dinâmicas. E esse é o núcleo, a base conceptual que tinha de apresentar a coleção.Essa forma de apresentação da coleção não foi bem entendida?No público em geral houve um certo mal-entendido, sim. Mais com a exposição inaugural. Porque o público e várias pessoas da imprensa estavam a dizer, mas não é isso que queremos, porque este museu é o museu de referência para a arte portuguesa do século XX e então queremos ver tudo. E eu disse, mas não sei se a missão do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian é ser o museu de referência. Talvez teria que ser o Chiado, outro museu. Porque o conselho de administração de então, quando decidiu construir este edifício, poderia tê-lo chamado Museu de Arte Moderna Gulbenkian. Mas não. Decidiram chamá-lo Centro de Arte Moderna, centro de arte. Um centro de arte não é um museu. E lembro-me perfeitamente de conversas que tive com vários membros do conselho de administração durante um momento que foi um pouco difícil, no outono de 2024, e era claro para todos. Sim, somos um centro de arte moderna, não somos um museu. Então não temos como missão apresentar a coleção da maneira clássica de um museu enciclopédico. Teria que ser outra coisa. Foi feito desta maneira durante um certo tempo e talvez também porque durante muito tempo a Fundação Gulbenkian era um ponto de referência absoluta com respeito à arte. Mas agora temos também outros sítios onde podemos ir. É muito interessante, quando a Nuria Enguita [diretora artística do MAC/CCB] chegou aqui e começou a trabalhar em exposições das coleções que está a gerir, chamou-me e pediu obras emprestadas. Respondi que sim, claro, porque a missão principal da coleção do CAM é estar fora, não é ficar aqui.Poderá ter havido uma mudança de pensamento a esse respeito?Acho que não, e não sei o que vai fazer o Sérgio quando chegar [Sérgio Mah, que assume a direção do CAM em maio], mas acho que a ideia não é a de voltar a esta apresentação muito clássica da coleção. Que balanço é que faz destes cinco anos na direção do CAM?Foi uma oportunidade extraordinária de verificar que uma instituição contemporânea, uma instituição do século XXI, pode funcionar com regras novas, de uma maneira mais aberta, de uma forma mais consciente daquilo que é importante. E a dinâmica que criámos como instituição foi trazer o trabalho dos artistas ao público, ou aos públicos, porque é uma comunidade extremamente variada. Há gente que tem muito conhecimento, há gente que não tem nenhum, há gente que tem curiosidade, há gente que vai vir com alguém, mas que, enfim, não queria vir. Há jovens, há pessoas mais velhas, há pessoas com um nível de expectativa muito alto, outras que estão a descobrir. E com tudo isso temos que ver como vamos criar um espírito que permite a qualquer pessoa que entra desfrutar de alguma maneira. .O conselho de administração de então, quando decidiu construir este edifício, poderia tê-lo chamado Museu de Arte Moderna Gulbenkian. Mas não, decidiram chamá-lo Centro de Arte Moderna, centro de arte. Um centro de arte não é um museu.Benjamim Weil. Conseguiu atrair mais público? Sim, subiu. E é interessante, por exemplo, que a exposição Rego/ Varejão [Entre os dentes de Paula Rego e Adriana Varejão, que esteve em exibição de 11 de abril a 22 de setembro ] que era uma exposição difícil - porque o tema era difícil, este encontro entre duas artistas muito fortes era um desafio para o visitante também - foi a exposição mais visitada de toda a história do CAM .Foi um dos grandes sucessos da sua direção? O feedback que temos da exposição de Carlos Bunga também é muito bom. Em geral, acho que a experiência dos visitantes é significativamente diferente do que era antes. Quando cheguei aqui, eu queria trabalhar no espírito do ACARTE. Porque todo o feedback que tive quando falei com pessoas que viviam aqui era que o CAM dos anos 80 era uma coisa extraordinária, era um momento para encontrar novas formas de arte, era um sítio onde podíamos ver coisas muito especiais, muito diferentes do que estava disponível na cena artística em Lisboa. Em 2024, evidentemente, a situação é completamente diferente, porque agora há muitas instituições de arte contemporânea, há uma atividade extraordinária na Culturgest, no CCB, no MAAT...E onde é que o CAM faz a diferença?O que queríamos fazer era sermos mais acessíveis. O feedback que temos dos visitantes sobre, por exemplo, o serviço de mediação, demonstra que funcionou. As pessoas estão muito satisfeitas de poderem entrar num espaço e terem a sensação de que têm todas as ferramentas para o desfrutar da melhor maneira possível. Não estou a dizer que os demais não fazem isso, mas foi uma coisa para nós extremamente importante. Porque arte sem público não significa nada. E não é necessariamente o papel do artista de fazer esta ligação, é precisamente o papel da instituição. Isso foi, para mim, o elemento mais importante. É importante também criar um certo nível de diversidade, é algo que aprendi quando trabalhava em São Francisco. Um dia estava a falar com o nosso diretor e ele disse-me que havia uma comunidade asiática em São Francisco que nunca ia ver as exposições. E fizemos um inquérito e demo-nos conta que nenhum dos artistas que apresentámos era de origem asiática. Então apresentámos um artista asiático e a comunidade asiática foi. E quando fizemos a exposição de Julian Knox, por exemplo, já vimos uma comunidade completamente diferente a aproximar-se do Centro de Arte. Como também com o projeto que teve lugar ao mesmo tempo, de Tristany Mundu, que foi sugerido por Julian Knox e que nós convidámos. Então toda esta comunidade, que nunca veio aqui, aproximou-se. A ideia de ter uma instituição mais acessível a mais pessoas é verdadeiramente a ideia que tivemos quando começámos a trabalhar aqui. Digo tivemos, porque é algo que eu fiz, mas com toda a equipa. O apoio da equipa foi muito importante e a colaboração mais estreita com a diretora-adjunta, Ana Botella, também. Foi um diálogo muito frutífero. .O que queríamos fazer era sermos mais acessíveis (...). Porque arte sem público não significa nada. E não é necessariamente o papel do artista fazer esta ligação, é precisamente o papel da instituição. Isso foi, para mim, o elemento mais importante. E também criar um certo nível de diversidade.Benjamim Weil.Como é que o CAM se posiciona agora no contexto internacional?Há duas coisas. É verdade que uma estratégia que tínhamos desde o primeiro momento foi sempre buscar outras instituições com quem podíamos coproduzir as exposições. Então, por exemplo, a exposição de Julian Knox foi coproduzida com o Barbican de Londres e a La Casa Encendida, de Madrid. Para a exposição de Bruno Zhu, que vai ter lugar em fevereiro, trabalhamos com a Chisenhale, em Londres. A exposição de Rosa Barba coproduzimos com o Maxxi, de Roma. E a exposição de Zineb está agora na Tabacalera em São Sebastião. A ideia de ter itinerância ou de criar sinergias de coprodução foi muito importante. E também, da mesma maneira, a ideia de produzir livros com editoras para ter uma distribuição maior. O resultado disso, evidentemente, é também que há uma perceção mais real do CAM fora deste país. Sei que quando viajamos encontramos pessoas que conhecem o CAM, mas é algo que não podemos medir de maneira absoluta, mas diria que sim, o CAM tem uma presença internacional mais forte agora. Há alguma coisa que gostava de ter feito aqui no CAM e que já não vai ter a oportunidade de fazer? A única coisa que gostaria de ver crescer, de ver se funciona verdadeiramente como pensava que ia funcionar, é todo o Espaço Engawa. Desde o primeiro momento que pensei: os artistas precisam de uma instituição que seja capaz de ouvir as suas necessidades e de ter a mente suficientemente aberta para poder mudar as coisas e adaptar o modelo institucional às necessidades dos artistas. E o Espaço Engawa, e a colaboração com a Universidade Católica e outras instituições do programa ‘Institution(ing)s’, era a ideia de ter um laboratório dentro da instituição onde podemos inventar o futuro. Poder experimentar algo a uma escala muito pequena e ver se funciona para poder implementá-lo numa escala maior. Por exemplo, uma sala de leitura. Não é algo necessariamente tão extraordinário, mas não há muitos museus que têm dentro uma sala de leitura. Ao lado, um espaço onde artistas podem experimentar com formatos expositivos. O primeiro projeto com Francisco Trêpa foi isso. Em vez de começar com uma exposição terminada, começámos com uma exposição que está a elaborar-se durante o curso da exposição, com um artista que vai trabalhar no mesmo sítio cada semana, um dia. Foi uma coisa extraordinária e funcionou. .A única coisa que gostaria de ver crescer, de ver se funciona verdadeiramente como pensava que ia funcionar, é todo o Espaço Engawa. A ideia de ter um laboratório dentro da instituição onde podemos inventar o futuro.Benjamin Weil. E o público tem aderido? Sim, incluindo o artista que tinha medo ao início, porque é muito diferente trabalhar dentro de um espaço público do que trabalhar no estúdio. E, no fim, ele disse-me que tinha sido incrível, que fez encontros extraordinários, que as pessoas fizeram perguntas muito sensatas, que pensou muito no que lhe perguntaram. E elas foram com a ideia de que a arte é uma coisa que é o resultado de um processo criativo, não é só olhar um quadro, uma escultura, um filme, mas vamos ver o resultado de um pensamento. E essa ideia da arte como processo não é algo que é facilmente acessível. Então, este projeto foi uma primeira experimentação para ver como podemos partilhar como instituição o processo criativo. . Na sua carreira, o que gostaria ainda de concretizar?Experimentar, sempre.Levar a arte às comunidades?Sim, no passado fiz dois projetos. Um foi um projeto de doze cartazes de artistas e a exposição era num tubo. Então alguém podia comprar o tubo e deixar os cartazes em casa, mas também podíamos comprar dez tubos e apresentar a exposição nas ruas de uma cidade. Esta exposição foi apresentada em Colónia, Tóquio, Paris, Estocolmo, Torino, em sete ou oito cidades diferentes. E era muito interessante, por exemplo, ver que tipo de gestão do espaço público tem cada cultura. Outra coisa que fiz, em Veneza, foi uma exposição nos vaporetos, que também foi muito interessante, ver a reação das pessoas.Já sabe o que vai fazer a seguir?Por agora vou descansar. Mas tenho vários projetos. E vou voltar a Veneza para ensinar, nos próximos meses. Vou terminar de preparar a exposição de Rosa Barba, evidentemente. Estou a trabalhar com uma galeria de Lisboa, com quem vou fazer um projeto para celebrar um aniversário importante.Ou seja, vai continuar por Lisboa ainda uns tempos?Sim, gosto muito de estar aqui.Já não voltava para Nova Iorque onde trabalhou muitos anos?Não, fui para Nova Iorque em 2008. Não vou voltar, e mais agora, não é fácil. Não gostaria nada. É uma cidade extraordinária, muito dinâmica, gosto muito de voltar lá, porque fica-se com a mesma energia, é extraordinário, mas é muito difícil viver lá.Na atual conjuntura política norte-americana os museus correm o risco de deixar de ser um lugar para o pensamento crítico?O museu hoje é provavelmente - ou o centro de arte, o lugar de cultura e de arte, mais especificamente -, um dos últimos lugares onde temos a oportunidade de não sermos expostos a muitas coisas ao mesmo tempo, por exemplo, não há publicidade, não há muitas coisas que vêm solicitar a nossa atenção ao mesmo tempo. Também é um lugar onde podemos refletir. Quando lançámos o CAM, a ideia era de dizer que é um lugar onde podemos encontrar e partilhar conhecimento, e, pouco a pouco, a experiência da arte seria uma maneira de manter ou despertar o espírito crítico e talvez permitir a compreensão de um mundo cada vez mais complexo, mais difícil, onde há menos certezas, onde ficamos como cidadãos um pouco perdidos. Não há muitos lugares na cidade onde se pode ir e simplesmente olhar, pensar, desacelerar, talvez. E acho que essa função é absolutamente essencial. Uma função - talvez até pudéssemos dizer -, política e que tem um papel essencial na sociedade. Sem museus, onde iríamos para pensar? Onde iríamos para ver imagens que não têm nada de mensagem direta? Os artistas estão a tratar de ideias também, mas não é publicidade, não é propaganda, não é nada disso. .Sem museus, onde iríamos para pensar? Onde iríamos para ver imagens que não têm nada de mensagem direta? Os artistas estão a tratar de ideias também, mas não é publicidade, não é propaganda.Benjamin Weil. O que se está a passar nos Estados Unidos é um efeito perverso do fenómeno woke?Não, acho que é um problema maior. Não tem nada a ver com o conteúdo dos museus, porque o museu está a refletir também o que se está a passar no mundo em geral. Quando eu trabalhava na Fundação Botín, um dia fiz uma exposição e havia sete artistas, dos quais quatro eram mulheres. E alguém disse-me, porque é que selecionou quatro mulheres e três homens? E eu respondi que se fosse ao contrário ele não diria nada. Porque é que parece normal e natural apresentar o trabalho de homens e, quando se apresenta o trabalho de mulheres, é extraordinário? Não faz sentido. Então, há um momento em que temos também de ser mais assertivos com esse tipo de coisas.Evidentemente que há uma reação, porque estas mudanças precisam de muito tempo. Então, quando se vai demasiado rápido, há uma reação que pode ser muito forte. Lembro-me de um livro que foi publicado nos anos 90, chamado Backlash, essa ideia de que quando se enfrenta algo demasiado rápido a reação é muito forte também. É completamente normal. A ideia de woke, para mim, é uma coisa um pouco problemática. O assassinato de George Floyd, em Minneapolis, foi um ponto de partida de consciência. Woke quer dizer consciência. Woke é ser acordado, estar desperto, estar atento ao que está a acontecer, ter um nível de consciência que talvez não tivéssemos antes. Talvez não seja normal que uma vida negra tenha menos importância do que uma vida branca. Foi o ponto de partida de algo, um movimento social que teve muita importância. E a arte contribui para criar essa consciência?Acho que sim, que a arte é um lugar onde se pode manifestar este tipo de coisas de maneira mais tranquila, porque talvez na sociedade é algo que precisa de mais tempo. Mas se vamos dizer sempre que não podemos fazer, que vai ser demasiado forte, não muda nada. Então temos que tentar coisas. O que pensa da arte que se faz em Portugal? É Muito forte, há artistas extraordinários. E, na verdade, eu teria gostado muito de ter apoiado mais artistas, mas não há espaço para fazer tantas exposições de cada vez. E não há dinheiro para comprar tantas obras, mas acho que há coisas extraordinárias aqui. É uma cena muito dinâmica, muito interessante. .António Filipe Pimentel: "O Museu Gulbenkian ganhou uma centralidade que não tinha na instituição. Essa foi a minha luta" .Sérgio Mah será o novo diretor do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian