Grammys. Bad Bunny faz história ao vencer Álbum do Ano com disco em espanhol. Nuno Bettencourt premiado
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Grammys. Bad Bunny faz história ao vencer Álbum do Ano com disco em espanhol. Nuno Bettencourt premiado

Billie Eilish, Bad Bunny e Olivia Dean usaram os discursos de vitória para defenderem os imigrantes e atacarem a agência de imigração ICE. Houve um português entre os vencedores.
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Bad Bunny fez história ao vencer o Grammy de Álbum do Ano com “Debí Tirar Más Fotos”, a primeira vez que um álbum totalmente em espanhol foi considerado o melhor pela Academia de Artes e Ciências de Gravação. 

“Porto Rico, acreditem em mim quando vos digo que somos muito maiores que 100 por 35”, disse Bad Bunny no discurso de vitória, em espanhol, referindo-se às dimensões da ilha. “Não há nada que não possamos conseguir”, continuou o artista, agradecendo a todas as pessoas que acreditaram nele.

Bad Bunny disse apenas uma frase em inglês, dedicando o prémio “a todas as pessoas que tiveram de deixar a sua pátria para seguirem os seus sonhos”.

Antes, o cantor porto-riquenho já tinha criticado a agência de imigração do presidente norte-americano Donald Trump dizendo “fora com o ICE”, quando ganhou o Grammy de melhor Música Urbana pelo mesmo trabalho. “Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos norte-americanos”, afirmou. 

Bad Bunny disse ainda que ódio gera mais ódio e pediu que se lute “com amor”. Quando voltou ao palco para receber o Grammy de Álbum do Ano, discursou em espanhol e dirigiu a única frase em inglês às pessoas que deixam a pátria “para seguirem os seus sonhos”.  

Outro grande vencedor foi Kendrick Lamar, que chegou à Crypto.com Arena, em Los Angeles, como o mais nomeado da noite com nove indicações. Lamar levou cinco estatuetas para casa, incluindo Gravação do Ano por “luther” e Melhor Álbum Rap por “GNX”. 

A Melhor Atuação Pop a solo foi “Messy”, de Lola Young, e a Artista Revelação foi Olivia Dean, que usou o momento no palco para defender os imigrantes.

“Estou aqui como neta de imigrantes. Sou um produto da bravura e penso que estas pessoas devem ser celebradas”, disse a artista. “Não somos nada uns sem os outros”, acrescentou.

Lady Gaga venceu Melhor Álbum Pop Vocal por “Mayhem”. “Todas as vezes que estou aqui sinto que tenho de me beliscar”, disse Lady Gaga, muito emocionada, agradecendo à equipa que trabalhou com ela e deixando conselhos a quem sonha com uma carreira na música. 

“Incentivo-vos a lutarem sempre pelas vossas ideias, pelas vossas músicas, por vós próprios como produtores”, disse Gaga. “Acredito na disciplina e no trabalho árduo”, afirmou também, antes de dirigir palavras de amor ao seu noivo, o empresário Michael Polansky. 

A Melhor Canção do Ano foi para Billie Eilish, com “Wildflower”, que aproveitou o discurso para defender os imigrantes e denunciar o ICE. “Ninguém é ilegal numa terra roubada”, declarou a cantora. “É muito difícil saber o que dizer e o que fazer neste momento”, continuou a artista. “Temos de continuar a lutar, a protestar e a falar”, incentivou, terminando com um “que se lixe o ICE” que a emissora norte-americana CBS censurou, tirando o som na transmissão ao vivo. 

Billie Eillish
Billie EillishEPA

A cantora tinha sido criticada pelo Departamento de Segurança Interna, liderado por Kristi Noem, na sequência de publicações anti-ICE nas redes sociais. 

Na passadeira vermelha, vários artistas usaram pins onde se lia "ICE out", incluindo Justin Bieber. 

Um português entre os vencedores

Na 68ª cerimónia dos prémios Grammy houve também um vencedor português: o guitarrista Nuno Bettencourt levou para casa o gramofone pela atuação em “Changes (Live from Villa Park).

A gravação premiada da canção clássica dos Black Sabbath foi feita em julho de 2025, no Reino Unido, durante o concerto de despedida do cantor britânico Ozzy Osbourne. Bettencourt tocou com o cantor Yungblud, o baixista Frank Bello, o teclista Adam Wakeman e o baterista II.

Os vencedores subiram ao palco dos Grammy juntamente com Sharon Osbourne, viúva de Ozzy Osbourne, que estava visivelmente emocionada com a vitória. Yungblud fez o discurso de aceitação e Nuno Bettencourt falou mais tarde aos jornalistas, na sala de entrevistas aos vencedores. 

O português nascido na Ilha Terceira, Açores, falou da ascensão da Inteligência Artificial e disse aos músicos aspirantes que não se preocupem com isso, porque nada pode substituir a magia das atuações ao vivo. 

"Esta é a maior oportunidade para os rockers e para o rock'n'roll", afirmou. "A música verdadeira e as canções verdadeiras são histórias reais que te tocam, há sangue na partitura, colocas-te nessa partitura e ninguém vai reproduzir isso", continuou. 

Nuno Bettencourt
Nuno BettencourtEPA

"A imperfeição é a essência do rock'n'roll. Toda a gente tenta disfarçar as imperfeições, mas é aí que reside a essência", disse. "E, se conseguires fazer isso em palco, que é onde o rock'n'roll realmente acontece, a IA não se vai meter contigo", acrescentou.

Minutos antes, Yungblud tinha usado o discurso de vitória para agradecer a Ozzy Osbourne, que morreu apenas duas semanas depois do concerto "Back to the Beginning", onde a versão premiada de "Changes" foi gravada. 

"Crescer a adorar um ídolo que ajudou a encontrar a nossa identidade, não apenas como artista mas também como homem, é algo pelo qual estou muito grato", disse o cantor. "Mas, depois, formar uma relação com ele e honrá-lo no seu último espetáculo, é algo estranho de compreender". 

Yungblud prometeu que "a música rock está de volta" e disse que "seis gerações de músicos rock" se juntaram para fazer acontecer a performance em Villa Park, Birmingham. 

Nuno Bettencourt, guitarrista da banda Extreme e CEO da Atlantis Entertainment, era um de dois portugueses nomeados para a 68ª edição dos Grammy. 

O outro era Bráulio Amado, designer e ilustrador, que foi nomeado na categoria de Melhor 'Recording Package'" pelo trabalho gráfico do álbum "Balloonerism", de Mac Miller, desenvolvido com o artista norte-americano Alim Smith.

O Grammy acabou por ser entregue a Meghan Foley e Michelle Holme, diretores de arte de "Tracks II: The Lost Albums", de Bruce Springsteen. 

Lista de principais premiados:

Álbum do ano: “Debí Tirar Más Fotos”, Bad Bunny

Gravação do ano: “luther", Kendrick Lamar com SZA

Canção do ano: “Wildflower", Billie Eilish e Finneas O’Connell

Melhor performance pop a solo: “Messy”, Lola Young

Artista Revelação: Olivia Dean

Melhor álbum pop vocal: "Mayhem", Lady Gaga

Melhor álbum rap: “GNX”, Kendrick Lamar

Melhor álbum música urbana: “Debí Tirar Más Fotos”, Bad Bunny

Melhor álbum rock: “Never enough", Turnstile

Melhor vídeo de música: "Anxiety", Doechii

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