Por vezes, os filmes convocam-nos também através de uma assinatura. Assim acontece com As Provadoras de Hitler, uma realização do italiano Silvio Soldini resultante de uma coprodução que envolveu entidades de Itália, Bélgica e Suíça. Neste caso, o nome que justifica particular atenção é o de um extraordinário diretor de fotografia: Renato Berta (nascido na cidade suíça de Bellinzona, em 1945).Esta é a história das mulheres que, em 1943, foram “mobilizadas” para provar os pratos servidos nas refeições de Adolf Hitler, já que os serviços de segurança nazis temiam que alguém tentasse assassinar o seu líder envenenando os alimentos servidos no seu refúgio. O mínimo que se pode dizer da direção fotográfica de Berta é que a densidade das suas cores e a frieza da respetiva iluminação são elementos determinantes para a inquietação dramática que contamina todas as cenas do filme. Convém não esquecer que Berta, além de ter sido uma personalidade fundamental do Novo Cinema suíço (trabalhando em particular com o realizador Alain Tanner), foi também responsável pelas imagens de vários títulos de Jean-Luc Godard, Jean-Marie Straub/Danièle Huillet ou Jacques Rivette, além de ter mantido uma colaboração regular com Manoel de Oliveira até à sua derradeira longa-metragem, O Gebo e a Sombra (2012).Lançado em Itália há cerca de um ano, As Provadoras de Hitler não é, evidentemente, um tradicional “filme de guerra”. Em termos narrativos, é mesmo importante que tudo comece pela apresentação da personagem de Rosa (Elisa Schlott): o seu marido está na frente de combate, tendo ela decidido sair de Berlim para viver na zona rural onde habitam os sogros. A proteção que o lugar lhe oferece cedo se revela uma ilusão, já que acaba por ser uma das mulheres, todas relativamente jovens, obrigadas a desempenhar a função de “provadoras”.É pena que o filme tenha um argumento de desigual equilíbrio dramático, por vezes tornando-se algo “demonstrativo”, desnecessariamente simbólico, sobretudo nas sequências do envolvimento de Elsa com um oficial alemão. Prevalece, ainda assim, um assinalável cuidado na construção dos ambientes (desde logo em termos cenográficos) que faz com que As Provadoras de Hitler escape às convenções de muitos telefilmes ou séries sobre episódios específicos da Segunda Guerra Mundial. Trunfo maior é, em dúvida, a qualidade global do elenco, com destaque para Elisa Schlott e também Alma Hasun, intérprete da judia que Rosa tenta proteger..Quando Leibniz fez pose para um retrato