António Pinto Ribeiro, distinguido Cavaleiro das Artes e Letras pelo Governo de França em 2001, foi diretor artístico e programador cultural de várias instituições culturais nacionais, como a Culturgest, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Foi também comissário-geral de "Passado e Presente - Lisboa Capital Iberoamericana da Cultura 2017". O livro que lançou agora, Poder da Cultura - Questões Permanentes (Temas e Debates), reúne um conjunto de textos escritos entre 1996 e 2023. Ao DN, o autor fala sobre como vê a Cultura e critica a política do Governo nesta área. O cinema é a arte onde nota maior “pulsão de vida” em Portugal. Prefere usar a palavra cultural em vez de cultura. Porquê?Quando se fala de cultura, ninguém está a saber exatamente do que é que está a falar. Dentro deste significante, cabe tudo e não cabe nada. É um pouco como se cada um quisesse projetar, naquela ideia que tem de cultura, o que acha que é cultura. Enquanto cultural expressa algo diferente e, do meu ponto de vista, mais correto. Cultural é um sistema, e o sistema cultural é muito mais do que uma visão opinativa sobre cultura que alguém possa ter. O sistema cultural engloba, naturalmente, a produção cultural, as práticas culturais. Mas implica também, por exemplo, sistemas de mobilidade para que as pessoas se desloquem às atividades culturais. Implica também os poderes, desde os poderes centrais até aos poderes autárquicos e aos poderes das organizações. Engloba coisas hoje tão determinantes como o poder que têm as redes digitais na produção cultural e na sua difusão. Portanto, é um sistema muito mais complexo do que, aparentemente, se pode dizer, está conectado com outros sistemas. Implica também uma questão central que é a relação com outros sistemas culturais estrangeiros ou internacionais.Escreve que entre as questões permanentes da cultura estão a "finitude, a crise e a pulsão da vida"...Ao introduzir esses três temas, eu estou a fazer uma grande viagem sobre aquilo que é, de facto, a produção cultural e as questões que lhe são subjacentes. Há temas ou há problemas com os quais nós hoje nos confrontamos, com que já se confrontou Aristóteles, já se confrontaram os medievalistas, os românticos e muito mais. Portanto, há uma validade no conjunto desses temas que, do meu ponto de vista, são hoje também ainda importantes e que ultrapassam uma visão mais redutora da atividade cultural como uma coisa meramente administrativa, o que é que o Ministério da Cultura faz, o que é que a autarquia faz, o que é que as organizações fazem. Ou seja, a produção cultural, ela própria, tem uma posição de transcendência em relação àquilo que é a comunidade. Não podemos restringi-la a aspetos meramente administrativos e pontuais.Tem uma frase no livro que diz "em todas as folhas de sala dos teatros, cinemas e museus deveria estar escrita a idade do universo da terra e do aparecimento da vida"...Eu creio mesmo que devia estar escrita, por duas razões. Primeiro, porque essa é uma questão substantiva para a qual nós estamos aqui; e a segunda é porque, de uma forma geral, a produção cultural tem descurado bastante a dimensão científica da vida e a dimensão científica da produção cultural. Eu acho isso lamentável, é uma forma de nós não vermos o mundo para além das visões mais domésticas que temos sobre a produção cultural..O livro inclui um conjunto de textos publicados nos jornais que resultaram de um debate público que teve com o Vasco de Graça Moura, em 2002, sobre património versus arte contemporânea...Foram umas semanas muito - porque não dizer - bonitas, na medida em que nós tínhamos posição, nalguns casos absolutamente antagónicas, mas o respeito um pelo outro era enorme. E eu acho que foi um debate muito interessante, foi muito produtivo, sem nunca descer abaixo do bom gosto e do respeito pelo outro. E ainda assim conseguimos defender posições que eram absolutamente antagónicas, em alguns casos. .Do ponto de vista governamental, a situação é bastante dececionante. Creio que o Ministério da Cultura não está minimamente preparado para nos apontar ou sugerir um determinado tipo de política cultural que de facto estimule, dê uma visão de que a atividade cultural é absolutamente determinante para ultrapassarmos a banalidade quotidiana.António Pinto Ribeiro. Do ponto de vista da política cultural, como é que avalia o atual panorama nacional?Temos vários níveis, o nível governamental, o nível autárquico, o nível das organizações. Eu creio que, do ponto de vista governamental, a situação é bastante dececionante. Creio que o Ministério da Cultura não está minimamente preparado para nos apontar ou sugerir um determinado tipo de política cultural que de facto estimule, dê uma visão de que a atividade cultural é absolutamente determinante para ultrapassarmos a banalidade quotidiana e para ultrapassarmos aquilo que hoje é perigosíssimo que são as informações falsas. Acho que não tem pessoas que, de alguma forma, reivindiquem para a atividade cultural uma política cultural de enriquecimento da vida, de enriquecimento de cada um de nós. Aliás, é a própria Ministra que diz que não sabe o que é cultura e, portanto, desse ponto de vista, parece-me que é lamentável [Em entrevista ao Expresso em novembro de 2025, Margarida Balseiro Lopes disse: "O que não quero é que seja a ministra a dizer o que é cultura. Não serei eu a dizer o que é cultura]. Depois, as autarquias é conforme, há umas melhores, outras piores. Em termos de organizações culturais, algumas têm feito e continuam a fazer algum trabalho premente e fundamental. Muitas vezes temos um equívoco que é identificar a atividade cultural apenas com a atividade artística, é um erro crasso. Porque a atividade artística faz parte do sistema cultural, mas não se esgota nele. Se tivermos consciência disso, percebemos que as atividades que as pessoas fazem, que eventualmente são práticas culturais menos espetaculares, menos sedutoras, são por vezes muito determinantes no nível da educação e das práticas comunitárias. Há um texto que diz que nos faltam pintores de domingo, que nos faltam atividades amadoras, que nos falta um trabalho de debate comunitário. A questão do debate é fundamental, uma das grandes riquezas da nossa democracia é as pessoas poderem falar. E muitas vezes isso está a ser bastante desconsiderado. Acho que temos uma enorme falta de debate público sobre o sistema cultural e dentro do sistema cultural. Seria desejável que o tivéssemos mais frequentemente e de uma forma mais importante. .E mantém-se atual essa divergência na forma de ver a cultura?Eu creio que se o Vasco fosse vivo, com certeza teria avançado para outras questões mais identificadas com as minhas e eu, eventualmente, também. Há uma questão que é central e que foi central durante muitos anos, sobre o atribuir à esquerda, – seja lá o que isso quer dizer –, a defesa da arte contemporânea e à direita a defesa do património. Isso hoje não pode ser visto dessa forma tão maniqueísta e tão primária. Por um lado, porque não existe uma cultura de esquerda, existem várias culturas de esquerda, como existem várias culturas de direita, e, por outro lado, porque quer num caso como noutro, na diversidade de um lado ou de outro, a importância da herança cultural e da herança artística – prefiro o termo anglossaxónico herança do que o termo património – é fulcral, é fundamental. Porque também tem a ver com a memória, pese embora hoje tenhamos que rever a história que nos foi legada. E também creio que o centro-direita mais esclarecido também defende hoje a produção contemporânea. .Não existe uma cultura de esquerda, existem várias culturas de esquerda, como existem várias culturas de direita.António Pinto Ribeiro.Vê sinais de “nacionalismo” na cultura? Há culturas de direita em que o patriotismo tem sim vindo a ser substituído por um nacionalismo serôdio, um nacionalismo autoritário, uma forma de mitificação do passado, que não corresponde nada ao que de facto foi o passado, que tem a ver, por um lado, com desconhecimento, ignorância, falta de preparação histórica, mas tem a ver também com a ideia de que o passado é sempre melhor do que o presente. É uma ideia que os nacionalistas defendem, porque é uma forma de tentar regredir para um passado que na verdade nunca existiu. E hoje esses nacionalismos existem em praticamente todos os países, e são perigosos, porque é desconsiderar todo o trabalho histórico e de investigação que tem sido feito nos últimos 30, 40, 50 anos. E, por outro lado, é importante perceber que o mundo tal como hoje nos aparece tem que ser interpretado de forma diferente daquele que foi no passado.Um dos aspetos importantes do nosso quotidiano, do nosso dia-a-dia, é podermos interpretar o presente tendo em vista o futuro. Isso é absolutamente determinante para reconhecermos como é que os outros funcionam, reconhecermos quais são os valores de outro, reconhecermos a capacidade que nós temos de fazer história. Cada um de nós, eu, você, outras pessoas, somos fazedores da história. Nesse sentido, não podemos estar a regredir para um passado histórico completamente revisionado. . Como é que vê as mudanças recentes nas direções do Teatro do Bairro Alto e do Museu do Aljube?Há dois aspetos que parecem separados, mas que não estão na verdade separados. Não foi apenas mudar diretores de duas instituições da Câmara. Na leitura que eu faço, é uma mudança administrativa que corresponde a um saneamento, tanto mais que não há uma avaliação pública negativa dessas pessoas, pelo contrário. Os testemunhos da Egeac, e do presidente da Câmara é de que eram pessoas que tinham feito um excelente trabalho. Portanto, se fizeram um excelente trabalho, por que é que são substituídas? Põe em causa a pluralidade na política cultural?Sem dúvida nenhuma. Plural, porque no caso do Teatro do Bairro Alto, gostemos mais ou gostemos menos daquilo que lá era apresentado, tem a ver com propostas de diversidade. Uma cidade é tanto mais rica, mais interessante, mais reconhecida em termos internacionais, mais estimulante para a vida dos cidadãos, quanto maior for a diversidade. Eu não tenho que gostar das coisas que se passam no Teatro do Bairro Alto, desde que elas sejam feitas com profissionalismo, ética e legalidade. O gosto, o melhor gosto ou o pior gosto, é uma questão muito individual e nenhuma decisão pode ser tomada baseada na ideia do gosto. Neste caso, foi uma troca de favores, como é publicamente sabido, entre o Presidente da Câmara e um partido político. .Eu não tenho que gostar das coisas que se passam no Teatro do Bairro Alto, desde que elas sejam feitas com profissionalismo, ética e legalidade. O gosto, o melhor gosto ou o pior gosto, é uma questão muito individual e nenhuma decisão pode ser tomada baseada na ideia do gosto. António Pinto Ribeiro . Um dos textos do livro, de 2004, é uma análise à Lisboa Capital Europeia da Cultura de 1994, passada uma década. Agora, em 2026, como é que se alterou a paisagem cultural?Na verdade, entre 1991, quando foi a Europalia, Portugal em Bruxelas, e 2004, foi um período áureo da apresentação, produção e disseminação daquilo que era o mais interessante que havia na Europa. O facto de, na época, e hoje ainda um pouco, mas na época, fazermos parte de uma periferia tinha uma vantagem: é que as coisas do internacional que cá chegavam já tinham sido selecionadas. Portanto, acabávamos por ter menos atividade cultural, do que terá a França, Alemanha, por aí fora, mas tínhamos a capacidade de poder selecionar o que de melhor tinha acontecido. Isso do ponto de vista internacional. Do ponto de vista nacional, havia um grande estímulo à produção, e esse estímulo também era muito assente na ideia da diversidade, na ideia profunda de cosmopolitismo. Creio que foram dos anos mais gloriosos do país, pese embora diferenças fulcrais que havia entre a programação de Lisboa e Porto e o resto do país, não podemos esquecer que era completamente desfasada. Hoje eu creio que há uma maior proliferação de atividades, é preciso ter quase o dom da ubiquidade para ir assistir a tudo o que nos apetece ver, contudo, da minha avaliação, eu acho que está um país mais domesticado, menos interessante, menos estimulante, do ponto de vista do que é a apresentação de objetos visuais ou performativos internacionais, as grandes exposições internacionais que eu posso ver em Paris, Barcelona, Berlim, noutras cidades europeias. Há pouca equivalência ou importância destas referências internacionais entre nós. E, por outro lado, fruto também de haver mais propostas, há menos dinheiro a distribuir pelas organizações, pelos artistas e pelos produtores culturais. Havendo menos dinheiro, há menos capacidade de produção, de investigação e de experimentação. Havendo menos dinheiro, há menos capacidade de produção, menos capacidade de investigação, menos capacidade de experimentação. Portanto, uma das razões é que o país é pobre e não tem capacidade de corresponder a potenciais obras e criadores que, porventura, com outras condições, fariam melhor do que o que fazem. Do meu ponto de vista é muito mediana a produção artística em Portugal, acho bastante mediana mesmo.Em alguma área em particular ou é transversal?Nas áreas que custam mais caro, ou seja, na ópera, também naquilo que são grandes produções teatrais, grandes produções coreográficas e, como eu dizia, as grandes exposições internacionais que nós não temos o privilégio de ver. .Fruto também de haver mais propostas, há menos dinheiro a distribuir pelas organizações, pelos artistas e pelos produtores culturais. Havendo menos dinheiro, há menos capacidade de produção, de investigação e de experimentação.. Fala em espetadores-consumidores, espetadores zapping, o consumismo sob a forma de espetáculo.Exatamente, na maior parte das situações é isso que acontece, esta ideia de que existem indústrias criativas, que é um erro crasso do capitalismo neoliberal. E também outra coisa, que é a necessidade que nós temos de ter tempo. Com certeza que já lhe aconteceu a si ver um espetáculo, e necessitar de tempo para refletir sobre aquilo que viu, e, portanto, dar espaço a essa reflexão, a essa capacidade de fruir aquilo que acabou de ver e não ir logo a correr para outro, porque acha que é preciso ver essas coisas todas. Não é.Considera que são os "efeitos perversos da abundância"?Exato, é o efeito perverso de uma abundância que é baseada na ideia do consumismo. Ou seja, produção artística feita para atrair o espetador?Também nesse sentido é isso que acontece. A ideia do entretenimento, que tem toda a razão de ser, sobretudo quando é de bom gosto, elevado, não pode ser também o padrão para toda a atividade artística. Há situações em que o tédio é importante, que uma obra me transmita tédio. A filosofia nasceu do tédio. Está tudo muito pervertido.Também fala nos centros culturais como grandes superfícies.Isso era muito numa época quando começou a haver esta ideia de que os centros culturais ofereciam tudo e mais alguma coisa. Foi um fenómeno que aconteceu, inspirado, aliás, noutros modelos que vieram de fora, mas hoje - até porque a capacidade que os centros culturais têm de produzir e de apresentar é bastante menor do que era há 20 anos -, estão de alguma forma a reconfigurar-se. É aquilo que eu pressinto.Também há mais centros culturais agora do que há vinte anos.Há mais, mas também estão a ser mais museus, ou estão a ser mais salas de espetáculo, ou seja, necessitam de se posicionar relativamente ao que é a paisagem dos equipamentos culturais no país.Defende que deviam diferenciar-se?Acho, aliás, que isso é imperativo. Há um exercício que nós podemos fazer, e que diz bem de uma certa mediania: se tirar o logotipo da capa de três ou quatro programas que tenha na mão, portanto, sem identidade, sem a identificação do lugar de onde provêm, muitos programas são tão semelhantes que podiam ser de um ou de outro equipamento cultural, porque a sua diferenciação é mínima. Mais uma razão para não ter nenhum sentido terem acabado com a direção do Teatro Bairro Alto e do Museu do Aljube. Diz que "as crises pequenas e grandes" na cultura ultrapassam-se com a pulsão de vida dos criadores. Onde é que essa pulsão é mais visível hoje em Portugal?Quando eu falo desses dois tipos de crise, uma é a crise doméstica e administrativa, de que falámos há pouco, e depois há outra crise, que é, no fundo, a crise do humano. E isso, eu acho que, de alguma forma, em Portugal, nós vemos uma pulsão de vida que tenta superar isso, muito no cinema, por exemplo. Também na literatura, mas o cinema, do meu ponto de vista, é hoje uma das artes onde essa pulsão de vida é absolutamente evidente e é muito contagiante. . Mas, conforme disse, também há muita oferta.Imensa, imensa, e há um efeito também um bocado perverso, de que aliás eu falo no livro, que é uma substituição daquilo que nós chamávamos a prática cultural ou artística e o espetador e visitante, por uma ideia de consumo. A ideia de consumo é completamente empobrecedora, porque depois as pessoas veem-se não como espetadores, mas como consumistas e, portanto, nalguns casos até correm atrás de coisas a uma velocidade desinteressante e muito empobrecedora do que deve ser a relação do espetador com as obras de arte. .Não basta ir inaugurar feiras. É preciso intervir. Os territórios internacionais da cultura são territórios muito difíceis, são territórios de grande disputa.António Pinto Ribeiro . Diz que a cultura é "o eixo do entendimento do real, mas também da sua transformação". É aí que reside o poder da cultura?A cultura tem este paradoxo muito interessante. Por um lado, é bastante desvalorizada. É desvalorizada na comunicação social, é desvalorizada, pelos poderes administrativos, é desvalorizada em vários sítios. E, contudo, ela tem essa capacidade de fazer superar o humano. É o poder simbólico que a cultura tem. É muito particular e tem uma enorme energia. É um dos poderes e virtudes que o sistema cultural pode ter e tem. Por outro lado, já caíram ministros por causa da cultura e, portanto, aparentemente, não tem potência, tem sempre um orçamento mais baixo em todos os governos e, ainda assim, tem essa capacidade de intervir na sociedade, no país, no território. Se fosse ministro da cultura, qual seria a primeira medida que tomaria?Estimular o debate público e universal sobre o papel da cultura.Há pouco criticou o Governo, o que é preciso fazer nesta área que não está a ser feito?É necessário ter uma política cultural cosmopolita, tão simples quanto isso. Para tanto, é preciso estar preparado, é preciso ter linhas de orientação para o futuro, é preciso, de alguma forma, estar atento ao que se passa noutros territórios internacionais. Hoje, o estatuto de ministro da Cultura, em qualquer país, não só em Portugal, é, por exemplo, o de intervir nos fóruns internacionais para promover e estabelecer relações de colaboração com os outros governos e países. Um ministro da Cultura, hoje, que seja um bom ministro, tem este papel, aparentemente, de relações públicas, mas que não é. Nós vivemos em época de disputa de territórios, em todas as áreas. Da agricultura, à energia, inclusivamente à prática cultural e representatividade cultural que um país pode ter. E isso é um papel para o qual é preciso estar bastante preparado – e querer também. Considera que essa dimensão internacional está ausente na política cultural neste momento?Tanto quanto eu sei, está. Porque não basta ir inaugurar feiras. É preciso intervir. Os territórios internacionais da cultura são territórios muito difíceis, são territórios de grande disputa. .O PODER DA CULTURA - QUESTÕES PERMANENTESAntónio Pinto RibeiroTemas e Debates294 páginas