Antes de RAP e Lobo Antunes, D. Dinis chega ao México

Abertura da Feira Internacional do Livro de Guadalajara com homenagem a Ida Vitale. Portugueses com lugar garantido na festa mexicana pois estão no lote do país convidado.

Por todo o lado ouve-se falar português e veem-se as cores vermelha e verde nacionais, nada de especial por estes dias em Guadalajara onde Portugal é o país convidado da Feira Internacional do Livro. Uma presença que neste sábado foi institucionalizada com a abertura oficial do evento em cerimónia à moda mexicana: muita confusão, protestos públicos, fazer-se notado, e muitos discursos...

A sala gigante onde decorreu a cerimónia que abriu as portas da FIL chama-se Juan Rulfo, o também gigante das letras desta parte do mundo. Que só publicou dois romances e um outro com textos, um número incomparavelmente menor ao que a maioria dos autores portugueses se apresenta nesta maior feira do livro da América Latina.

Neste auditório vai ser atribuído o Grande Prémio da FIL à escritora uruguaia Ida Vitale e vai estar o nobel Orhan Pamuk, entre o grande desfile de estrelas literárias. Mas é Vitale a primeira a ser homenageada no primeiro dia maior desta FIL 2018, por onde passa uma média diária de 800 mil visitantes. Os primeiros escritores portugueses só sobem ao palco depois do almoço, ou seja, são a cereja em cima de um bolo literário preparado com os melhores condimentos das letras de quase todo o mundo. Afinal, já vai na 32.ª edição.

Primeiros discursos da festa

Discursos... Dezanove personalidades estão na mesa sobre o palco do auditório. São apresentados e seguidos de palmas, que aumentam de volume quando chega a vez de Ida Vitale. "Distintos membros da mesa, editores, escritores, amigos e amigas, bem-vindos" é o tom do discurso inicial. Quando chega a parte do agradecimento à presença portuguesa, o discurso compara México e Portugal, recorda os descobrimentos, o fado, Fernando Pessoa, lembra a obra de Maria Teresa Horta e de José Saramago. Não vale a pena especificar outras particularidades dos discursos que abriram o apetite intelectual e biológico às centenas de presentes, até porque tinham sempre um sabor misto entre a submissão ao poder recém-eleito ou à sua crítica áspera, bem como palavras sábias e vãs sobre a literatura.

Um vídeo de homenagem ao escritor Fernando del Paso, falecido neste ano, intervala os discursos que se seguem. Outro falecido que é recordado nos discursos chama-se Camões, quase sempre esquecido dos discursos de agora que referem mais Pessoa.

Quando chega a vez da ministra da Cultura portuguesa, Graça Fonseca evoca D. Dinis e a temática da chegada na primeira poesia. Daí salta para a chegada desta "embaixada portuguesa" à FIL e aos autores consagrados, sem esquecer os menos conhecidos, que embarcaram nesta viagem a Guadalajara, bem como as artes plásticas, o teatro e o cinema. Felizmente a ministra evitou o portunhol e no painel atrás de si transcrevia-se em língua portuguesa o que dizia.

Antes da visita ao Pavilhão de Portugal, ainda se ouviu um dos poucos pensamentos que ficaram na memoria: "Não estamos sozinhos, os livros acompanham-nos por todos os lados."

Escritores a caminho

Entre as presenças nacionais anunciadas estão as delegações de duas editoras com um bom lote de autores, é o caso da Quetzal e da Companhia dos Letras. Manuel Alegre não virá por razões de saúde mas a sessão reservada para a apresentação dos seus Poemas de Amor em língua espanhola mantém-se. António Lobo Antunes (ALA) está em destaque no suplemento Babelia do jornal El País, e cabe a Ricardo Araújo Pereira (RAP) dar início à programação nacional dos escritores portugueses. Não faltam autores na cerimónia de abertura, como José Luís Peixoto, que vai publicar mais duas traduções após a anterior meia dúzia já disponível nesta América Latina, Rui Zink ou Nuno Júdice... No entanto, a maioria dos autores portugueses ainda vêm no ar, a caminho da festa mexicana, que só termina no dia 2 de dezembro.

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