Amadora BD arranca com exposições dedicadas aos 80 anos de Lucky Luke e Blake & Mortimer
Quase a chegar a quarenta edições, o Festival Internacional de Banda Desenhada AmadoraBD, que arranca hoje, 15 de outubro, propõe uma programação que é “um espelho da evolução da banda desenhada contemporânea”, disse à Lusa a diretora, Catarina Valente.
A 37.ª edição do Amadora BD abre portas com 14 exposições, a maioria no Parque da Liberdade, e a presença de dezenas de autores portugueses e estrangeiros para sessões de autógrafos, conversas e apresentação de novidades editoriais.
“Todos os anos temos autores a trabalhar temáticas distintas, a refletir sobre problemáticas sociais vigentes, portanto, que estão na ordem do dia, a desconstruir também aquilo que entendemos por banda desenhada mais clássica”, exemplificou Catarina Valente.
Entre as exposições previstas, há uma dedicada aos 80 anos das séries Lucky Luke – com originais do desenhador e criador Morris -, e outra sobre os 80 anos da série Blake & Mortimer, com a presença do desenhador Peter Van Dongen, e ainda uma retrospetiva do autor canadiano Guy Delisle, que estará em Portugal.
Os 25 anos da personagem Menino Triste, do autor português João Mascarenhas, e os 20 anos da editora portuguesa Kingpin Books também serão recordados no festival.
Haverá ainda mostras individuais – com a presença dos autores – de Patrícia Costa, Vasco Gargalo, Pedro N. e Manuel Monteiro, Mansoureh Kamari, Thomas Gilbert e Joseph Homs.
Na galeria municipal Artur Bual estará uma mostra retrospetiva dedicada ao projeto português Spam Cartoon, de Cristina Sampaio, André Carrilho, Tiago Albuquerque, João Fazenda e João Paulo Cotrim. Está prevista a edição de um livro-antologia.
Este ano, uma das novidades é a criação do “Artist Alley”, um espaço destinado aos “autores cujas chancelas são mais independentes”, para que possam apresentar-se em nome individual e vender as suas auto-edições e livros de artista.
Quando questionada sobre se o festival tem tido capacidade de se reinventar a cada ano, Catarina Valente responde que o AmadoraBD – que é organizado pela autarquia da Amadora – tem “sabido ouvir não só a comunidade bedéfila, mas também os visitantes”.
“Acho que essa auscultação tem sido feita de ano para ano com os participantes também das diferentes atividades, ouvindo também a crítica, ouvindo também as vozes da banda desenhada. (…) Se o festival estiver atento às opiniões da comunidade, obviamente vai espelhando aquilo que a comunidade também gostaria de ver e de usufruir”, disse.
Este ano, o AmadoraBD foi antecipado uns dias face a anos anteriores, para que inclua a celebração, no dia 18, do Dia Nacional da Banda Desenhada, consagrado em Portugal pela primeira vez em 2024.
É nesse dia que a organização vai anunciar os vencedores dos prémios anuais de banda desenhada do AmadoraBD, que este ano contam com um reforço monetário: O prémio para a melhor obra de BD de um autor português duplica para dez mil euros e, pela primeira vez, o Prémio Revelação tem um valor pecuniário de três mil euros.
Ao Prémio Revelação são candidatas A cada sete ondas, de Beatriz Brajal, Canalha borrada, de Zé Lázaro Lourenço, A solidão do ser, de Helena Sá, Manda msg quando chegares, de R.G.B., e O cão invisível, de Wandson Lisboa.
Para a categoria de Melhor Obra de BD de Autor Português foram selecionados Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo e Júlia Barata, Rare Flavours, de Filipe Andrade e Ram V, Dormindo entre cadáveres, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci, O progresso da humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins, e Atrahasis, de David Soares e Sónia Oliveira.
Os prémios distinguem ainda a Melhor Obra Estrangeira de BD Editada em Portugal, a Melhor Fanzine ou Publicação Independente e a Melhor Edição Portuguesa de BD.
O júri é composto pelo autor Luís Louro, pela especialista em banda desenhada Cristina Alves e por Rui Cartaxo, em representação do município da Amadora.
Quanto às dúvidas já levantadas sobre os critérios de inclusão de determinados livros candidatos que escapam aos parâmetros do que é uma banda desenhada, Catarina Valente remeteu para a subjetividade das decisões do júri.
“As obras nomeadas no Prémio Revelação, que neste caso foi a que suscitou mais dúvidas, creio eu, é uma nomeação subjetiva (…) e sendo esta eleição subjetiva, ela pode sempre causar dúvidas, como eventualmente causará todos os anos, porque é impossível ir ao encontro das expectativas de toda a comunidade e todas as vozes da BD”, disse.
O AmadoraBD decorrerá até ao dia 25 e toda a programação está em amadorabd.com.
Segundo Catarina Valente, o festival “faz parte do calendário e da agenda dos participantes e dos admiradores da banda desenhada” pelo que tem um número consolidado de visitantes a rondar as 20 mil entradas, registadas em 2025.

