Alba Baptista: a vida desta jovem portuguesa vai mudar devido a série na Netflix

Pode-se ver Alba Baptista em Caminhos Magnétikos, o novo filme de Edgar Pêra, mas no festival de San Sebastián foi o raio de luz em Patrick, de Gonçalo Waddington. Segue-se o papel como protagonista na série Warrior Nun, da Netflix.

A atriz portuguesa Alba Baptista está em vésperas de uma explosão internacional devido à série da Netflix Warrior Nun, na qual desempenha um papel de protagonista. A série será exibida dentro de meses e é baseada num comic, sendo uma das apostas fortes americanas do gigante do streaming e inteiramente falada em inglês.

Em entrevista ao DN, Alba Baptista conta como foi um trabalho que durante seis meses colocou a atriz em Málaga ao lado de um elenco internacional - em que figura também Joaquim de Almeida. "Tudo isto não me caiu do céu. Era o que sempre quis e espero agora usufruir. Quero ter ambição e uma carreira internacional, trabalhei duro para isto, mas é importante manifestares o teu desejo ao universo."

Para Alba Baptista, nada acontece por acaso: "Obviamente que a sorte também conta e passa por estarmos no sítio certo à hora certa. O envolvimento a nível de networking com as pessoas certas é fulcral. Estou nesta situação porque sempre tive os meus objetivos muito bem traçados e com boas intenções e respeito", revela do alto dos seus 22 anos.

Apanhámos a atriz depois de uma sessão de fotografias para a agência de imagens Getty. Está no Hotel Maria Cristina, em San Sebastián, e cumpre sem nervosismos os seus deveres de promoção de Patrick, o mais belo dos filmes da competição do festival que decorreu na semana passada. Interpreta uma jovem que tenta aproximar-se do primo, um jovem que foi raptado aos 8 anos e agora reaparece com outra identidade.

Uma personagem que é o raio de sol de um filme na escuridão. "Este lado das fotografias, tapete de vermelho e coisas do género, é algo que faz parte daquilo que quero seguir: o cinema internacional. São ossos do ofício e não é mesmo a minha parte preferida do trabalho", diz-nos com dicção perfeita, ela que fala fluentemente francês, inglês e alemão.

Além de Patrick, que apenas se estreia em Portugal no primeiro trimestre do próximo ano, nesta semana já a vemos em Caminhos Magnétykos, de Edgar Pêra, onde é a noiva de Paulo Pires numa adaptação ultraexperimental do universo de Branquinho da Fonseca.

Aliás, quem tem acompanhado o cinema português nos últimos tempos é impossível não esbarrar no seu rosto. Primeiro foi no injustamente esquecido Leviano, de Justin Amorim, depois presença notada em curtas como Equinócio, de Ivo M. Ferreira, e Tudo o Que Imagino, de Leonor Noivo, passando ainda de raspão pelo flopLinhas de Sangue, de Sérgio Graciano e Manuel Pureza. O seu aspeto de menina-mulher talvez seja apropriado para papéis em que joga com a fronteira da idade adulta.

Acerca de Patrick, não se cansa de dizer que foi a experiência cinematográfica em que se sentiu mais próxima de uma noção de família. Quem vir o filme de Gonçalo Waddington vai perceber que entre os atores há uma ligação para além da intimidade, sobretudo na relação entre Hugo Fernandes, o Patrick do título, e a sua prima, o tal raio de luz de Alba: "Construímos uma back story para ela: alguém que foi para o Brasil por escolha própria por não ter querido ficar a crescer num ambiente rural. Era alguém que quis sempre explorar. Nesse sentido, quisemos levar alguma frescura para a personagem. No meio de um filme tão pesado e denso, ela é a luz."

E neste verão da consagração do cinema português no circuito dos grandes festivais, Alba mostra-se orgulhosa de fazer parte de toda uma diversidade que a interessa. Em Caminhos Magnétykos, Edgar Pêra explorou bem a sua simbiose de força e fragilidade: "O que foi incrível nesse filme é que quase todos os dias o guião era reescrito ou era adicionada uma cena! Um ator tem de estar num passo também avançado, tal como o Edgar. Nós podemos estar três passos à frente, ele está sempre cinco! Foi desafiante."

Nos próximos tempos, a vida desta jovem vai mudar pela certa. A promoção de Warrior Nun e todo o impacto de um lançamento grande da Netflix será uma nova etapa. Em San Sebastián, os fotógrafos já desconfiavam disso mesmo e não a largavam. A atriz respira fundo e lembra que nesta série aprendeu o significado de ser leading lady: "Adorei esta responsabilidade de ser a protagonista. Descobri algo em mim que desconhecia: o meu perfil de líder! Aguentei com muita coisa nos meus ombros. Tive de criar, de tomar decisões... É verdade que tive sorte, o responsável pela série incluiu-me em muitas decisões. Mas nesta altura não estou a pensar em coisas de estrelato e do impacto da série. Se pensasse nisso surgiria um entrave. Prefiro pensar dia a dia, não vou preparar-me para nada no futuro. Vou tentar lidar com tudo com a maior honestidade e humildade possível."

Warrior Nun teve um ritmo de filmagens intenso: "Estive seis meses em Málaga e nem consegui ir a Lisboa. Trabalhei seis dias por semana durante 12 horas. Aos domingos tínhamos reuniões para ver o que corria bem e o que corria mal. Enfim, foi-me imposta uma responsabilidade que nunca tinha tido. E estou tão grata..."

Enquanto Hollywood espera, é uma das atrizes de Campo de Sangue, de João Mário Grilo, a partir do texto da escritora Dulce Maria Cardoso. E no fim de semana passado recebeu da Academia de Cinema o Prémio Nico, destinado às promessas da sétima arte.

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