Apresentado no Festival de Cannes de 2025, extracompetição, A Mulher Mais Rica do Mundo é mais um exemplo de uma moda cinematográfica e televisiva, ou seja, as ficções inspiradas em factos verídicos tratados através de variações mais ou menos ostensivas. Neste caso, felizmente, o realizador Thierry Klifa, também coautor do argumento (com Cédric Anger e Jacques Fieschi), evita o banal “naturalismo” televisivo e não está preocupado em satisfazer a ilusão pueril de qualquer fidelidade “factual”.A inspiração provém do escândalo financeiro que envolveu Liliane Bettencourt (1922-2017), herdeira de um império da cosmética (L’Oréal), devido às suas relações pouco transparentes com membros do governo de Nicolas Sarkozy. Agora, descobrimos Marianne Farrère, também a enfrentar dramáticas convulsões empresariais que, em qualquer caso, vão sendo “filtradas” pela sua insólita cumplicidade com Pierre-Alain Fantin, personagem que faz questão em exibir a sua homossexualidade, num comportamento festivo que esconde uma inesperada agressividade...Daí a curiosa transfiguração a que assistimos. Começando num tom que faz lembrar a longa tradição de “comédia de costumes” no cinema francês, o filme de Klifa vai-se afirmando como discreta parábola sobre os poderes devastadores do dinheiro. Não se trata apenas de um retrato sarcástico do mundo empresarial, mas sobretudo de um frente a frente (Farrère/Fantin) em que, por desejo ou ironia, cada um deles descobre o frágil romantismo que alimenta a sua relação.Isabelle Huppert no papel da implacável administradora e Laurent Lafitte como o fotógrafo que, afinal, parece sofrer mais do que admite são presenças dominantes. São eles que, num sofisticado confronto, temperado por desconcertante elegância, conseguem superar o esquematismo de algumas soluções narrativas do filme, expondo o perverso enlace do dinheiro e do romantismo. Sem esquecer que Marina Foïs, no papel da filha de Marianne, pouco convencida da felicidade da mãe, volta a confirmar o seu precioso e discreto talento..'Aprender'. Estar na escola e aprender, eis a questão.Celebrando a utopia de Michael Jackson .'My Way – A História de uma Canção'. Uma canção feita de muitas vozes