Exclusivo "A minha música pretende estabelecer uma harmonia entre passado, presente e futuro"

Com um título algures "entre a vénia e a provocação", Por Este Rio Abaixo é o álbum de estreia de Pedro Mafama, um artista para quem a tradição serve não como ponto de partida ou de chegada, mas sim de interrogação.

Houve um tempo em que Pedro quase deitou tudo a perder, por mais de uma vez. A primeira, por receio, por achar que a sua música poderia não ser assim tão interessante para os outros, levando-o constantemente a adiar o tão desejado passo de se assumir enquanto artista, várias vezes disfarçado atrás de uma sucessão de empregos ditos normais. Pelo contrário, a sua música não só interessou como entusiasmou. Depressa se percebeu quando editou os EP Má Fama e Tanto Sal, em 2017 e 2018, dando a conhecer uma música feita kuduro, kizomba, afro-house, R&B, hip-hop, mas também fado e diversas referências à música popular portuguesa.

De um momento para o outro, era elevado à condição de grande esperança da nova música portuguesa, tornando-se figura recorrente nos palcos dos clubes e festivais mais atentos à novidade. E foi então que quase se perdeu novamente, iludido pelo aparente sucesso. "Tive aquela visão algo infantil de que já não era preciso trabalhar mais, mas entretanto percebi a sorte que tenho por poder fazer algo de que gosto. E isso dá muito trabalho, não é uma constante celebração. Senti-me como aquele jovem jogador de futebol que é contratado por um grande clube, mas passado um ano já ninguém ouve falar dele", começa por dizer o músico de 28 anos. Alguns dos temas presentes no álbum de estreia, como Noite Escura, Algo para a Dor ou Borboletas da Noite, são aliás "resultado desse processo de aprendizagem", ao qual se seguiu uma "espécie de epifania", também ela recordada em faixas como Ribeira ou Leva, que são "um grito de força e de afirmação, um bater no peito".

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