Antiga maior colónia de pinguins sofre "enorme colapso populacional"
A maior colónia de pinguins do mundo, localizada na ilha de Zavodovski, perto da Antártida, sofreu um "enorme colapso populacional" desde 2011, indicou um estudo de um conjunto de biólogos de várias universidades e publicado na revista Current Biology.
O estudo veio dar uma nova imagem sobre a população das duas espécies deste animal que viviam na ilha, nomeadamente o pinguim-de-barbicha e o pinguim-macaroni. Em 2011, as medições de população mostravam o pinguim de barbicha como o predominante, com 600 mil destes a viverem nessa ilha, contra 90 mil pinguins-macaroni.
Segundo o conjunto de biólogos, a queda foi abrupta e não parece estar a desacelerar, muito pelo contrário. Ao ponto de que, lê-se no estudo, o pássaro pode ser classificado como uma Espécie Em Perigo, sendo atualmente considerado uma espécie com pouca preocupação.
E a própria ilha parece ter perdido o estatuto que tem tido até agora. "Zavodovski acolhe atualmente uma população total de 419.161 casais de pinguins, o que significa que cedeu o título de maior colónia de pinguins do mundo à colónia de pinguins de Adélie no Cabo Adare, no Mar de Ross", lê-se no estudo.
Norman Ratcliffe, ecologista no British Antarctic Survey e um dos autores principais deste estudo, disse ao jornal britânico The Guardian que este era "um enorme colapso populacional, equivalente à perda de meio milhão de indivíduos reprodutores nessa ilha".
Para os cientistas, a causa do declínio tão abrupto dos pinguins-de-barbicha está nos efeitos da alterações climáticas, que estão a matar o principal alimento destes pássaros: o krill.
"Concluímos que a causa principal mais provável do declínio da população de pinguins-de-barbicha foi uma redução na disponibilidade de krill associada ao aquecimento regional", lê-se no estudo.
Segundo os cientistas pássaros passaram a nadar mais na zona noroeste da ilha, com águas mais frias, à espera de encontrarem lá alimento. Porém, este já não está lá.
"O aquecimento rápido provocou uma contração para sul da distribuição do krill na parte norte do Mar da Escócia, reduzindo a disponibilidade de alimento para os pinguins-de-barbicha e provocando um declínio generalizado das suas populações na região", sublinham.
Em sentido contrário, o aquecimento parece ter beneficiado os macaroni, que cresceram na ilha enquanto diminuíram noutros pontos ao longo do Mar da Escócia, crescendo 30%.

