Medina cede aos protestos e trava nova praça do Martim Moniz

Presidente da Câmara de Lisboa anunciou que vai ser lançado um novo concurso de ideias para a praça. Dá assim razão aos protestos dos moradores que defendiam um jardim e não um espaço comercial.

A Câmara de Lisboa decidiu não avançar com o projeto de requalificação da Praça do Martim Moniz que tinha apresentado em novembro do ano passado e que desde essa altura mereceu muita contestação por parte de associações e moradores.

O anúncio foi feito pelo presidente da autarquia, Fernando Medina, na reunião pública de câmara desta quinta-feira. O autarca adiantou que vai ser lançado um novo concurso de ideias para a renovação do espaço e que esta decisão já tinha sido comunicada ao concessionário - a empresa Moonbrigade Lda - que aceitou a decisão.

Com esta opção o presidente da câmara pretende que se avance para a recuperação da praça de forma a que esta faça parte de uma "cidade mais próxima" e "amiga".

Fernando Medina explicou aos vereadores que a decisão teve em conta os alertas de algumas associações de moradores sobre a pressão, principalmente devido ao turismo, que existe sobre a Baixa de Lisboa. "O Martim Moniz não deve reforçar essa tendência, mas sim fazer um corte nessa tendência", frisou.

Adiantou que uma rescisão unilateral do contrato com o concessionário - assinado em 2012 - estava fora dos planos devido aos custos que acarretaria, passando até pela responsabilização dos autarcas. Foi graças a uma "plataforma de diálogo" com a empresa que iria explorar um espaço comercial na praça que se chegou à anulação do compromisso, explicou Medina, o que vai possibilitar que se avance para um concurso de ideias para o local.

Quanto a valores da indemnização que irá ser paga à Moonbrigade Lda adiantou ainda não existirem valores e que estes só deverão ser conhecidos em setembro.

Para já, a câmara quer "tirar os tapumes" da praça de forma a que possa ficar ampla e para usufruto da população. Fernando Medina acrescentou considerar que esta "é uma boa solução para a cidade e para o Martim Moniz" e que a decisão também tem como objetivo "criar uma melhor cidade de Lisboa".

Uma das primeiras reações a este anúncio surgiu do Bloco de Esquerda por parte do vereador Manuel Grilo, responsável pelos pelouros da Educação e Direitos Sociais, que na rede social Twitter escreveu: "Tenho a alegria de informar que Fernando Medina desistiu finalmente do 'contentores' que tinham sido propostos para o #MartimMoniz. A luta popular foi essencial para esta vitória. Agora temos de garantir que a #participação dos moradores é o pilar do futuro Martim Moniz".

O projeto de instalar na placa central do Martim Moniz um espaço comercial com as lojas em contentores foi contestado desde a sua apresentação em novembro do ano passado. Mesmo depois de a empresa concessionária ter apresentado alterações a essa iniciativa continuaram a existir críticas ao mesmo.

Por exemplo, no início de fevereiro deste ano algumas dezenas de pessoas integraram um cordão humano na praça em defesa da construção de um jardim - o que deu origem ao Movimento Jardim Martim Moniz - de forma a transformar aquela área "numa zona verde de referência" na cidade.

Agora com esta decisão, a ideia de colocar cerca de 50 espaços comerciais - como florista, talho, cabeleireiro, padaria, restaurantes de comida do mundo, uma chapelaria, uma loja de disco e uma galeria do coletivo Underdogs - cai por terra.

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