Os comportamentos auto lesivos estão a aumentar nas crianças mais novas.
Os comportamentos auto lesivos estão a aumentar nas crianças mais novas.Foto: Arquivo DN

Instituto de Apoio à Criança recebeu quase 3500 pedidos de apoio em 2025

Crianças e jovens apresentam sinais de "elevado sofrimento psicológico", muito derivado da pressão das notas na escola e das redes sociais.
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Em 2025, houve quase 3500 pedidos de apoio em Portugal para crianças e jovens principalmente relacionados com elevado sofrimento psicológico, solidão, ideação suicida, pressão na escola com as notas, angústias na escolha da área profissional e bulling.

Segundo Anabela Reis, da área de comunicação e projetos do Instituto de Apoio à Criança, que celebra este sábado, 14 de março, o 43.º aniversário, muitos dos pedidos chegam de adolescentes entre os 14 e 18 anos por via telefónica e pelo Whatsapp a pedir apoio por causa “da pressão na escola com as notas”, “angústias nas escolhas da área profissional no 9.º e 10.º anos”, “sentimentos de solidão”, “ideação suicida” e bulling.

Anabela Reis explicou que muitos dos adolescentes recorrem à linha telefónica e que a tendência crescente até tem sido por via Whatsapp, porque “têm vergonha de pedir ajuda aos pais”.

Há um crescimento de pedidos de ajuda por causa de um “elevado sofrimento psicológico”, muitas vezes relacionado com a pressão das notas e a pressão das redes sociais, porque os jovens não se sentem incluídos, acrescentou.

Outro dado preocupante que Anabela Reis destacou são os comportamentos auto lesivos que estão a aumentar em adolescentes cada vez mais jovens, ou seja, em anos anteriores verificava-se isso em adolescentes a partir dos 15 anos, atualmente estão também a aparecer crianças com 12 e 13 anos com comportamento auto lesivos.

Além da linha telefónica, o Instituto de Apoio à Criança também recebe pedidos de apoio jurídico e de instituições parceiras por parte das famílias. A maioria dos pedidos está relacionada com saúde emocional, violência, vulnerabilidade social e conflitos familiares.

“Em 2025, as diferentes respostas de apoio do instituto registaram quase 3500 pedidos de apoio, refletindo a crescente procura de orientação e acompanhamento especializado”, lê-se num comunicado de imprensa.

Face à evolução das necessidades das crianças e das famílias, o Instituto de Apoio à Criança vai arrancar este ano com uma nova forma de comunicação dirigida diretamente a crianças e jovens, reforçando a missão de promover a participação das crianças e de criar espaços de informação, partilha e reflexão sobre temas que marcam o seu quotidiano.

Em paralelo, e em resposta às tempestades, designadamente a tempestade Kristin, que afetaram a região centro de Portugal, o Instituto de Apoio à Criança criou um novo serviço de apoio psicológico online em situação de crise, destinado a garantir uma resposta especializada e rápida a crianças, jovens e famílias em momentos de maior fragilidade emocional nesta região.

“Toda a criança tem direito a ser protegida, não podemos esquecer que uma infância roubada já não se recupera”, declara Manuel Ataíde Coutinho, presidente do Instituto de Apoio à Criança, na nota de imprensa.

Para assinalar 43 anos de atividade, o Instituto de Apoio à Criança reafirma o compromisso de continuar a desenvolver respostas ajustadas às necessidades das crianças e das comunidades, promovendo a proteção, a participação e o bem-estar das novas gerações.

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