Luís Neves, à época diretor da diretor da PJ
Luís Neves, à época diretor da diretor da PJÁlvaro Isidoro (Arquivo)

Caso Luís Neves. Diretor financeiro da PJ assume entrega de atrelado a empreiteiro por falta de alternativas

Marinha havia pedido para que o reboque fosse retirado de imediato dos seus terrenos e parque da PJ estava sobrelotado quando dono da Construbarcelos sugeriu acolher o atrelado num armazém seu.
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O diretor financeiro e do património da Polícia Judiciária (PJ), com competência para a gestão dos bens apreendidos, terá assumido internamente ter sido dele a iniciativa de entregar provisoriamente a guarda do atrelado com bidões de produtos químicos ao empreiteiro João Carvalho, avança a CNN Portugal.

Álvaro Pires terá optado por essa solução por falta de alternativas, tendo essa sugestão recebido o aval do então diretor nacional da PJ, Luís Neves.

Na altura, em setembro do ano passado, a Marinha havia pedido para que o reboque fosse retirado de imediato dos seus terrenos, no Seixal, por os produtos químicos estarem expostos a risco de incêndio. Paralelamente, o parque da PJ em Tires estava sobrelotado, sendo que essa polícia não dispunha dos 144 mil euros exigidos por uma empresa para levar a cabo a destruição dos químicos.

Passados nove meses, o atrelado com os bidões químicos foram recuperados pela PJ no armazém da Construbarcelos e estão agora parqueados na rua junto ao armazém da PJ em Tires, por falta de espaço no interior, uma vez que lá dentro estão os destroços do acidentado elevador da Glória, entre outros bens apreendidos.

Recorde-se que os produtos químicos foram apreendidos numa operação da PJ de combate ao tráfico de droga a 4 de dezembro de 2024, tendo chegado dois dias depois uma ordem do Ministério Público para a destruição dos produtos.

Na sequência dessa ordem, o núcleo de apreendidos da PJ, na dependência de Álvaro Pires, fez uma auscultação de mercado com pedidos de orçamento para a destruição dos químicos, tendo recebido um orçamento de 144 mil euros, valor incomportável para aquela polícia.

Entretanto, a Marinha ofereceu-se para procurar uma solução de destruição, mas não a encontrou, tendo pedido, já no verão do ano passado, para que a galera fosse retirada imediatamente das suas instalações.

Nessa altura Álvaro Pires, que fiscalizava uma obra da PJ na companhia do empreiteiro João Carvalho, recebeu do patrão da Construbarcelos a sugestão para acolher transitoriamente o atrelado num armazém seu, gratuitamente, enquanto o próprio se comprometeu a procurar empresas no norte do país com condições para destruir os produtos químicos por valores significativamente mais baixos do que os 144 mil euros.

A proposta foi aceite por Luís Neves, face à falta de alternativas.

Mas, nos meses que se seguiram, não foi encontrada qualquer empresa com credenciação para destruir os produtos químicos.

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