Maria de Lima é a atração de "Dilúvio" em São Paulo

Atriz portuguesa será protagonista, e também antagonista, da peça só com mulheres do dramaturgo norte-americano Gerald Thomas.

Dilúvio, a aguardada nova peça de Gerald Thomas, dramaturgo norte-americano nascido no Rio de Janeiro, terá uma atriz portuguesa, Maria de Lima, no papel da protagonista. E no da antagonista também. A tragicomédia que mistura fantasia e reflexão estreia-se hoje no Teatro Anchieta, no Serviço Social de Comércio da Consolação, em São Paulo.

"Em 2014, Maria de Lima roubou a cena em vários momentos no espetáculo Entredentes, também de Thomas, protagonizado por Ney Latorraca e exibido em São Paulo e no Rio de Janeiro", segundo o divulgador teatral Ney Motta. A atriz, com mais de 20 anos de carreira em cinema, teatro e televisão, participou ainda no filme britânico Beast e interpretou Catarina de Aragão no premiado I Am Henry, entre outros papéis.

Em Dilúvio, Maria dará corpo a uma figura controversa, nas palavras do autor, "uma santa DesGoogle das Desgraças, procurando salvar num oásis imaginário informação em excesso empilhada em escombros e deixada a apodrecer, amontoados de wikipédias, biliões de computadores e iPhones num mundo onde se vivem conflitos de guerra, anunciam apocalipses e se geram notícias falsas".

A atriz, conhecida do grande público português por participações na série humorística A Mulher do Sr. Ministro e nos musicais de Filipe La Feria, é considerada por Thomas "my all time star" e apresentada na revista brasileira Glamurama como "um furacão". Radicada em Londres há cerca de 15 anos, trabalha com o dramaturgo desde a fundação do London Dry Opera Company, em 2010, e vê Dilúvio como "mais um projeto empolgante proposto pelo Gerald".

A peça, que fica em cartaz até 17 de dezembro, tem um elenco inteiramente feminino e será falada em espanhol e português, fazendo uma espécie de embate provocador entre as duas potências colonizadoras que dividiram o mundo.

Este não é o primeiro espetáculo em que Thomas aborda a questão da velocidade e do excesso de informação, regressando a uma temática que trabalhara em 1999, ainda nos primórdios da internet, no espetáculo Ventriloquist. Quase duas décadas depois, e com uma revolução tecnológica, da informação e das redes sociais pelo meio, volta ao tema: "Para tudo, hoje, existe uma resposta rápida, o Google é santificado por esta geração mas nada fica na cabeça deles, nada se fixa, ninguém mais lê um livro sequer", afirma Thomas. "A peça é pois uma espécie de "antissanto", ou "o capitão de uma arca que não é"", prossegue, usando um jogo de palavras. "Falo desse dilúvio moderno que vivemos mas eu não conto histórias, apenas crio imagens, proponho ideias e conexões, o público faz o resto."

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