DGArtes: Marcelo vai falar com autarcas e aguarda dados sobre apoios ao teatro

O Presidente da República afirmou hoje que vai falar com alguns autarcas e que aguarda dados sobre os apoios plurianuais ao teatro e prometeu pronunciar-se depois sobre este assunto.

Interrogado se ainda não falou com o Governo sobre esta matéria, Marcelo Rebelo de Sousa não respondeu diretamente à questão, mas ressalvou que só irá pronunciar-se publicamente, "claro, depois de falar com o senhor primeiro-ministro".

O chefe de Estado foi questionado sobre a contestação ao Programa de Apoio Sustentado da Direção-Geral das Artes para o período 2018-2021 no final de uma iniciativa no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, e respondeu: "Penso que estão a falar do apoio ao teatro. Eu devo dizer que durante o fim de semana vi noticiada essa questão. Não tenho dados ainda".

"Irei falar com alguns autarcas, irei receber os dados relativamente àquelas companhias que foram apoiadas, aqueles teatros que foram apoiados, e às companhias e teatros que não puderam ser neste programa. E, quando tiver os elementos na minha mão, aí pronunciar-me-ei", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa foi também questionado genericamente sobre o clima do futebol nacional e especificamente sobre uma reunião entre representantes dos jogadores e a liga. "O Presidente da República não se deve pronunciar sobre estas matérias. Naturalmente, está atento a tudo o que se passa em Portugal, mas não se deve pronunciar sobre essas matérias", retorquiu.

Os resultados provisórios dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes, conhecidos na sexta-feira, têm suscitado protestos de companhias e criadores.

Um conjunto de agentes do teatro reuniu-se no sábado em Lisboa em contestação ao processo de atribuição das verbas plurianuais, tendo decidido constituir uma plataforma e pedir uma reunião ao primeiro-ministro, António Costa.

Os concursos ao Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021 abriram em outubro, com um valor global de 64,5 milhões de euros para apoiar modalidades de circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro.

No sábado, o Governo anunciou um reforço do montante disponível até 2021, para 72,5 milhões de euros.

De acordo com os resultados provisórios dos concursos comunicados aos candidatos, a que a agência Lusa teve acesso, 50 candidaturas das 89 avaliadas na área do teatro deverão receber apoio estatal, e várias estruturas que tiveram apoios no passado ficarão de fora, como o Teatro Experimental de Cascais, O Teatrão e Escola da Noite, de Coimbra, o Centro Dramático de Évora e o Teatro das Beiras, da Covilhã.

Igualmente excluídos ficarão o Teatro Experimental do Porto, a Seiva Trupe, o Festival Internacional de Marionetas e o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), também do Porto, o Teatro de Animação de Setúbal, das 39 estruturas e projetos que ficam sem financiamento.

Entre as companhias mais apoiadas estão a Teatro Praga, Companhia de Teatro de Almada, Artistas Unidos, O Bando, Teatro do Noroeste, Companhia de Teatro de Braga, Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), a Comuna - Teatro de Pesquisa e Novo Grupo de Teatro, do Teatro Aberto, todas com um apoio para o quadriénio 2018-2021 superior a um milhão de euros.

Teatro do Elétrico, Teatro Extremo, Ar de Filmes, Este - Estação Teatral, Companhia de João Garcia Miguel, Mala Voadora, Comédias do Minho, Teatro da Rainha são outras companhias apoiadas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

O planeta dos sustentáveis 

Ao ambiente e ao planeta já não basta a simples manifestação da amizade e da esperança. Devemos-lhes a prática do respeito. Esta é, basicamente, a mensagem da jovem e global ativista Greta Thunberg. É uma mensagem positiva e inesperada. Positiva, porque em matéria de respeito pelo ambiente, demonstra que já chegámos à consciencialização urgente de que a ação já está atrasada em relação à emergência de catástrofes como a de Moçambique. Inesperada (ao ponto do embaraço para todos), pela constatação de que foi a nossa juventude, de facto e pela onda da sua ação, a globalizar a oportunidade para operacionalizar a esperança.