São 07.30 da manhã de 11 de Março de 2004 quando explodem dez bombas em três estações de Madrid. Faltam três dias para legislativas e acaba de suceder o maior atentado em solo europeu desde a explosão, em 1988, do Voo 103 da Pan Am sobre Lockerbie. Em Madrid lamenta-se a morte de 191 pessoas. O PP, no poder, fala de acção da ETA. O primeiro-ministro José Maria Aznar recusa a tese de terrorismo islamita, mas a verdade é que este acabara de atacar em Espanha, então aliada dos EUA no Iraque e Afeganistão. Os atentados revelaram a fraqueza da liderança do PP, por isso penalizada no voto de 14 de Março. O que derrotou o PP não foram as bombas, foi o receio da consequência das suas decisões. Mas, por isso, Espanha, como sociedade livre e democrática, venceu o terrorismo..Londres, 7 de Julho de 2005 - um dia sangrento nos transportes públicos da cidade. Os responsáveis pelos 52 mortos são três jovens britânicos, de origem paquistanesa, e um jamaicano. Dois deixam vídeos a justificarem a acção com a repressão dos muçulmanos no Afega- nistão, Iraque, Chechénia, Médio Oriente - a cartilha básica da jihad. O relevante aqui é os ataques serem obra de britânicos naturalizados. O 7 de Julho fica para a posteridade como prova da eficácia mobilizadora do jihadismo e, principalmente, do fracasso ocidental por não cultivar referências internas adequadas à solidariedade e identidade que esvaziem a lógica do terror.