20 anos do atentado que matou Sérgio Vieira de Mello.Passaram 20 anos e poucos se lembraram desse dia 19 de agosto de 2003, quando em Bagdad (Iraque) um atentado matou um dos mais destacados funcionários das Nações Unidas -- o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello. O ataque suicida ao Hotel Canal levado a cabo por um motorista de um camião matou 22 pessoas e feriu 150, tendo sido o mais violento contra uma missão das Nações Unidas até aquele dia. A ação foi assumida pelo então chefe da Al-Qaeda, Abu Musab al-Zarqawi, e, na altura, a justificação para este ataque visando o diplomata brasileiro foi a de que ele tinha ajudado a retirar Timor Leste à Indonésia. Entre as suas várias ações ficou para a história a visita que fez à prisão de Abu Ghraib, onde o Exército Norte-Americano foi acusado de praticar atos de tortura durante a invasão do Iraque. Na altura, Sérgio Vieira de Mello era até apontado como o substituto do então secretário-geral da ONU Kofin Annan. Vinte anos depois fica a recordação..O dia em que um beijo fez esquecer um Título Mundial."Um gesto inaceitável." Esta foi a frase mais simpática que o presidente da Real Federação Espanhola de Futebol ouviu após ter beijado na boca -- sem consentimento -- a jogadora Jenni Hermoso, durante a cerimónia de entrega da taça de Campeã do Mundo à seleção feminina de futebol. Enquanto festejavam o primeiro título mundial sénior e recebiam as medalhas as atletas iam sendo cumprimentadas pelos dirigentes e quando Hermoso chegou junto de Luís Rubiales este abraçou-a, beijou-a na face e depois na boca. Um gesto que escandalizou Espanha e originou críticas ao comportamento do responsável da RFEF. Este, primeiro, desdramatizou e chamou "idiotas" a quem o criticava, mas depois acabou a publicar um vídeo a pedir desculpa. Certo é que até o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez considerou "insuficientes" as explicações, frisando: "Penso até que são inapropriadas e, por isso, tem de ir mais longe." Quem sabe se não vai acabar em demissão..Mais Habitação. "O Parlamento fica na sua e eu na minha".Se há tema que tem dividido a sociedade é a habitação. O Governo avançou com um programa a que chamou Mais Habitação, que foi aprovado em julho, no Parlamento, apenas com os votos do Partido Socialista e com críticas dos restantes partidos. Aliás, o difícil é encontrar alguém ou uma instituição que esteja de acordo com as ideias do Executivo liderado por António Costa. O mais recente episódio foi o veto político do Presidente da República, com Marcelo Rebelo de Sousa a defender que uma decisão destas devia ter um amplo consenso. O PR vetou e o PS avisou, de imediato, que ia votar novamente o diploma e assim obrigar à sua promulgação, sem qualquer alteração. Ficou exposto mais um braço-de-ferro entre Belém e São Bento. E com uma resposta tranquila de Marcelo Rebelo de Sousa, perante a certeza de novo voto socialista: "O Parlamento fica na sua, e vota em conformidade e confirma a sua votação, e eu fico na minha, no sentido em que não me convenceu.".Espanha com três caminhos: PP, geringonça ou eleições.O rei de Espanha fez a escolha "óbvia", ao convidar o presidente do Partido Popular para formar Governo, mas nada garante que o país vá ter um Executivo nos próximos tempos. Felipe VI ouviu os partidos e decidiu convidar o líder do partido mais votado nas eleições. Alberto Núñez Feijóo agradeceu e lembrou a legitimidade conferida ao PP nas urnas. O problema é que ainda não conseguiu reunir uma maioria de deputados, pois, com o apoio do Vox, da Coligação Canárias e da União do Povo Navarro, fica-se pelos 172. Precisa de mais quatro para a maioria. Feijóo tem até 27 de setembro para os obter. Caso não consiga, nem com maioria simples à segunda votação, a "bola" é devolvida ao rei, para endereçar novo convite que possa resultar numa solução governativa com apoio maioritário no Parlamento. Se tal não for possível -- o PSOE acha que consegue --, Espanha poderá voltar a ter eleições, provavelmente a 14 de janeiro de 2024. Portanto, ou o líder do PP consegue apoios ou o país pode ir para uma geringonça. Ou volta a ter eleições. Digamos que a política espanhola está "embrulhada"....Marcelo a ser Marcelo na Ucrânia. E a morte de Prigozhin.Os responsáveis pela preparação de visitas de chefes de Estado à Ucrânia foram surpreendidos neste primeiro dia da visita do Presidente da República Portuguesa ao país. O "furacão" Marcelo cumpriu uma agenda intensa, ao mesmo tempo que foi quebrando o protocolo sempre que podia -- foi a uma trincheira, entrou num prédio praticamente destruído, falou com uma senhora que tem apenas um ano a menos que ele, visitou um museu e ainda tentou furar o plano da segurança quando, em Irpin, tentou arranjar forma de ir visitar um infantário que está a ser construído com a ajuda da Câmara Municipal de Cascais. Ficava a um quilometro de distância, mas os responsáveis pela segurança não gostaram da ideia. Pelo meio prestou declarações em vários locais, lembrou o apoio de Portugal e ainda marcou presença na Cimeira da Crimeia. Mas o dia ficaria ainda marcado pela queda do avião onde seguiria o líder do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, na região de Tver, na Rússia, numa situação para a qual não houve explicação. Bem pelo contrário, logo surgiram várias teorias de conspiração....Trump foi à prisão, tirou a foto histórica e voltou ao X.Donald Trump tornou-se o primeiro antigo presidente dos EUA a entrar para a galeria de personalidades fotografadas na prisão. Aconteceu ao final da tarde desta quinta-feira numa prisão de Atlanta (estado da Geórgia) e foi mais um motivo para o ex-líder do país voltar a vitimizar-se. E não só, pois publicou a foto -- denominada mugshot -- na rede social X (antigo Twitter) acompanhada de uma frase: "Interferência eleitoral. Nunca se render!". Esta ação de Trump marcou ainda um regresso à rede social que tinha suspendido a sua conta em 2021. O potencial candidato às eleições presidenciais do próximo ano é acusado, na Geórgia, de tentar falsificar os resultados eleitorais nas presidenciais de 2020. Apresentou-se na Prisão de Fulton para tirar as impressões digitais e a foto agora famosa. Trump esteve 20 minutos no edifício, pagou uma caução de 185 mil euros e saiu em liberdade. No regresso a casa voltou a criticar a Justiça norte-americana e mais tarde iniciou a venda de merchandising com a imagem. É caso para dizer: um homem de negócios nunca perde uma oportunidade de obter rendimentos..Luis Rubiales vai "lutar até ao fim". O que não deve ser bonito....Esta devia ter sido a semana em que o futebol espanhol estaria a festejar o seu primeiro Título Mundial em seniores femininos, mas acabaram por ser dias de contestação ao presidente da federação devido à atitude que teve na entrega das medalhas quando beijou na boca -- sem consentimento -- a jogadora Jenni Hermoso. Luiz Rubiales foi criticado durante toda a semana, ouviu pedidos de demissão, mas manteve-se no lugar. Agora, enfrenta acusações de diversos lados da sociedade espanhola e até o Governo espanhol, por intermédio de Victor Francos, secretário de Estado para o Desporto e presidente do Conselho Superior dos Desportos, decidiu tentar a saída de Rubiales. Para já foi apresentada uma queixa contra o líder da federação no Tribunal Administrativo. Já este disse esta sexta-feira, após uma assembleia da federação, que não se demite, repetindo que o beijo foi consentido, e terminou com esta frase: "Quem me conhece sabe que vou lutar até ao fim." Só falta saber qual será o fim. Pelo que se foi vendo durante a semana não deverá ser simpático..cferro@dn.pt