No pacote de recomendações específicas que apresentou hoje aos Estados-Membros, Bruxelas considera que a suspensão da autoridade deva ainda ser mantida no próximo ano, mas admite que a chamada cláusula geral de salvaguarda "deverá" ser levantada depois disso, e 2023 já será um ano com disciplina orçamental..Bruxelas considera que a decisão de suspender a disciplina orçamental "permitiu aos Estados-Membros adotar medidas" no domínio da despesa e da receita "muito consideráveis para minimizar o impacto económico e social da pandemia", além de ter permitido "coordenar as políticas orçamentais de forma mais flexível". .Já em março, a Comissão Europeia afirmava que a decisão de desativar a cláusula de salvaguarda geral "deve ser considerada", tendo em conta uma "avaliação geral da situação da economia", de âmbito quantitativo, e com o nível de atividade económica na UE, "em comparação" com os níveis pré-crise..No recente boletim macroeconómico da primavera, a Comissão considera que a atividade económica pré-crise, registada no final de 2019, deverá ser atingida "por volta do quarto trimestre de 2021 na UE, e como um todo e no primeiro trimestre de 2022, na área do euro". ."Com base nesta previsão, estão reunidas as condições para a continuação da aplicação da cláusula geral de escape em 2022 e a sua desativação a partir de 2023", conclui a Comissão Europeia..No documento apresentado em Bruxelas, a Comissão coloca Portugal numa lista de nove países em situação de desequilíbrio macroeconómico, juntamente com a Croácia, França, Alemanha, Irlanda, Países Baixos, Roménia, Espanha e Suécia..No caso de Portugal, a Comissão considera que as fragilidades devem-se ao "grande volume de passivos externos, dívida pública e privada, e também ao crédito incobrável, que "continua elevado". Junta-se a isto "um cenário de baixo crescimento da produtividade"..Bruxelas salienta que "a dívida pública aumentou substancialmente" no ano passado, devido à "recessão e às medidas de ajuda postas em prática para amortecer o impacto da crise". Mas, as previsões mais recentes apontam para uma "diminuição moderada este ano e no próximo com a redução dos défices orçamentais". .A Comissão volta a falar do impacto da covid-19 no setor do turismo, apontando as consequências que transformaram um saldo orçamental positivo no início do ano passado, num défice..O investimento internacional piorou, em 2020, mas deve já ao longo deste ano gradualmente apresentar melhorias. A dívida privada aumentou, em parte devido às necessidades de financiamento das empresas durante a crise. E, as hipotecas na habitação registaram crescimento no ano passado. .Bruxelas alerta também para o risco de aumento do crédito mal-parado, quando as moratórias no crédito à habitação forem levantadas..A Comissão está a contar com as verbas do Mecanismo de Recuperação e Resiliência para que Portugal e outros países corrijam desequilíbrios macroeconómicos. De acordo com as previsões a atividade económica deverá atingir os níveis pré-crise no final deste ano, na média da União Europeia, e na zona euro, no início do próximo ano..Por isso, Bruxelas considera que estão reunidas as condições para que a cláusula geral de salvaguarda continue a ser aplicada em 2022 e possa ser desativada a partir de 2023.